Os tugas (9)


Pedro Correia,

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– Então o que deseja para o almocinho?
– Uma sopinha. E depois umas favinhas.
– E trago já uma cervejinha?
– Pode ser. Com este calorzinho…
– Vem já tudo rapidinho.
– Ainda bem. Estou com muita fominha.

38 comentários em “Os tugas (9)”

  1. Este post trouxe-me á memória uma cena em S. Miguel(Açores). Estávamos a jantar e na TV as imagens do jogo dessa noite. Na tela apareceu o Simão Sabrosa que jogava no Benfica.Depois dos salamaleques do empregado em “inho”sobre a comida,olha para a TV e diz-nos “então hoje vamos ver o nosso Simãozinho”…Fizemos um sorriso amarelo,que ele com o entusiasmo não deve ter percebido.Já cheios de “inhos” e adeptos do SCP.

  2. Até eu que não ligo muito à comidinha.
    A essa mesinha
    Fazia uma perninha.
    Dispensava a cervejinha
    E avançava para um verdinho fresquinho.

          1. Pode crer.
            Eu que sou mocinha assisadinha
            Pela indumentária verdinha
            Perco o siso
            E sou taradinha.

            Votos de um muito feliz fim-de-semaninha.

  3. Eu adoro ver um empregado de mesa a falar assim. Acho que é muito fofo, mas parece que há quem goste de ser tratado de forma rude do tipo: quer comer o quê?Sopa, favas e que tal uma cervejola para tirar a larica. Tá já a sair para mesa quatro pro matulão da camisa aos quadradinhos.

    1. Depende. Muitas vezes torna-se incomodativo. Cheira a bagulice.Já me aconteceu e não gostei. Gosto do atendimento normal.

        1. Melhor queridinho que pequerrucho… Nunca um sujeito que nunca viu mais gordo lhe chamou pequerrucho? A mim já, evidentemente no género feminino, e garanto-lhe que é muito esquisito.

          Eu tenho um fraquinho pelos nossos “inhos”, o cafezinho, o cheirinho, a sopinha, a papinha, o beijinho, o fofinho, o lindinho e a lindinha, o paizinho, a avozinha, o passarinho, a minha alegre casinha…

  4. Este é um país em que a invocação do “poucochinho” tem um tremendo potencial.
    Mas enfim, em termos gerais os cidadãos – melhor seria, “os sujeitos passivos de direito fiscal”, pois tudo o resto é afinal irrelevante – estão e estarão “inhos”. A cada um pôr o que quiser antes do diminutivo.
    Que só o é por, digamos (mesmo que, formalmente, em menos correcta qualificação), expressão idiomática.

          1. Isso,| e segundo afirma quem sabe, também são das curvinhas.

            Bom fim-de-semana.

  5. Nada como uma empregada com boa perna e decote sugestivo a mascar uma pastilha gorila a perguntar com voz de cama: o que é que vai ser hoje senhor António?

  6. Empregado: Aqui está, a sua cervejinha e a sopinha. Cuidado que o pratinho está quentinho!

    O cliente, que até ali estava a tentar ser civilizado, processa a avalanche de diminutivos e sente o sangue subir-lhe à cabeça num décimo de segundo.

    Cliente: Ó faz favor, venha aqui um segundinho. É que eu não quero que haja aqui um mal-entendidozinho.

    Empregado: (Jocoso) Diga, diga. Algum problema com o talherzinho?

    Cliente: Eh, pá! Desculpa lá… tu sofres de alguma patologia degenerativa nas cordas vocais ou o teu conceito de serviço ao cliente foi extraído de um episódio dos Teletubbies?

    Empregado: Não percebi, senhor… estava só a ser simpatiquinho.

    Cliente: “Simpatiquinho” é a tua tia. Estás a ver-me aqui com menos de um metro e meio e achas que a minha vida é um parque infantil? Queres o quê? Trazer-me um babete e um chocalho para eu me entreter enquanto espero pelas “favinhas”?

    Empregado: Credo, que mau feitiozinho…

    Cliente: Escuta aqui, ó atrasado mental: eu tenho o tamanho de um bidé, mas a minha paciência é ainda mais curta que as minhas pernas. Se voltares a usar um diminutivo comigo, juro-te que salto para cima desta mesa e faço-te uma colonoscopia com este pãozinho de sementes.

    Empregado: Eu não queria ofender… só estava a fazer uma brincadeirinha.

    Cliente: Pois, então guarda essa “brincadeirinha” para o infantário da esquina. Eu quero é umas favas, ouviste? Favas. Daquelas que dão gases capazes de abrir um buraco na camada de ozono. E traz-me uma cerveja num copo de gente.

    Empregado: Com certeza. E quer que lhe traga já a conta também?

    Cliente: Podes trazer. Mas agora vê lá: se vier um “descontinho” por ser “baixinho”, eu mordo-te as canelas e garanto-te que vais passar o resto da tarde a coxear um “cadinho”. Estamos conversados, ou queres que eu te faça um desenhinho?

  7. E, depois de comer isso tudo:
    – Então, a comidinha estava boazinha?
    – Sim, estava! Agora queria um geladinho.
    – Ótimo, temos uns cornetinhos mesmo bons.
    – Ok, traga lá um de moranguinho por favor
    – Ora cá está o geladinho bem fresquinho.
    – Obrigadinho! Entretanto pode trazer um cafezinho com um bagacinho.
    – Cá estão eles, mais alguma coisinha?
    – Não, agora só mesmo a continha.
    – OK, e vai pagar com cartãozinho ou com dinheirinho?
    – Com dinheirinho para ficar com umas moedinhas.
    – Ora são vinte e seis eurinhos.
    – Ora aqui tem as notinhas.
    – Não tenho moedinhas maiores, tenho de lhe dar 6 de de 50 cêntimos
    – Não faz mal, são dinheirinho na mesma.
    – Obrigadinho e tenha uma tarde boazinha!
    – Obrigadinho, e você que continue o bom trabalhinho.

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