Os tugas (10)


Pedro Correia,

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– Que te aconteceu? Estás cá com uma cara!

– Foi aquele ladrão…

– Qual ladrão?! Assaltaram-te a casa?

– Não, meu. O ladrão do árbitro. Então não viste que nos roubou um penálti do tamanho da Sé de Braga? Filho de uma cadela cheia de sarna. Estragou-me a semana, aquele estupor.

– Ó pá, não ligues. Antes isso do que um gajo partir uma perna.

– Isso dizes tu! Eu preferia partir uma perna. Mas antes partia os cornos àquele grandíssimo e alternadíssimo filho da puta.

26 comentários em “Os tugas (10)”

  1. habitualmente mandam-me para 2 lugares distintos, mas «Não, não vou por aí! Só vou por onde / Me levam meus próprios passos…

        1. Não sei se o João percebeu, mas isto foi uma “brincadeira” dirigida ao artur nunes: ele colocou aqui versos do Cântico Negro do José Régio e eu continuei…

          Mas, e respondendo à sua pergunta, não, não ando perdida. Aliás, nunca se anda perdida quando se sabe por onde não se quer ir…

          1. Paula Dias…

            Percebi.
            Escolha a sua Luz com sapiência.

            João Barros da Costa

  2. Perfeito! os tugas,
    que não as tugas.
    Portanto e para eles, tugas,
    no espectáculo da bola que rola.
    Toda a compostura se escoa
    como a brancura da espuma
    na areia se esfuma.
    Votos de um excelente fim-de-semana

  3. Aparece a Zulmira à porta da sala, com um avental que já viu dias mais felizes. O bafo do refogado paira no ar, quase tão espesso quanto a estupidez da conversa.

    Zulmira: Ó “Infelicidade”, mexe o rabo. A comida está na mesa. E escusas de levar o veneno contigo, que o arroz já tem sal que chegue.

    Refilão: Comer?! Quem é que consegue comer depois daquele atentado terrorista no relvado? Eu estou aqui a ter um AVC cívico e tu queres que eu coma?

    Zulmira: Ai, coitadinho. O senhor está em sofrimento metafísico porque um gajo de amarelo não viu um encosto de um trolha num gajo que ganha num mês o que tu não vês numa vida.

    Refilão: Tu não percebes nada disto! Aquilo foi um roubo à mão armada. O gajo é um corrupto, um vendido, um…

    Zulmira: …um “grandíssimo filho da puta”, sim, já todos percebemos. O teu vocabulário é de uma riqueza que até mete inveja a um estivador. E essa conversa de preferires partir uma perna? Estavas à vontade. Pelo menos o seguro pagava e eu não tinha de te ouvir ganir durante noventa minutos.

    Amigo: Ó Zulmira, não ligues, ele está… exaltado.

    Zulmira: Exaltado? Ele está é com falta de neurónios. Ó “Campeão”, anda mas é comer o arroz antes que eu to enfie pelas goelas abaixo.

    Refilão: Não vou. Perdi o apetite. O futebol em Portugal morreu hoje.

    Zulmira: Morreu? Ótimo. Aproveita e vai ao velório, pode ser que lá o árbitro não te ouça as baboseiras. Anda mas é para a mesa, se queres bufar, bufas para a sopa. Pode ser que o vapor te limpe esse ranço de adepto.

    Refilão: Mas…

    Zulmira: “Mas” nada! Mexe-te. E se disseres mais uma vez que preferias partir uma perna, eu juro que te faço a vontade e depois quero ver como é que vais ao frigorífico buscar as jolas enquanto insultas a mãe do árbitro. Andor, vá! O jantar não é um prolongamento.

    1. Também está muito bem. Só acho que a Zulmira não terá sido tão branda e no lugar de mexe o rabo terá dito: mexe-me esse cu balofo e vem para a mesa.
      No resto está perfeitíssimo.
      Um bom fim-de-semana.

