Parece-me muito bem que reponham as viagens gratuitas para ferroviários e familiares. De preferência até à terceira geração, sendo o direito extensivo até ao terceiro grau da linha colateral. Como neto de um ferroviário e sindicalista que esteve preso e acabou deportado também devo poder vir a ser abrangido.
De qualquer modo, se o concretizarem, e quando tal acontecer, sugiro que também sejam estendidos a outros trabalhadores direitos de idêntica natureza. Isto é, os professores e seus familiares deixam de pagar propinas nos cursos em que entendam inscrever-se, os farmacêuticos e familiares deixam de pagar medicamentos, os trabalhadores das empresas de água e familiares deixam de pagar consumos, os das empresas de gás e electricidade idem aspas aspas, os trabalhadores da ANA e familiares não pagam taxas de aeroporto quando viajarem, os das petrolíferas de pagar gasolina e afins, os da Brisa e seus familiares não pagam portagens, e por aí fora. Que diabo, deve haver uma maneira de pôr os outros a pagarem tudo por nós.

Não deixa de ser curioso que este direito de viajar de borla tenha sido abolido através da lei do orçamento de 2013. Ilustra a mania que há em Portugal de legislar tudo através dos orçamentos.
Já agora, deveriam abolir também (se é que não o fizeram já) o direito de que usufruem os militares reformados de viajar com desconto em comboios. O meu pai, que foi militar, fartou-se de passear com desconto à sua aldeia de origem já quando reformado, sem qualquer justificação para usufuir dessa benesse.
Eu vou mais longe: deviam abolir todas as regalias desse tipo e só deixar as que são pagas. Quem pode pagar tem-nas, quem não pode não tem vícios.
(Esta minha tirada fez-me lembrar o Pedro Arroja, não sei porquê).
deviam abolir todas as regalias desse tipo
O problema é que todas as regalias são de tipos diferentes…
Os velhinhos viajam mais barato por serem velhinhos, os estudantes por serem estudantes, os soldados por serem soldados, os juízes por serem juízes, os ferroviários por serem ferroviários, e assim por diante, sempre com justificações diferentes…
E nalguns casos as justificações até serão atendíveis. Noutros casos trata-se apenas de um complemento de salário.
O problema é que estas regalias não contam para o rendimento, logo não pagam impostos.
Sim, esse é um problema.
Outro problema é que estas regalias são de facto injustas, na medida em que privilegiam uns trabalhadores sobre os outros. Os trabalhadores que, por quaisquer motivos, necessitam de viajar ficam privilegiados em relação àqueles que não precisam, ou não gostam, de viajar. Os trabalhadores que têm uma família extensa que gosta de viajar são privilegiados em relação àqueles que não têm família.
O dinheiro tem a mesma cor para todos os trabalhadores enquanto que as regalias só são utilizadas por alguns.
Muito bem.
Mas Portugal é o país no qual o objectivo principal da sociedade é por os outros a pagar-nos.
Daí as muitas capelinhas – em linguagem moderna lobbies.
E para os bancários nada?
Eu tenho parentes empregados numa instituição financeira e acho bem que eles beneficiem de empréstimos a fundo perdido, tal como os seus parentes e afins até ao 3º grau. Nada mais justo!
Basta fechar os olhos e alguém há-de pagar 🙂 Geralmente, somos nós. Mas no futuro, com o FMI.
Eu estou de acordo, deveria ser como no tempo da escravatura. Toda a malta trabalha, não tem salário, só os banqueiros devem ter dinheiro distribuindo somente o que é necessário para que o gado não morra. Liberdade imediata par Ricardo Salgado.
Correspondendo ao meu pedido, o homem foi libertado hoje dia 11 de Dezembro. Assim é que é, se os homens do dinheiro não tiverem liberdade empobrecemos todos pois eles é que desenvolvem o país.
Eu sou porteiro duma boate de strip-tease… Não tenho direito a nada?
Pode comer as gajas? Não lhe chega?
Paga para ver?
Haver até há e ja foi a terceira vez que pagamos com lingua de palmo os desmandos dos socialistas; agora vamos repetir a dose.