Os sinais da História


Pedro Correia,

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Em 2009, os polacos protestaram vigorosamente contra a visita de Vladimir Putin a Gdansk, no Mar Báltico, para assinalar o aniversário do início da II Guerra Mundial. Húngaros e eslovacos vão esgrimindo tensos argumentos dos dois lados da fronteira. A minoria húngara na Roménia reclama direitos que, segundo garante, não lhe são reconhecidos. O mesmo se passa com a minoria russa na Letónia. O exército turco desfila periodicamente em parada para lembrar o dia em que esmagou os invasores gregos na Trácia, há cerca de cem anos. Bascos e catalães mantêm a obsessão de cortar com Madrid. Na Finlândia e na Lituânia, as recordações dos massacres soviéticos ainda ferem muitas sensibilidades. A Bélgica ameaça implodir a prazo, fragmentada por conflitos étnicos e linguísticos. Os Balcãs são um barril de pólvora temporariamente neutralizado. A Escócia exige novo referendo para se tornar independente do Reino Unido. A Córsega aceita com crescente relutância o domínio político de Paris enquanto os pós-fascistas, no norte de Itália, ainda sonham com a erupção da Padânia. Na antiga Alemanha de Leste crescem os sentimentos xenófobos: os movimentos de extrema-direita atingem mais de 20% dos votos de eleitores jovens em Estados como a Saxónia e Brandemburgo.

Convém anotar, de passagem: Gdansk é o nome actual da velha Danzig, onde começou a II Guerra Mundial. Há oito décadas. Anteontem, em termos históricos.

A Europa é uma construção política demasiado frágil para podermos adormecer confiados em sonhos de paz perpétua. Não nos iludamos: este continente em que vivemos mantém feridas mal cicatrizadas, fronteiras mal definidas, conflitos de toda a natureza que poderão reacender-se a qualquer pretexto. Quem se gaba de a Europa ser a parcela mais “civilizada” do globo terrestre esquece que foi precisamente aqui que começaram as duas guerras mais sangrentas e devastadoras de todos os tempos. Saibamos interpretar os sinais da História.

62 comentários em “Os sinais da História”

  1. Bom dia Pedro Correia.
    “Esquecimento bem lembrado”. Frase que, se não estou equivocado, ouvi mais do que uma vez a Adriano Moreira. A juntar aos aspectos que bem recorda, poderemos porventura adicionar: a questão energética e inerente dependência da Europa em geral, as questões do terrorismo que gradualmente avançará de diferentes formas, a recusa para mim legítima de aceitar sem controlo rigoroso a questão migrantes que já passou de uma fase de “fugir a” para “invasão pura e simples”, a questão das energias verdes em que se mente descaradamente aos Europeus como por exemplo sobre os custos verdadeiros (a produção e ambiente em certas zonas) da mobilidade a electricidade, quem anda a subsidiar certas causas. Fico por aqui. Saúde.
    António Cabral

  2. Bem relembrado. Não esquecendo que os conflitos começam quando alguém, mais poderoso financeira/militarmente, inicia sonhos tentaculares de impérios, de reiches, de superioridades, de Uniões soberanas discutíveis.
    Multiplicam-se os casos de fronteiras, soberanas ou nem por isso, frágeis, definidas e acordadas à luz do momento.
    Entretanto passam e recriam-se novas gerações….

  3. “os movimentos de extrema-direita atingem mais de 20% dos votos de eleitores jovens em Estados como a Saxónia e Brandemburgo.” Quantos são os eleitores jovens?

    “De facto, a AfD foi o partido mais votado também nas faixas etárias seguintes — dos 25 aos 34 anos (26%), dos 35 aos 44 anos (29%), dos 45 aos 59 anos (33%).”, diz-nos a ligação que anexou. E aqui, que significa isto? Significa que os eleitores jovens estão abaixo da percentagem de eleitores adultos: provavelmente os seus pais.
    Em Brademburgo:
    “E terá sido sobretudo à custa da CDU, com o partido de Merkel a obter neste domingo 15,6% dos votos, quando há cinco anos rondou os 23%.”