      1. É bom saber que ainda há quem aprecie a crueza de um bom adjetivo aplicado a uma retaguarda flácida.
        Realmente, se é para ser javardo, ao menos que seja com classe, o realismo literário agradece o esforço.
        Um excelente fim-de-semana, de preferência sem teres de mexer nenhum cu (balofo ou não) por obrigação.

        1. O Carlos Sousa a escrever sem a ajuda da “inteligência” artificial?
          “Milagre”!

          “adjetivo”…
          Pfff!

          João Barros da Costa

          1. Ó João Barros da Costa, qual é o teu problema com a Inteligência Artificial? Não achas que te devias preocupar primeiro com a tua inteligência natural?
            É que a Inteligência Artificial pode ser um perigo, mas a tua estupidez natural é um património que devia ser protegido pela UNESCO.
            Por acaso é engraçado pores a palavra “Inteligência” entre aspas. Deve ser um conceito tão estranho para ti que sentes necessidade de o isolar, não vá a coisa fazer “Pfff” depois de tentares articular um pensamento que não envolva inveja mal disfarçada?

          2. Carlos Sousa…

            A autoria dos “seus” textos humorísticos são escritos com recurso
            à “inteligência” artificial e devia indicar essa particularidade óbvia.
            Poderá pensar: “devia indicar essa particularidade óbvia.”?
            Se é “óbvia”, vou indicá-la para quê?
            Honestidade. Sabe o que é?
            Claro que as pessoas já perceberam que o Carlos Sousa, para além
            de não ser bem-educado (trata por tu quem não conhece – eu não admito),
            não sabe escrever sem recorrer à “inteligência” artificial e é adepto do acordês.
            Para quem não sabe, o acordês deriva do ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.
            Ao contrário do que as e os ignorantes pensam, o A. O. 90 não é obrigatório…
            Trata-se do maior atentado contra a Língua Portuguesa de que há memória…

            Ó Carlos Sousa, “inveja” de quê ?
            Não há nada para invejar…

            João Barros da Costa

          3. Ó João, o problema da tua indignação não é a minha inteligência ser “artificial”, é a tua burrice ser 100% natural.
            Ó João, se dizes que eu escrevo com recurso a IA, os teus textos são escritos com recurso a quê?
            Ó João deixa de ser Troll, já viste que passas mais tempo a espumar da boca com a ortografia dos outros do que a ter qualquer tipo de alegria na vida.
            Se queres respeito, não entres na casa dos outros a bufar arrogância, controla-te. Toma uns comprimidos para a tensão e reza um Pai-Nosso em latim antes de dormir.
            Fica bem, ou como tu dirias: Votos de que a vossa mercê encontre o caminho da irrelevância com a brevidade que se impõe.

      2. Acredite se quiser mas também não conheço pessoas que dissessem “cu balofo”. O mais aproximado que me lembre da minha juventude seria comentar “elle a les fesses tristes”

      3. A “Matilde dos olhos verdes” a ser simpática.
        Mais simpática do que ela, por aqui, não há…
        Vai longe…

        João Barros da Costa

  4. Como título deste postal seria mais adequado “Os Tugas que eu conheço”. Eu não conheço gente dessa.

    1. Ora aqui está um que não tem clube e consequentemente não vai ao futebol.
      ´Que ninguém diga que este mundo de quando em vez não oferece umas surpresinhas.
      Por mim liderava o top da rubrica “acredite quem quiser” se essa rubrica existisse.

  5. Eu de futebol poucochinho entendo e deixo o comentário especializado para os especialistas, embora reconheça já ter assistido a algumas cenas como essa – novamente, tão realista. E vagamente a fazer lembrar cenas do glorioso “Leão da Estrela”, pelo espírito e não pela letra, evidentemente.

    Aí o “porcão” é que está delicioso – isto é que é um transgénero, para quem não saiba, eheheh.

          1. Ou algum cão de fila a querer fazer “terapia de conversão” ao transviado que gosta de se vestir de porquinho cor-de-rosa. É o que não falta por aí, suínos que se acham lesados nos seus direitos e cães de fila terapeutas dos desvios dos outros…

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