Já que, perante isto, isto e isto, parece-me necessário alguém fazer o papel de advogado do diabo, faço-o eu: o novo álbum dos Arcade Fire, The Suburbs, é muito bom. Sem ironias – é mesmo muito bom. Como disse lá no jardim há coisa de um mês, estranhei à primeira, rendi-me à segunda. Não o considero inferior ao Neon Bible. Dia 18 de Novembro comprovamos ao vivo. De resto, tenho um palpite: os Arcade Fire vão ser a próxima banda a sofrer o “síndrome Muse”.
(E, já agora, o melhor disco dos Radiohead é o Amnesiac. Também sem ironia.)


Nunca ouvi Arcade Fire a não ser umas coisitas aqui e ali (e pelo que ouvi, confesso, também não tenho grande interesse em ouvir mais), mas concordo que o melhor disco dos Radiohead é o “Amnesiac”. “Ok Computer” também não é nada mau.
Ah, se eu soubesse (se tivesse lido o post, quiçá), e tivesse percebido que este post era uma resposta àquelas duas criaturas do união de facto, não teria perdido o meu latim com a coisa. Mas agora já está.
Ora essa: a sua resposta é a mim. Os posts que citei foram apenas o meu pretexto.
Ainda não ouvi o novo dos Arcade Fire, mas não acredito que sejam capazes de fazer um mau álbum, nem se o tentassem.
Quanto aos Radiohead, pessoalmente prefiro o Kid A, parece-me mais poderoso, mas compreendo a preferência de muita gente pelo Amnesiac. É engraçado que são tão, mas mesmo tão bons, que o Hail to the Thief acabou por saber a pequena desilusão…
O Kid A foi a “revolução”, digamos assim, dos Radiohead – por alguma coisa a crítica musical considera-o, quase com unanimidade, o álbum da década. De Radiohead, gosto de tudo sem excepção; mas o Amnesiac tem um lugar especial.
Ora aqui está uma boa polémica blogosférica. Devia haver mais como esta. Vivemos numa época em que parece que toda a gente gosta de todos os livros, todos os filmes, todos os discos, todos os restaurantes. Nunca vi nada tão enjoativo.
Diria que o que se passa não é tanto toda a gente gostar de todos os livros/discos/filmes, mas sim toda a gente gostar e não gostar dos mesmos livros/discos/filmes. De restaurantes não sei, confesso 🙂
Pois. O problema é que não se discute, não se debate, não há confronto de argumentos para sustentar o gosto/não gosto. O pessoal anda demasiado alinhado em matéria de livros, filmes e discos. Quanto aos restaurantes, como já aqui referi, oscila tudo entre o maravilhoso e o fantástico. Ugh.
É engraçado. Eu até trabalho com essa área, mas as discussões sobre restaurantes têm-me passado algo ao lado. A vida anda difícil – o que nem sempre é mau, pois permite-me conhecer vários sítios em Lisboa onde se come decentemente por cinco euros, mais coisa menos coisa!
Mas, Pedro, nisso dos debates da blogosfera, o “alinhamento” é geral. E o debate, quando surge, vai parar aos ataques pessoais muito rapidamente. É uma pena. Lembro-me dos inícios da bloga, onde as coisas eram bem divertidas. Não sei se são as pessoas que levam tudo (e se levam) mais a sério, se o que é. Mas algo mudou, e não foi para melhor.