
Dá-lhe com os faróis, dá-lhe com os faróis! Isso, atira-lhe com os máximos, afinfa-lhe com eles até o gajo cegar, mostra-lhe quem é que manda! O cabrão anda aqui a pisar ovos, ainda não sabe que o pedal do acelerador já foi inventado… Já está, já está! Eu não disse que esse monte de merda se desviava e deixava a malta ultrapassar?
Uaaau!!! Adeusinho ó vai-te embora!

Aqui não é questão de ser tuga.. Há gente que pura e simplesmente não tem respeito pelas outras pessoas e não tem noção do contexto das suas acções. Andam na estrada como se estivessem sozinhos num jogo hipotético onde mais nada existe à sua volta senão aquilo que pretendem fazer. Mas não é assim. Quem vive numa cidade, tem de ter noção do fluxo, dos movimentos dos outros e, também, das trajectórias dos outros e —portanto— o civismo aqui define-se como a inteligência emocional necessária para ser desviar, segurar uma porta, corresponder aos fluxos e aos inúmeros vectores que se cruzam no espaço público e diluir-se de forma dinâmica neles.
Quem não faz isso é que é Tuga. Ou seja, faroladas, insultos, anda lá com essa merda, são respostas do sistema, da própria água que compõe o rio.
Quem atravessa a Av. Defensores de Chaves a 5km com os sinais abertos e carros atrás, à espera, a quererem-se despachar, e o gajo lá à frente a pastelar, feito burro, provavelmente a olhar para o telefone, pá, esse gajo deve ser fulminado logo ali. Mas como Deus não existe, ou já não se usa raios fulminantes, tem mesmo de ser às apitadelas.
Tuga que é mesmo Tuga, inconfundivelmente Tuga, incomparavelmente Tuga, abranda com o verde, acelera com o amarelo e passa com o vermelho.
Então é mesmo verdade que o nosso adn anda por meio mundo…
Ele fugiu de casa e não voltou.
Credo, “V.”, que “biolência”…
Agora mais a sério, há, de facto, criaturas que conduzem veículos, sem qualquer noção do que se passa à sua volta. A esses costumo designá-los por “totós”…
Mas depois, no lado quase oposto, também há a categoria dos “chicos-espertos”, a quem, frequentemente, chamo nomes que não podem aqui ser reproduzidos…
Um “totó” pode chatear, mas um “chico-esperto” consegue despertar em mim os instintos mais primários… Sim, é verdade, assumo-o sem qualquer reserva…
Esses nomes que “não podem ser aqui reproduzidos” talvez fiquem bem nas caixas de comentários da “rede social” do bilionário de Mar-a-Lago.
É a linguagem que ele mais usa e melhor entende.
Ficariam, com certeza, muito bem na dita caixa de comentários… Não destoariam em nada do comportamento habitual da criatura abjecta…
Será que ele admite comentários livres lá na tal cloaca dita “social”? Não faço ideia, não frequento nem quero frequentar, mas sou capaz de apostar que não.
O artolas é, com certeza, um “democrata selectivo”…
Por falar em comportamentos na estrada, ainda há dias estive por terras de Espanha e, a diferença de comportamentos era notória. Mal passei a fronteira e, nas “autovías” indo aí na casa dos 110-120 km/h, eram pouquíssimos os tipos que me ultrapassavam, isto é, havia respeitinho pelos limites de velocidade. No entanto, assim que regressei a terras lusitanas, pareciam balas nas autoestradas (já para não falar nas nacionais). Parecia ter entrado num país de Schumacher’s ainda que o melhor que tivessemos tido fosse um Lamy. Depois o balanço da Páscoa foi o que foi, mais uma carrada de mortos na estrada.
Vinte mortos no asfalto e mais de quatro dezenas de feridos muito graves nesta quadra. Tuga vê na estrada um Gólgota sem ressurreição.
