0 comentários em “Outra diferença”

  1. Ninguém branqueia nada, competente numas coisas, incompetente noutras. E nós e eles temos de saber lidar com o contexto, Sócrates a partir de 2008 não o soube. E essa do BCE…

    1. Não vi quase nada de competente neste governo de Passos Coelho, e quando o é, é-o em coisas que fazem o país pior (mas isso é, admito, questão de opinião). O que sei é que este governo não fez nada pela situação económica do país. A despesa está quase como estava, vendeu apenas os novos impostos como “redução de despesa”. Acrescentou impostos, cortou direitos (não lhes chamo adquiridos nem conquistados, apenas como parte do contrato social) a eito e sem critério para lá do de inventar inimigos, não soube apresentar reformas que não chocassem com o TC e apenas o culpou por quase tudo, isto apesar do beneplácito da múmia de Belém.

      O BCE é o principal responsável pelas quedas das taxas de juro com as suas políticas. Se não acredita não consigo de certeza convencê-lo, antes tentar explicar-lhe que o Pai Natal é capaz de não ser aquele senhor que lhe explicaram.

      1. Sei que este vai ser o mote da campanha, mas a argumentação apenas nos desvia do essencial. Em 2011, Portugal estava na pré-bancarrota e teve de pedir um resgate. O memorando foi negociado pelo governo socialista, aliás mal negociado, pois foram ocultados os números reais: a dívida pública era mais elevada e foi preciso cumprir metas irrealistas e ainda pagar dívidas antigas. É branqueamento afirmar que o governo desmentiu os críticos que previam espiral recessiva, segundo resgate, saída do euro e o diabo-a-quatro ? Porquê? Esses críticos estavam certos? Foi apenas o BCE o culpado das taxas de juro da dívida baixarem dos 3% antes do estímulo monetário? E como se explica a situação da Grécia? Não tem o mesmo banco central?

        1. Luís, as acções do BCE não se limitaram ao estímulo monetário e também tiveram fortes efeitos nos juros da Grécia. Por outro lado este governo foi eleito a prometer não aumentar impostos e foi a única coisa que fez, qualquer que fosse a dívida (coisa que qualquer criança de 8 anos saberia fazer). Também prometeu “ir além da troika” e a única coisa em que o fez foi em (mais uma vez) aumentar (e criar) impostos. Não reformou quase nada (e nem tentou na sua maioria) e muito do que tentou reformar só destruiu (em 4 anos destruiu anos de trabalho na educação e na ciência, que são as bases de um país).

          Há 4 anos o Pedro fez constantes posts com a pergunta: “estamos melhor que há 4 anos?” em que respondeu sempre que não, mesmo preferindo ignorar na sua argumentação os efeitos das crises internacionais (preferências, os posts eram seus). Se fizermos a mesma pergunta hoje, a resposta é a mesma: não estamos melhor que há 4 anos. Estamos pior.

          1. A pergunta dos quatro anos é excelente e verás que a resposta não é tão simples, mas estamos a desviar a conversa. O que dizes são factos: foram aumentados os impostos contra as promessas, foi feita uma declaração imbecil de “ir além da troika”, mas devo discordar da questão das reformas. A tua descrição dos últimos três anos e meio tem um problema: afinal, o que aconteceu ao país durante este tempo? Foi um vendaval de incompetência e puro masoquismo? Entregámos o país a um grupo de alucinados que decidiu estoirar com uma coisa que estava a correr muito bem? O que aconteceu nos últimos três anos e meio? Se passámos em todos os exames da troika, talvez haja algumas reformas; se a economia recomeçou a crescer, alguma coisa terá sido bem feita; se o desemprego é apenas ligeiramente superior ao deixado pelo governo socialista, então não foi a calamidade de que se fala (e aqui é preciso olhar para números sem manipulações nem demagogia). E termino: isto foi tudo um pesadelo que se dissipará logo que triunfar a esquerda ou, como sugere o caso grego, estivemos muito entalados e pelo menos por agora conseguimos andar pelo nosso pé?

          2. E esqueci-me de um ponto: como é que se vai além da troika sem quase fazer reformas? Se foi além da troika, então o governo fez mais reformas do que era exigido, o que é manifestamente falso. A declaração imbecil que os persegue nunca passou de conversa da treta e, aliás, passaram no último exame à tangente, portanto, ficaram mesmo aquém da troika. Temos de escolher: ou fizeram mais ou fizeram menos; na primeira hipótese, fizeram reformas e podem ser acusados de serem mais papistas que o papa; na segunda hipótese, não fizeram tudo o que lhes era exigido e, portanto, conseguiram bater o pé à troika.

