Excelente filme: O Sol do Futuro, de Nanni Moretti.
Misto de comédia, musical e sátira política. Emociona, faz sorrir e faz pensar.
Filme sobre os bastidores do cinema, sobre o sortilégio das palavras, sobre as ideologias que iludem os incautos.
Sobre a vida, afinal.
Cheio de momentos inesquecíveis, como estes que aqui trago. Já nostálgico, apesar de ter visto há escassas semanas esta obra-prima que me fez sair da sala de projecção a cantar em italiano – idioma que adoro.
Sentindo-me personagem de Moretti também.

o romano Giovanni aos 70 continua interessante carreira
« Nanni Moretti (Brunico, Itália, 19 de agosto de 1953) é um cineasta, ator e roteirista cinematográfico italiano. Cresceu em Roma e desde a adolescência». chama-se «Nome de nascimento: Giovanni Moretti».
os pais fugiram das bombas colocadas nos caminhos de ferro quando o governo central tentou fechar as escolas para dispersar os falantes de Alemão. na tv ouvi-o falar dialeto romano.
quer mais explicações?
Sim. Não sei o que significa “dialeto”.
nasceu no Alto Adige, Südtirol austríaco antes da IGG. na Áustria verifiquei que muitos ainda falam Alemão e não se conformam com a anexação. estive em Bolzano
antes da IGG
!? Moretti nasceu em 1953.
É bem sabido que a Áustria ainda hoje reclama o retorno da sua província do Tirol-Sul, que fai anexada pela Itália após a 1ª Guerra e na qual ainda hoje se fala (um dialeto) alemão.
É um dos muitos casos de territórios anexados durante o século 20 na Europa, e que se encontram agora no país “errado”. Ainda muito recentemente Putin se referiu a territórios do oeste da Ucrânia que talvez devam regressar à Polónia, à Hungria e à Roménia, seus anteriores “donos”.
Wenn er nicht höflich wäre, würde er dich in den Arsch ficken lassen
Em que cinemas está a ser exibido?
Adorei também este filme, que reflecte também sobre o futuro incerto do cinema, tomado pelas produções bang bang, num tempo em que há cada vez menos gente capaz de estar quieta e aguentar duas horas a olhar para uma tela, mesmo que nela se faça magia.
há cada vez menos gente capaz de estar quieta e aguentar duas horas a olhar para uma tela
Eu só muito dificilmente sou capaz.
O que era bom era o tempo em que os filmes tinham intervalo, para uma pessoa poder ir lá fora espairecer.
90 minutos sentado numa mesma cadeira, é demais.
90 minutos sem comentar num blogue, para si, deve ser uma tortura.
Teresa, alguns queixam-se de não terem tempo para ver um filme de hora e meia ou duas horas. Os mesmos que passam horas sem fim agarrados às redes ditas sociais. Largando postas de pescada sobre o que sabem e sobretudo sobre o que ignoram em absoluto.
Este filme traça também uma linha de fronteira entre a verdadeira socialização e a falsa – a das tais redes que usam o adjectivo “social” quando afinal são apenas montras do solipsismo mais exacerbado e do egoísmo sem freio.
Sobre ideologias que iludem os incautos
https://identdegeneroideologiaouciencia.b logs.sapo.pt/a-netflix-e-o-bisonte-nao-b inario-20639
Não vi. Portanto, abstenho-me de comentar.
essa do “faz pensar” é que intriga.
Nao, nao estou a dizer que o filme nao tem mais essa qualidade.
Estou a dizer que toda a gente pensa, e portanto nao admite para si proprio que seja possivel adquirir sabedoria extra.
Dita de outra maneira, se nao pensassemos o mundo estaria pior, dirao os otimistas, só os otimistas…pensantes.
Creio que hoje terá sido batido aqui um recorde de gente a comentar um filme que não viu nem tenciona ver.
Sinal dos tempos.
será como diz,
mas se reparar bem, no caso deste leitor comentou a expressao, o ato (de pensar) e nada o filme.
Ou seja o leitor deixou a sugestao para noutro post desenvolver essa coisa do “pensar”.
Bom ano.
Bom ano para si também.