
– Então o que deseja para o almocinho?
– Uma sopinha. E depois umas favinhas.
– E trago já uma cervejinha?
– Pode ser. Com este calorzinho…
– Vem já tudo rapidinho.
– Ainda bem. Estou com muita fominha.

– Então o que deseja para o almocinho?
– Uma sopinha. E depois umas favinhas.
– E trago já uma cervejinha?
– Pode ser. Com este calorzinho…
– Vem já tudo rapidinho.
– Ainda bem. Estou com muita fominha.
Este post trouxe-me á memória uma cena em S. Miguel(Açores). Estávamos a jantar e na TV as imagens do jogo dessa noite. Na tela apareceu o Simão Sabrosa que jogava no Benfica.Depois dos salamaleques do empregado em “inho”sobre a comida,olha para a TV e diz-nos “então hoje vamos ver o nosso Simãozinho”…Fizemos um sorriso amarelo,que ele com o entusiasmo não deve ter percebido.Já cheios de “inhos” e adeptos do SCP.
Em relação a esse, não me ocorre qualquer diminutivo. Só um aumentativo.
Até eu que não ligo muito à comidinha.
A essa mesinha
Fazia uma perninha.
Dispensava a cervejinha
E avançava para um verdinho fresquinho.
Para condizer com os olhinhos.
Não! para condizer com os olhinhos
Vai mais o verde-prado do vestidinho.
Que cor lindinha.
Pode crer.
Eu que sou mocinha assisadinha
Pela indumentária verdinha
Perco o siso
E sou taradinha.
Votos de um muito feliz fim-de-semaninha.
Eu adoro ver um empregado de mesa a falar assim. Acho que é muito fofo, mas parece que há quem goste de ser tratado de forma rude do tipo: quer comer o quê?Sopa, favas e que tal uma cervejola para tirar a larica. Tá já a sair para mesa quatro pro matulão da camisa aos quadradinhos.
Cervejinha é melhor do que cervejola.
Depende. Muitas vezes torna-se incomodativo. Cheira a bagulice.Já me aconteceu e não gostei. Gosto do atendimento normal.
Só não gosto se o tipo me chamar queridinho. Dizem que agora há essa mania.
Melhor queridinho que pequerrucho… Nunca um sujeito que nunca viu mais gordo lhe chamou pequerrucho? A mim já, evidentemente no género feminino, e garanto-lhe que é muito esquisito.
Eu tenho um fraquinho pelos nossos “inhos”, o cafezinho, o cheirinho, a sopinha, a papinha, o beijinho, o fofinho, o lindinho e a lindinha, o paizinho, a avozinha, o passarinho, a minha alegre casinha…
Chamarem-me pequerrucho? Jamé, como dizia o outro. Ideia escanifobética.
Pois…
– Um cafezinho e a continha faxfavore
Cafezinho com cheirinho.
Ou um cheirinho pingado…
Já dizia o O’Neill, espero não ter trocado o poeta, que “neste país em diminutivo…”
Em diminutivinho.
Este é um país em que a invocação do “poucochinho” tem um tremendo potencial.
Mas enfim, em termos gerais os cidadãos – melhor seria, “os sujeitos passivos de direito fiscal”, pois tudo o resto é afinal irrelevante – estão e estarão “inhos”. A cada um pôr o que quiser antes do diminutivo.
Que só o é por, digamos (mesmo que, formalmente, em menos correcta qualificação), expressão idiomática.
Poucochinho faz lembrar aquela farpazinha de Costa a Seguro.
Com a qual Costa (o outro, não eu!) chegou onde chegou. Ou seja, tratou – e muito bem – da sua vidinha (cá está…).
E que deu um bom lugarzinho ao Costa
Em Bruxelinhas.
É de onde são as couvinhas?
Isso,| e segundo afirma quem sabe, também são das curvinhas.

Bom fim-de-semana.
Chamar farpazinha àquela trancada é piadinha, só pode.
Só falta o cafezinho com uma sobremesazinha e depois um cigarrinho.
E uma sestinha.
Um café com cheirinho, bem entendido.
Cafezinho sem cheirinho não tem o mesmo gostinho.
E depois é perguntar onde é o W.C para fazer um cocozinho.
Nada como uma empregada com boa perna e decote sugestivo a mascar uma pastilha gorila a perguntar com voz de cama: o que é que vai ser hoje senhor António?
Felizardo do senhor António… E ao Sr. Joaquim, com que voz é que ela faz a perguntinha?
Voz de barítono, talvez.
Sempre condizia com a pastilha gorila.
Empregado: Aqui está, a sua cervejinha e a sopinha. Cuidado que o pratinho está quentinho!
O cliente, que até ali estava a tentar ser civilizado, processa a avalanche de diminutivos e sente o sangue subir-lhe à cabeça num décimo de segundo.
Cliente: Ó faz favor, venha aqui um segundinho. É que eu não quero que haja aqui um mal-entendidozinho.
Empregado: (Jocoso) Diga, diga. Algum problema com o talherzinho?
Cliente: Eh, pá! Desculpa lá… tu sofres de alguma patologia degenerativa nas cordas vocais ou o teu conceito de serviço ao cliente foi extraído de um episódio dos Teletubbies?
Empregado: Não percebi, senhor… estava só a ser simpatiquinho.
Cliente: “Simpatiquinho” é a tua tia. Estás a ver-me aqui com menos de um metro e meio e achas que a minha vida é um parque infantil? Queres o quê? Trazer-me um babete e um chocalho para eu me entreter enquanto espero pelas “favinhas”?
Empregado: Credo, que mau feitiozinho…
Cliente: Escuta aqui, ó atrasado mental: eu tenho o tamanho de um bidé, mas a minha paciência é ainda mais curta que as minhas pernas. Se voltares a usar um diminutivo comigo, juro-te que salto para cima desta mesa e faço-te uma colonoscopia com este pãozinho de sementes.
Empregado: Eu não queria ofender… só estava a fazer uma brincadeirinha.
Cliente: Pois, então guarda essa “brincadeirinha” para o infantário da esquina. Eu quero é umas favas, ouviste? Favas. Daquelas que dão gases capazes de abrir um buraco na camada de ozono. E traz-me uma cerveja num copo de gente.
Empregado: Com certeza. E quer que lhe traga já a conta também?
Cliente: Podes trazer. Mas agora vê lá: se vier um “descontinho” por ser “baixinho”, eu mordo-te as canelas e garanto-te que vais passar o resto da tarde a coxear um “cadinho”. Estamos conversados, ou queres que eu te faça um desenhinho?
E, depois de comer isso tudo:
– Então, a comidinha estava boazinha?
– Sim, estava! Agora queria um geladinho.
– Ótimo, temos uns cornetinhos mesmo bons.
– Ok, traga lá um de moranguinho por favor
– Ora cá está o geladinho bem fresquinho.
– Obrigadinho! Entretanto pode trazer um cafezinho com um bagacinho.
– Cá estão eles, mais alguma coisinha?
– Não, agora só mesmo a continha.
– OK, e vai pagar com cartãozinho ou com dinheirinho?
– Com dinheirinho para ficar com umas moedinhas.
– Ora são vinte e seis eurinhos.
– Ora aqui tem as notinhas.
– Não tenho moedinhas maiores, tenho de lhe dar 6 de de 50 cêntimos
– Não faz mal, são dinheirinho na mesma.
– Obrigadinho e tenha uma tarde boazinha!
– Obrigadinho, e você que continue o bom trabalhinho.