Um dos efeitos da passagem dos anos é verificarmos como coexistimos com gente que apenas nos perdura na memória. Confesso não estar ainda vacinado contra o espanto que isto me causa. Há dias, na saída do metro, cruzou-se comigo alguém que me fez lembrar muito uma antiga colega de trabalho. “Será ela?”, questionei-me. E só daí a momentos caí na real, como dizem os brasileiros. Essa colega morreu há vários anos, num trágico acidente de aviação.
Há uns tempos, de férias em Cabanas, descobri a Rua Dr. João Amaral. Fiquei a olhar para a placa toponímica ainda meio incrédulo: conheci muito bem este ex-deputado e dirigente comunista, fiz-lhe uma das últimas entrevistas que ele concedeu a um jornal e por vezes ainda me custa acreditar que já morreu. Há dias, folheando uma agenda telefónica com números anotados em 1999, quase fiquei chocado ao verificar como são tantos os nomes daqueles que partiram de vez.
Sentir o tempo passar por nós é também isto: verificar a soma crescente das ausências. Uma voz familiar ao telefone que se apagou de súbito e jamais voltaremos a escutar.
Reedito este texto no dia em que os meus pais fariam 60 anos de casados. Sempre associo esta data a um clima de alegria redobrada lá em casa. Festejaram-na durante 55 anos. Hoje, pela primeira vez, evoco-a sem nenhum dos dois cá estar.


Onde se tem mais consciência desse facto é quando a partir de certa idade começamos a ir aos funerais de amigos; e (não) encontramos outros.
Aí percebe-se (e de que maneira). Tenho ido muito mais a funerais do que a casamentos ou baptizados. Houve uma altura em que era ao contrário.
Como eu te entendo, Pedro. Beijinho
Obrigado, Teresa. Escrever também ajuda. Ou melhor: ajuda sempre.
Beijinho.
Também foi um dia triste cá em casa. O meu único irmão faria hoje anos se um cancro do pulmão não o tivesse levado aos 58 anos.
Datas felizes que passam a dias tristes…
Antonieta
Lamento muito saber, Antonieta. A vida vai-se fazendo também destes momentos dolorosos que marcam cada despedida. Têm pelo menos o condão de nos alertar para a importância do que vai ficando.
Um abração Pedro .tudo de bom
Um grande abraço, primo.
Um beijinho, Pedro! Há acontecimentos na nossa vida, perante os quais qualquer palavra, pecaria por excesso, ou insuficiência. O meu profundo respeito e amizade neste momento difícil, em que os recorda. Um abraço!
Muito obrigado pelas suas palavras amigas, Fátima. Um beijinho.
Um abraço, Pedro.
Uma vez mais, Carlos, a palavra certa. Não esqueço.
Meu caro,
https://www.youtube.com/watch?v=WrGI6QbX q0U
com um abraço, de outro órfão adulto.
Abraço retribuído e reconhecido.
Ficam-nos as memórias, especialmente as boas, para nos fazer sorrir e atenuar a saudade. Abraço Pedro.
É verdade, Custódia. Muito grato pelas palavras amigas que aqui (me) deixa.