    “Além de roubar muitos votos à CDU e ao SPD, a AfD conseguiu convencer muitos habituais abstencionistas, de acordo com estudos feitos com base em sondagens à boca das urnas, o que significa que existe um grupo do eleitorado descontente com o atual rumo político que decidiu ir votar, preferindo a extrema-direita.”

    Portanto, a AfD teve votos roubados e não conquistados.
    Em conclusão: não vos preocupeis, porque lá como cá os habitantes começam a abrir os olhos e sabem que isto da UE é para encher o traseiro a alguns.

    Por outro lado, a boa notícia, os neo-fascistas que se têm governado através de Bruxelas estão em queda. Em Portugal vai acontecer o mesmo.

    A Europa não tem construção politica alguma, pois até o Papa Francisco associou a UE aos nazis:
    https://multinews.sapo.pt/noticias/papa-francisco-associa-a-uniao-europeia-ao-regime-nazi-depois-da-polemica-com-a-palavra-natal/

    1. O Papa não disse que a UE era “nazi”, até porque que eu saiba a UE está bem longe de se resumir a uma tonta comissária maltesa.
      Se a UE um dia acabar, aí é que vamos ver os verdadeiros fascistas voltar em força. Realmente não há mesmo razão para nos preocuparmos.

      1. O Papa não disse, associou. A tonta maltesa não é a única tonta na UE a ter atitudes nazi-fascistas. Mas também há muitos tontos nazi-fascistas e outros tantos a trabalhar para isso.
        A Merkel, depois que os russos anexaram a Crimeia e avançaram para a Ucrânia, tomou tento nos discursos que fazia. Ela compreendeu que certas matérias dizem respeito a homens de barba rija. Há assuntos que não são para meninas, ainda que Biden também vista calças.
        Em Bruxelas encontra-se o circo. É lá que estes espectáculos ocorrem com os títeres nos diversos países.
        Não há mesmo razão para nos preocuparmos.

          1. O caro Vento é que deve andar a lê-la, para saber tanto de moda feminina. Alguma admiração por modelos masculinos, para estar tão extasiado por calças e “barba rija”?

          2. Por acso não. Basta ver a Merkel de calças e o Biden também.
            Sim, gosto de me ver ao espelho.

    2. “”Além de roubar muitos votos à CDU e ao SPD, a AfD conseguiu convencer muitos habituais abstencionistas, de acordo com estudos feitos com base em sondagens à boca das urnas, o que significa que existe um grupo do eleitorado descontente com o atual rumo político que decidiu ir votar, preferindo a extrema-direita.”

      Portanto, a AfD teve votos roubados e não conquistados.””

      É o vergonhoso jornalismo que se faz.

  4. nos anos 60, fora das aulas, tinha um Prof que só falava Bretão.
    na Itália pela mesma altura só ouvia falar os 60 dialectos.
    em Espanha é o que se ouve
    na 1ª década deste séc ouvia umas 20 tvs regionais

      1. Metade dos italianos, ainda hoje, falam dialectos regionais – grande parte deles como línguas maternas.

        O bretão, o alsaciano, o catalão, o normando, o provençal, o basco, o corso e outras línguas – nenhuma delas co-oficial – são ainda falados em França. O jacobinismo francês não permite descentralização, também no plano linguístico.

  5. Pedro,
    O adormecimento de todos estes conflitos que bem referes deve-se exclusivamente á existência da UE. E até aí poderemos incluir também a questão irlandesa que foi recentemente sacudida aquando do Brexit.
    Os europeus sentem, cidadãos e governos, que teriam demasiado a perder no cenário de equilíbrio de forças que tantos danos causou no passado. Por isso, ora com ligeiros entusiasmos, ora apenas conformados, vivemos todos como num casamento de conveniência, o que não sendo um cenário excelente é razoávelzinho.
    Em que outro bloco regional à escala da EU os seus cidadãos vivem numa harmonia comparável a um casamento pleno?
    A pontual insatisfação que a pertença a este bloco nos possa gerar, é também um indicador do seu sucesso, pois a aspiração a uma vivência de partilha a um nível superior do que temos, só nos aflora as franjas da vontade porque temos a actual situação como certa. A percepção que fazemos do que nos rodeia é totalmente marcada pela estabilidade em que vivemos.
    Nunca a esta escala isso foi possível na história, e mesmo com percalços que certamente surgirão, todos acabaremos por reconhecer que estamos destinados ao entendimento.

    1. Eu não consigo estar tão optimista. A intolerância está a crescer no mundo.
      A forma de nos entendermos implica aceitar as diferenças e procurar pontos em comum.
      A propósito, sempre me surpreendeu os EUA conseguirem manter-se agregados tendo em conta as diferenças culturais abismais entre estados. Eles conseguiam de alguma forma focar-se nas semelhanças e viver com as diferenças. Isso está a mudar com as tentativas de fazer leis federais para regular questões polémicas como o aborto ou a vacinação. Não me parece que vá correr bem. Estou na realidade bastante pessimista.

      1. sempre me surpreendeu os EUA conseguirem manter-se agregados tendo em conta as diferenças culturais abismais entre estados

        Antropologicamente, os EUA são muito unidos. Têm sistemas de herança e de tratamento dos filhos muito similares em todos os estados, e similares aos ingleses. Leia por exemplo “Après l’Empire” de Emamnuel Todd, que enfatiza isso – a grande identidade antropológica entre os EUA e a Inglaterra. Note que a antropologia é algo muito mais profundo que a cultura.

        leis federais para regular questões polémicas como o aborto

        O aborto, antes de uma questão cultural, é em grande parte uma questão económica. Não faz sentido o país X proibir uma qualquer prática económica se um outro país Y que tem liberdade de circulação com o país X permitir essa prática económica. É por isso que as leis económicas são as mesmas em todos os países da União Europeia (e em todos os estados dos EUA). Não faz sentido proibir o aborto no Texas quando ele é permitido no Novo México mesmo ao lado. Não faz sentido proibir o aborto na Polónia quando ele é permitido na Alemanha mesmo ao lado, ou proibir o aborto na Suécia quando ele é permitido na Polónia mesmo ao lado (que era o que se passava na década de 1960, em que as suecas iam abortar à Polónia comunista). Nos EUA é o mesmo. Qualquer pessoa pode meter-se no seu carro e ir abortar no estado que fica ao lado.

        1. “O aborto, antes de uma questão cultural, é em grande parte uma questão económica. É por isso que as leis económicas são as mesmas em todos os países da União Europeia (e em todos os estados dos EUA).”
          ????
          “Qualquer pessoa pode meter-se no seu carro e ir abortar no estado que fica ao lado.”
          E qualquer estado tem o direito de impedir o aborto no seu território se essa for a vontade dos seus eleitores. Parece-me um grande erro insistir nestas leis federais desrespeitando a autonomia dos estados.
          PS- Eu diria que abortar não está ao alcance de qualquer pessoa. Só das pessoas que podem engravidar, ou seja pessoas que menstruam. Acho que há um nome para isso… talvez… mulheres.

          1. qualquer estado tem o direito de impedir o aborto no seu território se essa for a vontade dos seus eleitores

            Sem dúvida que tem esse direito. Mas os eleitores que queiram tal coisa serão tolos, porque somente estarão a forçar as mulheres a ir abortar no país ao lado, dessa forma incomodando-as e também fazendo o país ficar prejudicado na balança de pagamentos (é prestado noutro país um serviço que poderia ser prestado no próprio país).
            Qual é a lógica de proibir o aborto na Polónia, digamos, se qualquer polaca pode viajar umas poucas dezenas ou centenas de quilómetros para ir abortar na Alemanha ou na Chéquia? É um disparate.
            Da mesma forma que, quando o aborto era proibido em Portugal, isso só prejudicava o país, pois forçava as portuguesas a irem a Espanha, dessa forma fazendo a balança externa do país piorar. Além do incómodo, claro, que causava às senhoras.
            Proibir coisas é uma tonteria se essas coisas são permitidas no país ao lado.
            Se as pessoas são contra o aborto, então devem procurar (através de conversas pessoais, campanhas publicitárias, ou quaisquer outros meios) dissuadir as mulheres de abortar. Não devem querer a proibição do aborto, porque isso não impede as mulheres de abortar, somente as força a ir fazê-lo no país ao lado.

          2. Aqui a questão não é tanto se é bom, mau ou eficaz proibir o aborto. É o facto de um governo federal querer impingir uma lei deste tipo contra a vontade de governos eleitos democraticamente nos estados. No fundo, contra a vontade da população nesses estados e à revelia das regras democráticas. Este tipo de acção mina a própria democracia.
            PS- O aborto é legal em todos os estados dos EUA, o que muda é a idade gestacional até à qual se pode praticar e que varia desde as 6 semanas de gestação até ao termo da gravidez.

      2. A intolerância está a crescer no mundo.

        Com toda esta gente a querer destruir o “Natal” e todos os traços da cultura europeia para entronar uma ditadura ideológica de esquerda — atrás da qual vem a ditadura do Islão, não só acho muito bem que a intolerância esteja a crescer no mundo, como espero que tudo isso seja destruído completamente. Não há lugar para o triunfalismo esquerdista em sociedades democráticas.

    2. A verdade, Paulo, é que só a Comunidade Europeia – hoje União Europeia – permitiu estes inéditos 75 anos de paz e prosperidade no seu território. Um longo período que deve encher de orgulho os 450 milhões de cidadãos da Europa comunitária.

  6. Tudo isso que escreveu, mais o terrorismo islâmico, e a aceitação acéfala de regras discriminatórias entre os cidadãos a propósito do “bem da nação”, não augura, de facto, nada de bom.

    1. Os conflitos (estes e outros) não morrem, estão apenas adormecidos. Convém ter isto em conta cada vez que reflectimos sobre o mundo em que vivemos – e sobre a nossa Europa em particular.

      1. Esta lembrança dos problemas da Europa, que afinal desde o final da guerra dos 30 anos nunca acabaram, tem a ver com o novo chanceler e as forças políticas agora no poder na Alemanha?

  7. O Pedro Correia fala neste post de montes de alegadas ameaças à paz que não se concretizam, mas omite falar de uma ameaça à paz que parece bem concreta e imediata, nomeadamente na Ucrânia.

      1. Toda a razão. A verdadeira ameaça atual é o regresso do império Russo. Biden fez uma triste figura, revelou fraqueza e impotência perante Putin que refletia no seu rosto o seu contentamento. A Ucrânia enquanto país independente tem os dias contados. Os EUA já não são o farol do mundo, a decadência do império americano é uma evidência.

  8. O que é que aconteceu antes de todas as guerras?
    Falta de bens essenciais.
    Insegurança.
    Inclusão do medo.
    Repressão.
    Criação do caos.
    Promessas num mundo melhor, puro e saudável.
    E o que é que está a acontecer agora?
    Tudo o que já aconteceu antes mas agora com a ajuda das novas tecnologias.
    O domínio das massas através da inteligência artificial é uma realidade e a terceira guerra poderá já ter iniciado.
    Aguardemos serenamente.

    1. Essas razões foram a motivação da II Guerra Mundial.
      O resto são revoltas/revoluções internas contra a miséria ou contra os miseráveis.

      1. As revoltas que ficam nas história são 99% da burguesia ambiciosa e da aristocracia desafecta e com tempo. Não há cá revoltas contra a miséria.
        Revolução Francesa feito pela burguesia nascente.
        Golpe Bolchevique feito pela burguesia e aristocratas de segundo plano.
        25 de Abril feito por militares de carreira e a inteligentsia das familias liberais(sentido lato) de Lisboa.
        O povo não faz revoluções.