Ando há mais de trinta anos por estradas europeias (Alemanha, Holanda, Bégica, França, Espanha, Portugal). Até há, digamos, dez a quinze anos, o comportamento em Espanha era idêntico ao português. Mudou radicalmente! Eles aprenderam mesmo a respeitar os limites de velocidade. Não sei as razões. Sei que, durante dois ou três anos (talvez aí por volta do ano 2010), eles punham carros acidentados, alguns todos desfeitos, nas bermas das auto-estradas (autovias e autopistas). De vez em quando, lá surgia um desses carros. Desde aí, o comportamento mudou. Não sei se essa medida foi inserida numa campanha de várias, ou se foi solitária. Mas parece ter sido eficaz.
Parece ter resultado. Fica a sugestão a quem tem poder para isso.
Se funcionou em Espanha, resulta em qualquer outro país.
Não sei como será hoje em dia, mas aqui há uns (bons) anos li que, num país nórdico – creio que na Suécia -, ao tirar a carta de condução era obrigatória uma visita aos Serviços de Emergência rodoviários, para conhecer as experiências de caso dos profissionais do socorro e contactar ao vivo os instrumentos usados nos desencarceramentos. Havia quem desistisse de aprender a conduzir.
Diria que tem a ver com fiscalização e como as multas são aplicadas e cobradas.
Conheço alguns que em PT não sabem qual o limite de velocidade, mas mal passam a fronteira sabem Código de cor. De ambos os lados da fronteira.
Também tem a ver, sim. Mas aqui, assim que a vigilância é aumentada, é ver as redes sociais cheias de insultos à GNR “à caça das multas”. Será que é assim tão difícil de entender que, se cumprirmos a sinalização, ninguém nos “saca dinheiro”?
Mas esse comportamento além-fronteiras não tem apenas a ver com fiscalização. Tem a ver com uma característica “tuga” de ser bonzinho e humilde face a estranhos, enquanto no seu país dão cabo de tudo e alguma coisa. E ai de quem os critica! No fundo, tem a ver com uma certa impunidade, sim.
Em PT ainda há a ideia de que mesmo que a multa chegue, pode bem esperar até que uma aministia papal a faça desaparecer…
De qualquer modo, a cultura de protecção ao automóvel ajuda. Como sabe, noutros países que aí citou, os carros andam “a medo” em especial em vias urbanas, enquanto que as bicicletas levam tudo à frente. E agora a praga das fatbikes junta o melhor de dois mundos, a agressividade de ciclistas e um motor.
PT é o quê? Portugal?
Portugal agora é PT, como se fosse uma empresa falida?
Custa assim tanto escrever esta bela palavra de oito letras?
Talvez isso e os radares, vários radares por onde passei. Quando nos dói na carteira o juízo tem tendência a aumentar.
Mais ainda do que os de cá?
O pior que vejo é que o portuga conduz da mesma maneira esteja sol, chuva, nevoeiro, noite ou dia, autoestrada ou terra batida.
Todas estas 20 mortes na estrada durante a trágica Páscoa de 2026 em Portugal ocorreram com pisos secos – sem chuva, granizo, neve ou nevoeiro. Nem essa desculpa colhe.
A informação jornalística continua a desvalorizar isto sob o suave manto de “acidentes”. Tal como chamou “mau tempo” às tempestades de Janeiro em Portugal.
Mas não são acidentes. São, quase todos, autênticos homicídios ou suicídios ao volante.
Como desconheço a natureza dos acidentes, não vou comentar especificamente as suas causas. O que sei é que as pessoas não adaptam a sua condução às condições climatéricas, pisos, visibilidade da estrada, ou sequer veículo. Quantos vejo com cangalhos (ou pesados, o que ainda é mais grave porque supostamente são profissionais) a tentarem ultrapassar em subidas carros de maior cilindrada. Pessoalmente já cedi passagem a muitos, devem ter ficado todos contentes porque subiram um lugar na classificação. Muitos anos de IC2…
A atitude deve ser essa, precisamente. A sua, não a dos outros.
