Os saudosistas do bloco central


Pedro Correia,

A “apreensão” que provocou em certas almas sensíveis o mais recente debate na Assembleia da República – marcado por declarações muito contundentes, como é de regra num parlamento – prenuncia uma alteração de ciclo político. Que incluirá apelos reiterados à formação de um bloco central, semelhante ao que vigorou na primeira metade da década de 80. Mais transparentes por bandas do PS – a pretexto de que a crise financeira exige “estabilidade política”. Mais encapotados por bandas da oposição interna do PSD – que aposta na manutenção em funções do actual governo até que seja possível derrubar Passos Coelho. Uma vez mais, o tacticismo e o cálculo político de curto prazo vão preponderar. Buscam-se consensos recorrendo a bons argumentos, mas pelos piores motivos.

A vida política portuguesa precisa de modelos alternativos claros, à esquerda e à direita, e não de novas aglutinações ao centro que copiam o pior rotativismo do século XIX em que aliados e adversários mal se diferenciavam. E que teve o triste destino que bem sabemos.

8 comentários em “Os saudosistas do bloco central”

  1. Lá está o Pedro Coelho a defender Passos Coelho.

    “A vida política portuguesa precisa de modelos alternativos claros”

    Já os temos – os comunistas do PCP e do BE, que juntos alcançam 10% dos deputados. E é por causa disso mesmo que este país está como está, mal conseguindo aprovar um Orçamento de Estado.

    Que mais “modelos alternativos claros” deseja o Pedro? Uma União Naciona salazarista? Um partido do D. Duarte? Um partido xenófobo? Um partido ecologista? Para dividir ainda mais o povo português?

    1. É natural que o Pedro Coelho defenda Passos Coelho.
      Direi mesmo mais: também é natural que Pedro Passos defenda o Pedro Coelho. E que Passos Coelho, por sua vez, defenda Pedro Passos.
      Isto anda tudo ligado, como dizia o outro.

      1. Peço desculpa, enganei-me no nome.

        Mas não pensei que esse óbvio engano fosse servir de desculpa para o Pedro Correia se eximir de comentar o cerne daquilo que eu disse.

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