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– Onde é que já se viu um gajo experiente como o treinador perder por completo a cabeça e tentar ir aos cornos de outro gajo só porque ele lhe chamou filho da puta?
– Ah, eu consigo percebê-lo muito bem. E nós não podemos esquecer-nos que ele prestou muitos e bons serviços ao clube.
– Isso agora não interessa nada. O que passou, passou. Importa é o futuro. Ele já não tem mão na equipa, não consegue impor-se. Devia ter sido corrido. Quando embarcar de volta para o país dele, já vai tarde!
– Tu agora dizes isso mas também disseste que ele era o maior! Lembro-me bem. Mudas de opinião como quem muda de camisa.
– E tu pareces um boi que marra sempre para o mesmo lado. Só os burros é que não mudam!
– És mesmo um cata-vento, deixas-te ir na onda. Uma Maria-vai-com-as-outras, é o que és. Até te ouvi dizer que o querias cá para sempre. Saíste-me cá um paspalhão…
– E tu és um desses cabrões que gostam de lamber o cu aos estrangeiros.
– Se eu sou cabrão, tu és filho da puta.
– Voltas a dizer isso e parto-te os cornos!

A imaginação só faz falta a quem não a tem.
Quem atura sportinguistas vai para o céu.
(Os dois estão testa com testa, prontos para andar à batatada. Nisto, a porta do café abre-se. Entra o Zé, de palito ao canto da boca, com “A Bola” dobrada debaixo do braço.)
Zé: — Parem lá com essa merda. O treinador afinal foi despedido ontem à noite. Está aqui escarrapachado.
(Os dois congelam. A raiva homicida dissipa-se como um peido ao vento. A plasticidade cerebral do adepto de futebol entra em ação.)
O “Cata-vento” (que o queria ver pelas costas):
— Ontem?! Finalmente, a direção ganhou tomates! Estás a ver? Eu não te disse? Eu sabia! O gajo não tinha mão naquilo! Foi de frosques, e já foi tarde!
O “Defensor” (que ia partir cornos em nome do treinador há um segundo):
— Sempre te disse que aquele gajo era um barrete do caraças. Um gajo que não aguenta que lhe chamem um nomezinho?
(O Zé pisca os olhos, abismado com a ginástica mental.)
Zé: — Espera lá. Tu não estavas quase a partir-lhe os cornos por causa do homem?
O “Defensor”:
— Eu?! Estás maluco, ó Zé. Eu estava a defender um princípio! A honra! Este boi chamar-me filho da puta é que não admito! A minha mãe é uma santa.
O “Cata-vento”:
— É, é, mas pronto, o que interessa é que o gajo já foi. Fez-se justiça. O futebol é assim. O que passou, passou. (Ajeita a gola da camisa, subitamente calmo e de bem com a vida) Olha lá… e quem é que achas que vem agora?
O “Defensor”: (Esquecendo por completo que o outro o ofendeu mortalmente)
— Dizem que é o adjunto que assume. Mas aquilo precisava era de um gajo com tomates.
Zé: (A rir-se, enquanto abre o jornal)
— Vocês não existem. Criticaram o homem por se passar da marmita ao ouvir “filho da puta”, iam matar-se um ao outro por causa da mesma merda, e a solução que propõem para a equipa… é um gajo que se passe da marmita por lhe chamarem filho da puta.
O “Cata-vento”:
— Tu não percebes nada de bola, ó Zé. Traz mas é duas minis. (Vira-se para o “Defensor”) Se vier o adjunto, estamos lixados. Esse sim, é que nunca valeu um corno…
O “Defensor”:
— Nem me fales desse cabrão. Esse gajo devia ser corrido hoje!
(E a roda do tasco continua a girar.)
Também típico:
– Segurem-me, que eu vou-me a ele!
Não há nada como homens com as hormonas aos saltos a conversar coisas da bola. Foi assim que me apaixonei pelo o meu Chico, vi logo que ele tinha tomates para me defender se fosse preciso.
Todos quantos aqui estão
(Exceto somente nós)
São do vício mais atroz
A mais perversa união.
As mulheres, sem disputa,
Têm três diversas condutas:
As velhas são feiticeiras;
As outras, alcoviteiras;
As raparigas são putas.
Perdi a conta às vezes que, às 2ªs feiras ouvi conversas idênticas a esta. Acabam sempre exaltados e ruborizados, ou não fosse essa a cor predominante da alteração.
ouvi a um delicado: «aqui há filho de muita mãe!»
E teve direito a cornos partidos, ou ficaram-se pela intenção?
Os fanáticos são como os cães: ladram, ladram, ladram, mas saem a ganir com o rabo entre as pernas, se advertidos.
Foi, mas de Domingo para cá a cor mudou radicalmente para um tom verde-raiva ululante.

Nesse ponto discordaremos sempre Matilde. À raiva, ululante ou não, foi, é e será ad aeternum atribuída a cor vermelha. Beijinho 😘
forcado rabejador para o pegador:
«atira-te para a cabeça, que ao cu vou eu»
« da cabeça ao rabo é tudo toiro»
Minha Nossa me valha.

Tanta violência.
F…-se!