“A Operação Páscoa 2026, levada a cabo pela Guarda Nacional Republicana (GNR) e pela Polícia de Segurança Pública (PSP), terminou, às 23h59 desta segunda-feira, com 2 602 acidentes, que resultaram em 20 mortos, 53 feridos graves e 845 feridos leves”
Pois é Pedro. As picardias do costume, tão típicas do tuga, nem sempre acabam bem.
Tuga age ao volante como aquele sujeito tatuado ainda ao leme do Pentágono. Transforma Defesa em Guerra.
É do stress pós-traumático, coitadinho. E os anabolizantes também não devem ajudar, mas tem que manter os bíceps e não há agenda para ir ao ginásio.
No caso dele, é notório o excessivo consumo de anaburrizantes.
Pelo orneio se conhece o asno, e pela bandeirinha americana a servir de lenço de bolso.
E ele assoa-se àquilo?
Blasfémia! Não, é só para decorar e esconder o microfone.
Com ou sem lencinho, levará um chuto no traseiro antes do fim do ano.
O agente aproxima-se com a calma de quem já viu dez cromos destes antes do pequeno almoço.
Agente: Boa noite. Documentos do veículo e carta de condução, se faz favor.
Condutor: (Com a adrenalina a borbulhar) Sr. Agente, eu vinha perfeitamente…
Agente: “Perfeitamente” é uma palavra forte. Eu diria que vinha ” aceleradamente”. O senhor não estava a conduzir, estava a tentar descolar num chaço. E o seu amigo aí ao lado? É o seu Diretor de Iluminação? É que o uso dos máximos foi de tal ordem que houve três aldeias vizinhas que pensaram que o Estádio da Luz era aqui ao lado.
Condutor: Foi só um toque de luz…
Agente: Um toque de luz? Meu caro, o pobre homem deve estar agora a caminho do hospital a ver manchas de cores que nem o Van Gogh inventou.
Pendura: Mas ele desviou-se! A tática resultou!
Agente: Resultou lindamente. Agora, o que vai resultar também é este papelinho que vou preencher. É um autógrafo da Autoridade, custa uns meses de ordenado e tem a validade de uma lição de humildade.
Agente: (Enquanto escreve) Podem desligar o motor. Aproveitem o silêncio para refletir se querem continuar a usar os dedos para outra coisa que não seja o dedo médio e o gatilho dos máximos.
Agente: Vá, sopre aqui. Quero ver se o seu hálito condiz com a sua performance.
Em Outubro vinha na autoestrada da Nazaré ultrapassando na faixa a 120 Km, de repente aparece um apressado a alta velocidade, como não gostou, perseguiu-me Km e Km ora travava, ora acelerava na minha frente. Perdeu a pressa. Se não fossem os meus cuidados era fatal.
Essas bestas vêem demasiados filmes americanos. Nestes filmes não pode faltar uma boa cena de perseguição automóvel. O mais recente galardoado com o Óscar, “Batalha Atrás de Batalha”, é outra prova disto.
Uma medida útil para eliminar isto seria abolir a regra do Código da Estrada segundo a qual nas autoestradas se deve circular pela faixa da direita e utilizar a da esquerda apenas para ultrapassar.
Essa medida divide efetivamente os automobilistas em “normais” e “aceleras” e dedica a estes últimos uma faixa só para eles. É uma medida classista, inadequada a uma sociedade de igualdade.
Nas autoestradas americanas qualquer automobilista tem o direito de utilizar qualquer faixa de rodagem. A consequência é que não há “aceleras” e toda a gente é forçada a conduzir mais ou menos à mesma velocidade.
Eu proponho outra medida, ainda mais revolucionária. Se abolirmos o Código da Estrada acabamos com as violações ao Código da Estrada.
Apoiado!!!
Se esta não resultar, proponho outra ainda mais radical: o fim das estradas.
