Os recados não verbais de um juiz


Paulo Sousa,

No dia 21 de Novembro de 2014 José Sócrates foi detido no aeroporto de Lisboa à chegada de Paris.

Desde 2006, Carlos Alexandre era o único juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, e em Setembro de 2015 passou a ter a companhia do juiz Ivo Rosa.

Pouco depois, o sorteio do juiz que iria decidir se o caso Marquês avançava ou não para julgamento, foi pela primeira vez notícia. Nunca, que me lembre, o sorteio da atribuição de um processo a um ou outro juiz tinha sido noticiado, mas isso aconteceu também nesta sequência de eventos. Ivo Rosa foi o escolhido à quarta repetição do sorteio.

Para quem acredita nas instituições, as eventuais dúvidas levantadas por esta notícia, não eram mais que uma rebuscada tentativa de abalar uma eventual absolvição. Por outro lado, quem conhece o sistema por dentro mostra acreditar que a escolha do juiz que avalia o processo nesta fase pode ser determinante.

Nas conversas de café de hoje, dos que têm esplanada é claro, a recente decisão de Ivo Rosa não é mais do que o sistema a defender os seus. Estranho é que não haja rede social que não lembre que o vencedor do dia foi o André anti-sistema Ventura. Eu também acho que ele não vai perder uma oportunidade de fazer o boneco.

Para os que lamentam que as instituições do país, e do regime vigente, não sejam mais sólidas, Ivo Rosa envia a mensagem abaixo.

ivo rosa.png

Um comentário em “Os recados não verbais de um juiz”

  1. A necessidade de repetir o sorteio por 3 vezes teve a ver com erros do sistema mas não afectava a escolha que estava feita de antemão.
    O algoritmo que selecciona o juiz tem também como parâmetro o número de processos já distribuídos a cada juiz e nessa ocasião, Carlos Alexandre estava com muitos processos. O que parece ter acontecido é que Carlos Alexandre ia despachar vários desses processos na semana seguinte e ficaria em igualdade com Ivo Rosa. Aconteceu ainda que o processo ainda não estava todo no TCIC e Ivo Rosa aceitou o processo incompleto.
    Tudo indica que a distribuição a Ivo Rosa foi decidida a alto nível possivelmente no CSM ou sei lá, em algum salão decorado com triângulos e olhos.
    As conversas de esplanada – o sistema a defender os seus – parecem-me justificadas.

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