Outros tempos


Diogo Novo,

Após dias que mais pareceram meses, Álvaro Amaro anuncia que prescindirá da imunidade conferida pelo cargo de eurodeputado. Menos mal.

Já Rui Rio arremessou o banho de ética para parte incerta, pois mandou dizer à imprensa que não pensa pronunciar-se sobre o assunto. Afinal, trata-se tão somente de um coordenador do partido, recém-eleito deputado ao Parlamento Europeu, que é constituído arguido no âmbito de um processo que visa crimes de fraude, corrupção, tráfico de influências e prevaricação.

Há não muito tempo, sem esperar por acusações formais ou pela constituição de arguidos, um ministro do PSD demitia-se para preservar a autoridade das instituições. E preservou-a (a das instituições e a sua). Outros tempos.

0 comentários em “Outros tempos”

  1. Outros tempos, que nalguns lugares teimam em ser doutras épocas:

    O Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto (TAF) decretou nesta segunda-feira a perda de mandato do presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago, e do vereador Mário Sousa Neves, eleitos para o executivo pela coligação PSD/CDS. O TAF considerou ilegal a decisão do executivo autárquico de assumir como municipal uma dívida da empresa Parque de Ciência e Tecnologia – Tecmaia ao Fisco, no valor de 1,4 milhões de euros. Perante a falta de activos da empresa municipal, a câmara fez a reversão da dívida pessoal dos então administradores e assumiu-a.

    https://www.publico.pt/2019/04/15/politica/noticia/-tribunal-decreta-mandato-presidente-camara-maia-1869292

    As edilidades, “passistas e santanistas”, continuam. Os contribuintes também.

  2. Rui Rio não acerta uma. Do banho de ética à estapafúrdia sugestão para os votos brancos e nulos estarem representados na sala das sessões da Assembleia da República.
    E continua a fugir dos jornalistas. Foge porquê?

    1. Acabou por falar, embora sem nada dizer. Não faço ideia porque foge (ou evita), mas, mais importante, não faço ideia de qual a estratégia ou ambição para o principal partido da oposição. Perdemos todos, mesmo aqueles de nós que não militam no PSD.

  3. Já sobre as eleições em Espanha o senhor Diogo Noivo nem um texto conseguiu escrever o que diz muito da sua capacidade de perceber a derrota das suas ideias.
    Como alguém disse, os nossos adversários estão em frente a nós, os nossos inimigos estão no meio de nós.

    WW

    1. Gosto pouco (mesmo nada) do exercício ensimesmado da frase “como eu já escrevi”. Porém, não vejo forma mais eficaz e simples de responder ao seu comentário: em texto de antevisão das eleições (https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/cainismo-430983) e em texto escrito logo após o acto eleitoral (https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/a-espanha-desavinda-439862) analisei o contexto político em Espanha. Relendo os dois textos, e sem qualquer ambição de me erigir em Zandinga, não me enganei. Aliás, até ver, não há muito de novo a assinalar. Por outras palavras, nem ideias derrotadas nem acontecimentos imprevistos. Quando houver factos novos, e a vontade e o tempo disponível se alinharem, voltarei ao tema.

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