      2. BCE principal responsável? Sim e não. Sem ele, agora, não seriam tão baixos? Poderia fazer com que fossem mais baixos em 2010-11? Ah pois com certeza. Sem euro, em todos os governos anteriores os juros teriam sido bem mais altos. Ai a inflação! A disciplina monetária existe por alguma razão e por alguma razão os governos aceitam submeter-se a ela… O próprio Draghi o diz as nossas medidas sem “reformas”…
        Tu podes considerar que em termos orçamentais, a política 2008-2010 (e antes até) não foi irresponsável, nem o problema da crise. Tudo bem (not my case :D). Lembro só os tratados assinados pelos partidos do arco da governação… O que eu sei é que em Junho de 2011 o País tinha um grave problema de liquidez, o país gastava 20mil milhões de euros a mais do que recebia. Neste quadro qual é que era a opção? Sem financiamento disponível, a política não poderia ter sido outra: baixar despesas e aumentar receitas. Seja aqui, seja em Angola, no Brasil, na Venezuela ou na “conchichina”. É elementar. A política financeira (com todas as consequências económicas, sociais, etc.) não poderia ter sido outra!
        Eu acho que devemos reconhecer a limitação que qualquer governo português tem e terá em termos de instrumentos económicos. A coisa é decidida a nível europeu. Portanto o próximo governo terá de, tendo em conta essa situação, propor uma política que fomente o desenvolvimento económico (impostos, leis, seja o que for!!), sem comprometer financeiramente o Estado. Estou à espera das propostas… (e acho que vou esperar sentado). Ah e também à espera de soluções para bomba-relógio da segurança social. Mas estou a ver que vamos passar o tempo a falar do outro que está preso e deste que não cumpriu as suas obrigações.
        Nunca acreditei no Pai Natal. Sou um homem de pouco ou nenhuma fé. E a que tenho vai quase toda para o Glorioso. No sábado fui cumprir o meu voto. Por isso, não esperes de mim avé marias a qualquer político. Não sofro dessa doença, clubite só na bola.

        Só umas notas: despesa 2010 – 93.237 milhões de euros, despesa 2014 – 81.869 milhões de euros (são menos 11.368 milhões… quase como estava?); receita 2010 – 73.137 milhões de euros, receita 2014 – 74.795 milhões de euros (são mais 1.658 milhões…) Ou seja de -20.100 milhões, para -7,074 milhões (juros líquidos pagos 2014: 6.972,4M€). É uma diferença de 13 mil milhões. Juros líquidos pagos 2014: 6.972,4M€.

      3. Só outra nota, o valor de 2014 no lado da despesa não conta com as extraordinárias: perfazendo um total de 86.407 milhões de euros. Não sei precisar o mesmo em relação a 2010.

  2. João: posso dizer, sem exagero, que senti (e sinto) na pele os custos destes quatro anos. A pensão da minha pobre Mãe, agora falecida, sofreu sucessivos cortes, atingindo pelo menos 1/3 do seu rendimento. Estive sete meses desempregado e quando regressei ao mercado de trabalho retornei aos níveis de rendimento de década e meia atrás. Na minha família e no meu círculo de amigos mais próximos há vários desempregados de longa duração, ou seja, que já não recebem subsídio de desemprego.
    Seria ilusão ou estultícia imaginar que o quadro pré-bancarrota que levou o executivo anterior a pedir um auxílio financeiro de emergência à comunidade internacional – 78 mil milhões de euros, algo equivalente a 40% do nosso PIB médio anual – não produzisse consequências brutais no ciclo governativo posterior.
    O rumo do País ficou traçado para os três anos seguintes no memorando de entendimento firmado em Maio de 2011 com o BCE, o FMI e a Comissão Europeia, condicionando fortemente a margem de manobra do futuro Governo – tivesse a cor que tivesse. Um Executivo nestas circunstâncias – como demonstram os casos irlandês, português, grego e cipriota – tem, no essencial, duas opções.
    Primeira opção: cumprir o memorando, honrando os compromissos assumidos pelo País e regressando no mais curto prazo possível ao financiamento autónomo no mercado de capitais: três dos quatro países intervencionados assumiram esta opção, incluindo Portugal. Não consigo sequer imaginar António José Seguro ou António Costa a agirem de modo diferente.
    A Grécia, pelo contrário, deixou por cumprir diversas obrigações a que se comprometeu e agora hesita no rumo a seguir. Foi o primeiro país alvo de intervenção externa, em 2010, e continua muito longe de recuperar a soberania financeira.
    Veremos o que se passará por lá, mas o panorama não augura nada de bom.

  3. Hum…eu que não percebo nada de economia mas sei que me sobra menos dinheiro no fim do mês acho que entre o aldrabão do Sócrates e o imbecil metido a “mestre-escola” do Passos venha o diabo e escolha.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *