O Muro da Vergonha caiu, mas o PCP continua a defendê-lo sem vergonha nem um pingo de pudor um quarto de século depois. Contra todas as evidências mais gritantes, contra a vontade dos povos, contra o próprio “sentido da História” (mostrando assim ignorar a vulgata marxista sobre materialismo dialéctico).
Se os jornalistas parlamentares não andassem tão ocupados a registar diariamente as mesmas imagens e os mesmos sons, na contínua febre dos “directos” que na maioria das vezes não têm relevância noticiosa alguma, talvez um deles, fazendo algo diferente, se lembrasse de questionar os deputados do PCP sobre a nota oficial do partido reproduzida na última edição do Avante! e à qual o Rui Rocha já fez referência aqui.
Teria seguramente interesse jornalístico saber, por exemplo, se à renovação etária da bancada comunista, agora integralmente composta por deputados muito jovens, corresponde também um arejamento de ideias ou – pelo contrário – persiste o anquilosamento em dogmas há muito remetidos para o caixote do lixo da História (se me permitem usar o jargão marxista).
Nada melhor, para isso, do que exercer o elementar direito à pergunta. Questionando os jovens deputados do PCP – começando pelo simpático líder parlamentar – se subscrevem as palavras oficiais de doce nostalgia pela desaparecida República “Democrática” Alemã, único estado do mundo contemporâneo que mandou erguer uma muralha destinada a impedir a saída dos cidadãos, confinados à condição de prisioneiros no seu próprio país.
Subscreverão eles a entusiástica defesa póstuma da RDA, consubstanciada no elogio rasgado às “realizações económicas, sociais e culturais de mais de quarenta anos de poder dos trabalhadores” e do próprio muro, que segundo a saudosista nota inserida no Avante!, contrariando todas as evidências históricas, tinha simples “carácter defensivo” e constituiu um “incontestável acto de segurança e soberania”?
Eis uma questão interessante que eu bem gostaria de ver respondida por João Oliveira, Jorge Machado, Miguel Tiago, Bruno Dias, Paula Santos, Carla Cruz, João Ramos, Diana Ferreira, Paulo Sá, David Costa e Rita Rato.

![599130[1].jpg 599130[1].jpg](http://3.fotos.web.sapo.io/i/B2011ca40/17593282_Idl79.jpeg)
São os puros Pedro, os ideologicamente intocáveis. Fazem do seu sectarismo, a que muitos chamam de coerência, o seu ponto de honra. Vivem alienados, num mundo só deles. Vêem nesta suposta coerência de posições, a sua força. Acima de tudo os comunistas são os políticos mais medrosos. Não arriscam, não ousam sequer pensar por eles, o dogma do colectivo abafa qualquer ideia renovadora. Apoiam-se em teses que foram declaradas como leis internas desde a sua fundação. No fundo ainda aspiram a que possam viver na clandestinidade, o seu modo de vida de eleição. Desprezam qualquer pessoa que ouse pensar diferente, trancam-se nos seus burocráticos processos de decisão, que grosso modo, nunca dão em nada de diferente desde sempre. São, de longe, o verdadeiro partido conservador em Portugal, odeiam a mudança, têm aliás pavor dela. A única “revolução” que aceitam como válida, seria uma ditada apenas pelos seus militantes, que lhes permitisse chegar ao poder, coisa nunca conseguida através de eleições, e aí sim, sentados no poder governariam numa qualquer realidade paralela, onde representariam as massas.
Uma coisa que sempre me impressionou, Tiago, foi a lógica do PCP de, sendo partido minoritário (e nunca foi outra coisa), pretender impor as suas teses às outras forças de esquerda como condição indispensável para a obtenção de consensos.
É a chamada cláusula impossível. O PCP recorre a ela por sistema. Ignorando deliberadamente que em democracia toda a política resulta da negociação permanente, nunca do ‘diktat’ unilateral.
A prova são os Verdes, único partido com quem o PCP faz coligação para fugir ao vermelho e, à foice e o martelo, sozinhos: desde 75 – Fepu, Apu, Cdu.
Essa é como a prova do algodão, José Manuel. Não engana.
No que toca aos jovens deputados do PCP, recordo-me perfeitamente de a camarada Rita Rato, perguntada sobre o passado soviético e as suas tropelias, mostrar sobre o assunto a maior ignorância, propositada ou genuina.
Uma simples pesquisa agora mesmo feita conduziu-me aqui:
http://quartarepublica.blogspot.pt/2013/1 0/assim-se-ve-forca-do-pc.html
Lembro-me muito bem disso. E até escrevi eu próprio sobre o assunto. 03032.html
Aqui:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/11
E escreveu muito bem. E bem me parecia que a coisa se tinha passado uns anitos antes da data do post que referi (e a que fui levado por uma apressada pesquisa…)
Eu gostava de ouvir sobre o assunto era o saudoso João Amaral. Esse era um comunista sem medo de encarar as verdades, inconvenientes que fossem.
Não tenho a menor dúvida. Posso aliás garantir isto com conhecimento de causa. Falei com ele várias vezes e fiz-lhe uma das últimas entrevistas de fundo que concedeu, ao saudoso suplemento DNA, do ‘Diário de Notícias’. Onde abordou várias destas questões com o desassombro que o caracterizava.
Sem dúvida. São confrangedoras, pela impreparação e faciosidade, as intervenções desta srª deputada.
Celebrou-se a queda dum muro vergonhoso porque qualquer um que exista é vergonhoso, mas mais uma vez afirmo que toda esta moralidade, deixa de existir, quando ainda existe um e bem actual que tem de nos deixar o mesmo sentimento de vergonha. Enquanto houver povos, barrados, na sua liberdade por um muro, jamais, nós, homens de bem, poderemos falar do muro abatido, sem nos sentirmos envergonhados, pela existência de mais um que em vez de desaparecer, cresce…….
Não podemos celebrar a queda de um muro porque existem outros? Nada mais errado, a meu ver.
Esse raciocínio levar-nos-ia a concluir que a queda da ditadura em Portugal, no 25 de Abril, não deveria ser celebrada porque à época existiam largas dezenas de ditaduras em todo o mundo.
Infelizmente há muitos muros…Mas são poucos os que impedem as pessoas de sair…só os “paraísos comunistas” temem ser abandonados!
Os outro muros são dos que temem ser invadidos!
Muro a impedir alguém de entrar é mau. Muro a impedir alguém de sair é péssimo. Tem aliás outro nome: prisão.
Na verdade e infelizmente todos temos que fechar a porta de casa!
A República ‘Democrática’ Alemã era como uma casa com a porta fechada a sete chaves. Não para impedir alguém de entrar mas para impedir qualquer um de sair.
Vinte e cinco anos depois, o PCP ainda chora por esse regime despótico. Algum militante do PCP que seja apanhado a ver o filme ‘A Vida dos Outros’ provavelmente é expulso do partido.
Eu escrevi que enquanto houver muros que nos envergonham, continuaremos a colaborar, com as aberrações que são os ditos muros. Um foi abaixo, mas outro continua firme. Onde está a moral dos homens que não dizem chega, basta. Foi isto que quis dizer e nada mais que isto e não vamos meter aqui as ditaduras que essa é outra história bem feia…….
Para mim muro é apenas a expressão mais visível e mais grotesca de uma ditadura. Celebrar o fim de um muro é celebrar a queda de uma ditadura.
Nada melhor para celebrar senão isto.
Óptimo! Assim sendo porque continua o dito muro, de pé e cada vez maior? Talvez tenha chegado o momento, de todos, começarmos a pensar no fim da ditadura daqueles lados…..
Está a falar de quê? Já me perdi com tantas meias palavras. Falei concretamente do muro que foi derrubado há 25 anos em Berlim e você diz que “o dito muro” está “de pé e cada vez maior”.
Não há portanto motivos para celebrarmos?
É uma forma insólita de assinalar os 25 anos do derrube do Muro da Vergonha.
Fui sempre claro e se não sabe do que falo e responde sem saber a quê, é de todo estranho. Mais uma vez repito, falo do muro que os israelitas construíram, com arame farpado e vigias e ai, do palestiniano que o passar…… Ele existe, está lá, é feio e não pára de crescer e se os muros, como disse, são a forma mais visível e grotesca da ditadura, já era tempo, de nós, humanos, não tolerarmos esse muro o qual já passei de Israel/Palestina/Palestina/Israel e não gostei do que vi…… Estamos em pleno século XXI e não se admite que um muro da vergonha tenha sido derrubado há 25 anos e que continuemos impávidos e serenos a saber da existência dum muro que também nos devíamos envergonhar, mas que não nos envergonhamos e ninguém fala…. Porque será?
Ah, portanto é proibido comemorarmos o 25º aniversário do derrube do Muro de Berlim porque existe um muro levantado em Israel.
É a mesma lógica que condena a celebração da queda de uma ditadura enquanto existirem outras. Fica a promessa: eu não voltarei a celebrar a queda de mais nenhuma enquanto existir a Coreia do Norte.
Podemos comemorar tudo, não podemos é fazer de conta que tudo está bem, quando não está. Enquanto houver um muro, é sinal, de que não haverá paz. Não dê o exemplo da Coreia de Norte porque a Coreia do Norte, é governada por loucos porque ali não há ideologia nenhuma, há loucura, enquanto em Israel, não há loucos, há ganância absoluta, de querer tudo e essa ganância, dá origem a um muro que não devia existir, mas existe e enquanto existe, é outra vergonha para a humanidade.
Humanidade é o que você não tem João.
Você quer simplesmente a destruição de Israel como bom Esquerdista-Marxista que é.
Você não aceita que outros não sigam a sua religião.
O direito a poder dizer Não. Direito a Não querer fazer parte é o valor da liberdade.
Mas pessoas com a sua ideologia a Liberdade é o que menos interessa.
O senhor, não julgue os outros, sem saber o que são, nem quem são. Aqui, fala-se do que se passa no mundo e não de quem comenta, ou escreve, penso eu, enquanto o senhor, está sempre a julgar tudo e todos…….Para sua informação, sou: católico, apostolólico, romano. O que é para si a esquerda? Se me interpreta como esquerdista, comunista, mais uma vez, erra e erra brutalmente. Eu, não quero a destruição, de nada, nem de ninguém, antes pelo contrário, quero que todos vivam em paz o que não acontece há muito tempo, por aqueles lados. O senhor, é que gosta de interpretar as coisas à sua maneira e o que acontece é que não interpreta, lê como quer ler. Para haver liberdade, não pode haver muro, mas ele está lá, alto, bem alto, com arame farpado e cheio de vigias, nem podem haver civis armados, em plena rua que deixam qualquer turista perturbado. Se para si, isto é liberdade, estamos conversados. Eu, já lá estive e não gostei porque tal, como todos os outros, para passar o muro não fui livre, imagine os que lá estão!…… Enquanto, eu, não quero a destruição de nenhum daqueles estados, o excelentíssimo senhor, pelo que li quer a destruição da Palestina. Todos são seres humanos e todos têm direito a ter o seu espaço. Dou-lhe um conselho, vá lá e veja, como vivem uns e como vivem outros. Mais, se os israelitas, não fossem um povo inteligente que fazem crescer palmeiras e vinhas em pleno deserto e não fizessem armas de ponta, provavelmente, eram mais uns, de quem ninguém se lembrava……..
Ó Pedro, e sobre os saudosistas do antigo Acordo Multilateral sobre o Investimento, que agora ressurge sob o nome de TTIP , ou Tratado Transatlântico? Já perguntou a algum deputado do governo que subscreveu a carta dos 14 enviada a Juncker pedindo-lhe que mantenha o ICSID nas negociações, o que o dito implica para Portugal em termos de perigos à soberania, ao estado social, à economia e à legislação existente?
Também não acha a pergunta sobre o ICSID digna de se fazer lá no Parlamento onde os comunistas embaraçam mais do que ameaçam?
É que sabe, eu não tenho medo de um pequeno partido comunista com um discurso cediço e passadista ao qual já ninguém dá atenção há décadas. O que me assusta, enquanto cidadão do século XXI, é da descarada promiscuidade entre a democracia e o capitalismo, entre os nossos governantes e as megacorporações ; o que me assusta é o excesso de privilégios e ajudas que se dão às multinacionais em detrimento dos cidadãos; o que me assusta são os acordos e tratados feitos às ocultas, à revelia dos eleitores mal informados, que só serão conhecidos tarde de mais mas que terão grandes consequências para as nossas vidas.
A vida política na Europa está mais soviética do que nunca, com mínimos de transparência e confiança nos governantes, com escândalos políticos a torto e a direito, com deputados que falsificaram o seu currículo académico mas nem por isso foram despedidos; somos todos soviéticos hoje em dia, espectadores impotentes de uma generalizada incompetência, desdém, ganância e sede de poder e controlo a que nos habituámos a associar ao Kremlin, mas não por causa do PCP, que essa caganita de mosca na grande bosta que é a política europeia não tem poder para tanto.
A questão não é essa, Miguel. Nem pode medir-se na dimensão eleitoral do partido, cuja importância cultural e social (nomeadamente no plano sindical) ultrapassa largamente o plano das intenções de voto.
A questão em Portugal é saber, 40 anos depois da implantação do regime democrático, se o PCP é somável a outras forças políticas para a construção de uma verdadeira alternativa de governo. Saber se mantém a vocação de partido de protesto, numa espécie de prolongamento da CGTP no plano político, ou se ambiciona alguma vez ter responsabilidades governativas (semelhantes às que exerceu durante dois anos, entre 1974 e 1976).
Afirmar-se um quarto de século depois contra a queda do Muro de Berlim – algo que nenhuma outra força política sustenta em Portugal, como é evidente – equivale a cavar um fosso em torno de si próprio, equivale a dizer a outras forças de esquerda que nenhum consenso é possível ou desejável.
Aquele modelo faliu, ninguém quer recuperá-lo. O “socialismo real” foi um monumental embuste. Condenado pelos povos onde imperou, condenado severamente pela História.
É novamente a tese do partido-fortaleza no seu esplendor a imperar no PCP: poucos mas bons, só faz falta quem está.
Se até duas amebas encontraram o caminho da evolução, seria normal que a cassete evoluísse também, até porque os leitores de cassetes vão sendo cada vez mais escassos. O que pensaria Marx perante tanta incapacidade de adaptação ? Surpreender-se-ia seguramente pela doutrina política tornada religião, com os seus incontornáveis arcanos. O ópio do povo, destilado pelo próprio…
Comparo muitas vezes a ideologia do PCP à da IURD… uma autêntica lavagem cerebral… os extremos tocam-se , verdade?
Nem a linguagem que usam é a corrente, Dulce. Adoptam um jargão iniciático, numa espécie de código tribal do qual não se afastam um milímetro.
Nesta novilíngua as palavras não podem ser tomadas pelo seu valor facial mas pelo seu respectivo antónimo.
Libertação é opressão.
Democracia é ditadura.
Progresso é retrocesso.
República é monarquia (na Coreia do Norte)
E, sim, os extremos tocam-se. Está mais que visto.
E evoluiu. Na forma. Já não será cassete , pois como muito bem diz vão já rareando os leitores das mesmas. É capaz de ser CD, ou muito mais provavelmente MP3 ou 4. E recorre massivamente à internet (o PC e a restante esquerda radical), pois claro – coisa fruto, como é sabido, da sociedade do mais selvagem capitalismo e da mais decadente perversão de valores e que mandassem eles estaria mais do que limitada, em conteúdo e acesso (como está, onde mandam os seus afins) -; tudo muito moderno no aspecto e incrivelmente reaccionário na substância.
Mas assim se cativam jovens, parece, a avaliar pela tal bancada parlamentar e se consegue levar cabeças aparentemente dotadas de inteligência e bom senso a negar evidências gritantes e a perfilhar ideias e práticas que mataram mais, nunca se esqueça, do que aquelas que invocam como fontes de todo o mal (e que até estão legalmente interditas).
Costa
Por mim fico à espera que alguém questione esses deputados. Tem interesse jornalístico, é evidente. Para registar o que disserem. E o que calarem.
Ficamos ambos. Mas receio que a espera seja longa. O “respeitinho” em Portugal continua a ser um valor muito importante. Apenas mudou de orientação ideológica.
E tal com o PS se arroga ora paternalisticamente ora arrogantemente uma espécie de direito divino ao poder, independentemente do que faça quando o detém e do ninho de amizades e favores que imparável e laboriosamente tece e defende, mesmo que para isso “se esteja a cagar ” (sabe ao que me refiro e permitirá a vulgaridade do vocabulário, é imposta pela fidelidade ao relato conhecido) e aplique metodicamente o sábio critério segundo o qual “para os amigos tudo…”, o PC chama a si todas as credenciais do martirológio e da interpretação autêntica da martirologia da oposição ao regime derrubado em 1974.
Ora há entre nós, na comunicação social e em vasta parte da população, seja qual for a sua orientação política, uma espécie de submissa reverência perante uma e outra agremiações, ancorada nos dogmas da paternidade da democracia atribuída a Soares e da idolatrada – mesmo que fundamentalmente monstruosa – coerência de Cunhal, enriquecida, esta última, com a figura severa e frugal e o relato da longa prisão e da nunca por demais cantada evasão.
E por isso – porque vivemos num país onde quem é de esquerda se acha ungido e quem não é aceita vastamente carregar ainda uma espécie de pecado nunca suficientemente expiado -, haverá ainda, por longo tempo, perguntas que ou não serão colocadas, ou sê-lo-ão a medo e rapidamente retiradas à menor invocação pelo interrogado dos seus pergaminhos “progressistas”.
Mas aguardo com vivo interesse que alguém demonstre o meu erro ao pensar assim.
Costa
Cá estaremos para comentar estes e outros temas, meu caro.
As religiões não se podem questionar, porque a resposta é ininteligível.
Experimente dialogar com um muçulmano ou judeu e verá.
Quando a política se torna dogma de fé todo o debate racional passa a ser impossível.
Francamente, a mim não me apetece ouvi-los sobre o que quer que seja…
Não se preocupe. Aposto que sobre esta matéria eles não terão mesmo nada a dizer.
O mais impressionante é que estes tipos acham que existem muros bons e muros maus. Deve ser por causa da qualidade do betão ou do arame farpado…Dizem que o de Berlim era “defensivo” [agora verti uma lágrima], necessário devido às provocações capitalistas ocidentais, mas o de Israel é que não pode ser, é criminoso. O da Coreia também é um muro mau, e o dos EUA, junto ao México, ainda pior. Decidam-se camaradas!
Puros e duros. Adoram muros.