Os tugas (31)


Pedro Correia,

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– Onde é que já se viu um gajo experiente como o treinador perder por completo a cabeça e tentar ir aos cornos de outro gajo só porque ele lhe chamou filho da puta?

– Ah, eu consigo percebê-lo muito bem. E nós não podemos esquecer-nos que ele prestou muitos e bons serviços ao clube. 

– Isso agora não interessa nada. O que passou, passou. Importa é o futuro. Ele já não tem mão na equipa, não consegue impor-se. Devia ter sido corrido. Quando embarcar de volta para o país dele, já vai tarde!

– Tu agora dizes isso mas também disseste que ele era o maior! Lembro-me bem. Mudas de opinião como quem muda de camisa.

– E tu pareces um boi que marra sempre para o mesmo lado. Só os burros é que não mudam!

– És mesmo um cata-vento, deixas-te ir na onda. Uma Maria-vai-com-as-outras, é o que és. Até te ouvi dizer que o querias cá para sempre. Saíste-me cá um paspalhão…

– E tu és um desses cabrões que gostam de lamber o cu aos estrangeiros.

– Se eu sou cabrão, tu és filho da puta.

– Voltas a dizer isso e parto-te os cornos!

14 comentários em “Os tugas (31)”

  1. (Os dois estão testa com testa, prontos para andar à batatada. Nisto, a porta do café abre-se. Entra o Zé, de palito ao canto da boca, com “A Bola” dobrada debaixo do braço.)

    Zé: — Parem lá com essa merda. O treinador afinal foi despedido ontem à noite. Está aqui escarrapachado.

    (Os dois congelam. A raiva homicida dissipa-se como um peido ao vento. A plasticidade cerebral do adepto de futebol entra em ação.)

    O “Cata-vento” (que o queria ver pelas costas):
    — Ontem?! Finalmente, a direção ganhou tomates! Estás a ver? Eu não te disse? Eu sabia! O gajo não tinha mão naquilo! Foi de frosques, e já foi tarde!

    O “Defensor” (que ia partir cornos em nome do treinador há um segundo):
    — Sempre te disse que aquele gajo era um barrete do caraças. Um gajo que não aguenta que lhe chamem um nomezinho?

    (O Zé pisca os olhos, abismado com a ginástica mental.)

    Zé: — Espera lá. Tu não estavas quase a partir-lhe os cornos por causa do homem?

    O “Defensor”:
    — Eu?! Estás maluco, ó Zé. Eu estava a defender um princípio! A honra! Este boi chamar-me filho da puta é que não admito! A minha mãe é uma santa.

    O “Cata-vento”:
    — É, é, mas pronto, o que interessa é que o gajo já foi. Fez-se justiça. O futebol é assim. O que passou, passou. (Ajeita a gola da camisa, subitamente calmo e de bem com a vida) Olha lá… e quem é que achas que vem agora?

    O “Defensor”: (Esquecendo por completo que o outro o ofendeu mortalmente)
    — Dizem que é o adjunto que assume. Mas aquilo precisava era de um gajo com tomates.

    Zé: (A rir-se, enquanto abre o jornal)
    — Vocês não existem. Criticaram o homem por se passar da marmita ao ouvir “filho da puta”, iam matar-se um ao outro por causa da mesma merda, e a solução que propõem para a equipa… é um gajo que se passe da marmita por lhe chamarem filho da puta.

    O “Cata-vento”:
    — Tu não percebes nada de bola, ó Zé. Traz mas é duas minis. (Vira-se para o “Defensor”) Se vier o adjunto, estamos lixados. Esse sim, é que nunca valeu um corno…

    O “Defensor”:
    — Nem me fales desse cabrão. Esse gajo devia ser corrido hoje!

    (E a roda do tasco continua a girar.)

  2. Não há nada como homens com as hormonas aos saltos a conversar coisas da bola. Foi assim que me apaixonei pelo o meu Chico, vi logo que ele tinha tomates para me defender se fosse preciso.

  3. Todos quantos aqui estão
    (Exceto somente nós)
    São do vício mais atroz
    A mais perversa união.
    As mulheres, sem disputa,
    Têm três diversas condutas:
    As velhas são feiticeiras;
    As outras, alcoviteiras;
    As raparigas são putas.

  4. forcado rabejador para o pegador:
    «atira-te para a cabeça, que ao cu vou eu»

    « da cabeça ao rabo é tudo toiro»

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