  9. A Europa já não pode com uma gata pelo rabo, tudo por causa das asneiras próprias de toda a vida.
    Todos os europeus tiveram alguma culpa para esta decrepitude.
    A principal desgraça actual é a impotência para controlar esta invasão indiscriminada por todos os lados.
    Portugal tem alguma culpa nesta invasão devido às suas históricas andanças pelo mundo inteiro sem pedir licença a ninguém.
    Os outros agora pagam-se na mesma moeda,

    1. Também não esquecer aquela das “armas de destruição” no Iraque, as bonitas primaveras que o raio da Síria não alinhou, o Afeganistão do agora não se fala nisso, os conflitos nunca acabados na África das riquezas e do eterno conflito Palestina/Israel.
      Tudo isto somado deu no que estamos agora a assistir. Também está a acontecer o mesmo com os povos da América Latina de grande influência dos EUA que nunca resolveram as grandes desigualdades latentes naqueles países e agora estão a entrar em força no país da riquezas.

      1. todos os desgraçados do planeta procuram a Europa

        A Alemanha, a Alemanha.

        Não procuram a Europa. Procuram a Alemanha.

        Em 2016 os alemães descobriram, com enorme espanto, que o seu país, que se tinham habituado a ver como a “ovelha negra” da Europa, culpado de racismo endémico e causador de guerras, era afinal um país extemamente bem-afamado, para onde toda a gente quer ir.

        1. Procuram a Europa. Alemanha, em primeiro lugar. Mas também Suécia, Dinamarca, Holanda, Itália, Espanha, Inglaterra.
          Ninguém no mundo ignora qual a região do planeta onde mais impera a paz, o progresso e a prosperidade. Só alguns europeus passam o tempo a criticar o próprio continente onde vivem. Sem no entanto fazerem a menor intenção de o abandonar.

  10. O conflito actualmente mais ameaçador, desenrola-se nas fronteiras da Nato com a Rússia e a crise na Ucrânia – para que não vejo solução fácil – agudizou-se exactamente por prever a alteração dessas fronteiras. Mas não tenhamos dúvidas que no Báltico a tensão veio para ficar e está por definir o que se passará na Turquia, ainda formalmente da Nato mas que já desde cerca de três anos, compra todo o armamento moderno à Rússia (para não falar no oleoduto).

    Mas, além das fronteiras e dos alinhamentos, há um factor de que pouco se fala. Ratzinger, ainda cardeal, previu que o futuro dos católicos na Europa, seria de quase clandestinidade. Previu bem.
    Já há anos, o Parlamento Europeu aprovou uma moção pedindo à Comissão que condenasse as perseguições aos cristãos no Médio Oriente que, nessa altura sobretudo no Iraque, assumiam proporções assustadoras (de 600 mil estão hoje reduzidos a bastante menos de 300 mil). A Comissão, pela voz da comissária competente – uma baronesa inglesa trabalhista – recusou por que não se podia referir especificamente a uma religião, neste caso a cristã. Agora a comissária para a Igualdade, tentou fazer aprovar um projecto de linguagem inclusiva em que a palavra Natal seria substituída por Festividades.
    O que vejo é que, acoberto da laicidade que ninguém contesta, a prática é de anti-clericalismo, o que, de facto, subverte a laicidade. Neste último caso, o papa Francisco reagiu comparando a ideia com totalitarismos anteriores, citando Napoleão, comunistas e nazis (grande parte da imprensa que temos enfatizou/seleccionou o nazismo e, em alguns casos, generalizando abusivamente o contexto).