Mais uma vez, estou consigo, Pedro! Bora lá lutar pelo fim das estradas…
Pelo direito à vereda, já!
Sim, pelas veredas e pelos “caminhos de cabras”! Estamos na luta, camarada Pedro!
(Por acaso, não gosto particularmente da expressão “camarada”, mas aqui soou-me bem…).
(“Caminhos de cabras”, expressão usada na Beira-Baixa para designar os caminhos estreitinhos, habitualmente sinuosos, por onde as cabras passavam quando saiam dos currais para pastar nos campos. Não sei se o Pedro a conhece…).
Bem conheço, Paula. Beira Baixa é um dos meus territórios afectivos e ancestrais.
Por acaso, meus também. As minhas “raízes” estão agarradíssimas a vários chãos do Concelho de Proença-a-Nova…
As mulheres andam a loucas a conduzir e com uma linguagem do piorio para cardíacos. Já fui insultado em Lisboa mais do que uma vez por essas Fangio que insistem em buzinar-me quando eu paro nas passadeiras ou não passo com o sinal amarelo. E depois, nunca há um polícia para as multar.
“… por essas Fangio”
Em vez de Fangio, proponho Michèle Mouton…
passam férias nos hospitais (camaratas e morgues)
Férias eternas, em muitos casos. Demasiados.
Uma vergonha!
Há quem ponha o mau estado das vias em primeiro lugar, quando tenta encontrar razões para a mortandade nas estradas portuguesas. Não tentem arranjar desculpas! Os principais motivos são dois: excesso de velocidade (sem o menor respeito pelos sinais) e condução alcoolizada. Fosse isto corrigido e a mortandade diminua para menos de metade.
Esqueceu-se do maldito telemóvel, cara Cristina. Pelo menos por cá, a seguir à velocidade, é a segunda causa de acidentes graves.
Arranjar desculpas, nem mais.
Quem sabe conduzir adequa a condução às condições existentes, designadamente ao tipo e estado da via. Mas infelizmente muitos pensam que conduzir bem é conduzir sempre o mais depressa possível, com chuva ou com sol, na cidade ou no campo, em vias rápidas ou estradas de montanha.
Não sabem sequer conduzir, mas quem conduz mal são sempre os outros. E impõem-se pela má educação, pela agressividade e pela condução ameaçadora e perigosa.
Tantas vezes gente de trato normal e até agradável, mas que atrás de um volante se transformam em verdadeiros monstros. Ou serão na verdade monstros que fingem ser gente de trato normal e até agradável?
“mas quem conduz mal são sempre os outros”
é a minha filosofia na estrada. Sou o único que sabe conduzir. Daí ter ainda mais cuidado, e arriscar o mínimo.
Para arriscar o mínimo, evite cegar outros com os máximos.
Sendo o assunto muitíssimo sério, o Pedro conseguiu fazer-me rir com o seu relato… Tão realista que se diria gravado ao vivo, eheheh.
Devo dizer, Zebra, que todas estas situações e todos estes diálogos da rubrica “Os tugas” são muito realistas. Poderão, na passagem a escrito, pecar pontualmente por defeito, nunca por exagero.
Portugal tem a maior taxa de mortalidade rodoviária da UNIÃO EUROPEIA,
sobretudo por consumo de bebidas alcoólicas e de estupefacientes…
João Barros da Costa
Falso. t/article/20190410STO36615/estatisticas-s obre-mortes-no-transito-na-ue-infografia
Os três países com maior taxa de mortalidade rodoviária na UE são Roménia, Bulgária e Grécia.
https://www.europarl.europa.eu/topics/p
Evite espalhar boatos. Pelo menos aqui.
Pedro Correia…
Esses dados estão desactualizados.
João Barros da Costa
Estes dados estão actualizados. São os mais recentes.
Você já teve duas oportunidades para trazer aqui outros, mas não o fez.
Escusa de insistir na mentira e no boato.