    Acontece que Putin não só tem excelentes relações com a hierarquia ortodoxa, como assiste às celebrações significativas e chegou ao extremo de promover uma alteração constitucional onde recuperou a presença de Deus na constituição russa.
    Esclareço que, além de meia-dúzia de blogues, só leitor extensivo das caixas de comentários do Observador e se há bastante tempo, vejo opinadores defendendo que a Europa estaria melhor com a Rússia do que com os EUA, agora já vejo outros que defendem que Putin seria melhor do que van der Leyen.
    Pessoalmente acho totalmente errado e mesmo preocupante mas, com sentimentos muito negativos quanto a isso, até consigo entender as motivações.

    1. já vejo outros que defendem que Putin seria melhor do que van der Leyen

      Parece-me totalmente incontestável que Putin é muito melhor governante do que van der Leyen. Se é que esta última é, de todo, governante…

  11. Não conheço muito de História, sendo um mero anónimo inculto, mas tenho ideia da Europa não ter passado um século que seja sem que as principais nações tenham andado à batatada entre si, pelas mais diversas razões, estendendo a partir de certo ponto as guerras aos territórios coloniais. Isto sem contar com as diversas ameaças externas, que foram por ali esbarrando mais ou menos entre Polónia e Hungria.
    A União Europeia, com as massas que trouxeram progresso e riqueza, veio criar um clima de conforto adequado a uma paz duradoura, mas também é preciso perceber que a lembrança das atrocidades da WWII ainda estão vivas, mas quanto mais tempo passar mais se desvanecem na memória colectiva.
    Quanto ao Projecto Europeu, sempre faltou e faltará uma voz única na resolução de questões diplomáticas, e quanto mais países pior será. O caso balcânico foi paradigmático, ainda estando para perceber como a UE avalizou a criação de um Estado falhado em pleno continente.

    1. A memória viva das atrocidades cometidas em solo europeu e nas regiões adjacentes da Ásia Menor remonta muito antes da II Guerra Mundial.
      O genocídio dos arménios pelos turcos em 1915, por exemplo.

      Está incrustada no inconsciente colectivo de quase todos os países e povos do continente.

      1. Memória viva? Muitos nem devem saber de que se trata.
        É diferente ler nos livros (Portugal tem o exemplo da guerra colonial) as atrocidades e experimentá-las, nem que seja por proximidade. Quando a wwii estiver remetida às enciclopédias e documentários, é a altura dos novos messias medrarem sem receio, e de reavivarem querelas antigas.

        1. Não sei o que é a “wwii”. Sei, sim, que os conflitos larvares permanecem na Europa. Larvares e não acesos devido a essa conquista civilizacional que foi e é a construção europeia.

  12. Os conflitos estão a terminar com a invasao da europa pelos necessitados do resto do mundo. Se todos contribuirmos e acolhermos um necessitado em nossa casa tudo se resolve. Os mais ricos podem acolher até 3 necessitados. E se tivermos que desistir do Natal não vem mal ao mundo, afinal já ninguém vai à missa. Todas as culturas são boas e tolerantes. Um feliz festividades para todos.

  13. Estranhamente neste texto não se fala da importância da violência de Esquerda em Democracia.
    Por toda a Europa e EUA. O mais recente exemplo em França:
    Como se viu recentemente à violência da Esquerda ao candidato Presidencial Francês Eric Zemmour.
    Imaginemos que cada candidato de Esquerda passasse a ser palco de “protestos” (langue de bois dos jornalistas) sempre que saísse à rua? É isso que vai acontecer a prazo.
    A Esquerda está activamente a destruir o palco democrático mas isso não é notícia. Como não é notícia só resta uma conclusão: Os jornalistas concordam na sua maioria em acabar com a Democracia e mais ainda com a Liberdade – O Covid é outro belo exemplo.

    Falhou neste texto o que se passa em França, muito mais importante do que a Córsega ,problema com limites territoriais. Censurado por todos os jornalistas.

    1. Esquerda, direita… vocês passam o tempo a fazer proselitismo como as testemunhas de Jeová. Vivem amarrados a esses conceitos e não conseguem raciocinar de outra forma. O mundo, para vocês, resume-se a esses ‘slogans’ cada vez mais vazios de conteúdo que não explicam nada nem esclarecem ninguém.

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