Os psicopatas americanos no Congresso


João Pedro Pimenta,

American Psycho, ou Psicopata Americano, é um romance, chamemos-lhe assim, escrito no início dos anos noventa por Bret Easton Ellis que retrata de forma crua, amoralmente ostensiva e exaustivamente descritiva a idade de ouro dos yuppies na segunda metade dos anos oitenta, no pré-crash de 1987. A narrativa centra-se no modo de vida de Patrick Bateman, um financeiro de Wall Street com menos de trinta anos, de início mais nas suas obsessões materiais – a casa, a decoração, os aparelhos de alta fidelidade, os produtos de beleza e de higiene, o culto do corpo, os fatos, as gravatas, os restaurantes de luxo, as drogas, as amantes e as prostitutas – e mais à frente na sua faceta (ainda) mais negra que justifica o título da obra, tudo entrecortado pelas detalhadas críticas musicais dos músicos favoritos da personagem, que surgem como curiosa Hybris normalmente em situações inesperadas.  

O livro, já de si um sucesso comercial e de crítica, foi adaptado ao grande ecrã em 2000, com Christian Bale a compor um impressivo Bateman num desempenho que projectou a sua carreira. Como já se percebeu, o protagonista espelha uma ganância e uma obsessão materialista tais (de que é exemplo o seu acesso de fúria só porque os correligionários têm cartões de apresentação mais caros e polidos que os dele, o que terá consequências funestas) que é capaz de transformar Gordon Gekko, outra personagem fictícia deste peculiar mundo dos yuppies, num voluntário caridoso. É claro que nem todas as partes das descrições torrenciais de Ellis puderam ser transpostas para o filme, mas o essencial manteve-se.

Uma das alusões na obra a figuras reais, mais presente no livro que na película, é o culto do peculiar universo que rodeia Bateman pelos bilionários ostensivos, em geral, mas com uma especial admiração: Donald Trump. Sim, Trump e as festas que ele dá, os locais que frequenta e os seus carros. Trump é o modelo, a bússola e farol, aquilo que esta mole de gente endinheirada, entediada e amoral pretende ser.

Recordei-me de novo do livro/filme e das suas alusões a propósito do primeiro aniversário da invasão do Capitólio por aquela horda estranhíssima e alucinada, que deixou como resultado cinco mortos e uma imagem de ultraje e vergonha à democracia americana, mais própria de um país do interior de África. Tinham vindo de vários pontos dos Estados Unidos, numa das alturas mais gélidas do ano, para ouvir o discurso de Trump em frente ao congresso. Um discurso aliás de acusação e de incitamento directo contra a câmara legislativa, na senda da não aceitação do resultado das eleições de dois meses antes e das alusões a supostas fraudes. As palavras eram demasiado explícitas para que não se possa ligá-las ao que sucedeu a seguir. Aliás, até parecia que alguns adoradores trumpistas, mesmo deste lado do Atlântico, já o estavam a pressentir, referindo-se a “demonstrações do triunfo do “America First” que iriam surgir em Washington. Até tinham razão, como se viu.

Trump flutua entre um instinto político eficaz e uma mitomania que se torna pública muitas vezes. Era sem dúvida este último sentimento que o dominava naquele dia. Provavelmente, no embalo daquele discurso a meio caminho entre um ditador sul-americano e o general Custer lançando ordens contra os índios, não previu que as consequências pudessem ser tão funestas. Mas foram (por pouco não o foram para o próprio Mike Pence) e são indissociáveis do seu discurso de raiva que levou aquela mole desvairada habituada a “informar-se” no Qanon a cometer um acto tão grotesco.

O contraste entre esta gente e a retratada em American Psycho é gritante, a começar pela forma de trajar e a acabar na capacidade económica. As respectivas mundividências também são abissalmente diferentes. O que as une é a admiração e a confiança quase ilimitada em Trump, embora por razões diversas. Mas é bem mais compreensível vinda dos segundos, já que Trump é ele próprio um símbolo do materialismo (e de muito exibicionismo, como se observa na sua Trump Tower e no seu avião, por exemplo) e da ganância de um lado mais perverso do “sonho americano”, além de ser nova-iorquino e de ter vivido quase sempre na Big Apple. Já da parte dos invasores do Capitólio é bem menos lógico, pois falamos de gente mais proveniente do Midwest e do Deep South, menos cosmopolita e mais susceptível a propaganda e com muito menos poder económico. Trump e a fauna de Wall Street estão a anos-luz desta massa de proletários sem rumo, em muitos casos desprezando-os até, e são o oposto aos princípio cristãos (com uma interpretação muito própria do cristianismo, é certo, muito WASP) e aos modelos de família por eles defendidos.

Em suma, Patrick Bateman admira Trump não só pelas suas posses mas sobretudo por não olhar a meios para atingir os seus fins e por possuir um ego do tamanho do mundo – pela fortuna, antes de mais, e depois pelo poder político – o que o faz sentir-se quase uma divindade omnipotente perante os outros seres que o rodeiam. Combina o dinheiro, o poder e o sexo, a avaliar pelas suas bravatas. Aquela frase de que “podia dar um tiro a alguém na Quinta Avenida que não perdia um voto” seria certamente do agrado de Bateman e poderia perfeitamente ser dita por ele. Ao criar a personagem, Ellis pôs muito de Trump nela, embora não pudesse prever que uma tal levaria à invasão do Capitólio. Com a diferença de que Patrick sabe certamente muito mais de música popular contemporânea do que Donald.

40 comentários em “Os psicopatas americanos no Congresso”

  1. Opiniões sobre Trump. Entretanto convém ter bem presente que o exercício do fenómeno político nos EUA, é o exercício do fenómeno político, nos EUA.

  2. Que a Europa se cuide, que dos USA pode vir do melhor ao pior, e tudo vem indicando que a segunda possibilidade é a mais provável.
    Quando aos políticos se dispensam dotes de carácter e princípios éticos – porque é ‘a política, dizem – o caminho está aberto aos trumps deste mundo nas suas incontáveis variantes.

  3. É no judaísmo e não no cristianismo que se coloca a riqueza e os ricos com filhos eleitos de Deus e, por isto mesmo, contemplados com as graças divinas da riqueza. E também por isto a célebre afirmação: “É mais fácil um camelo atravessar um buraco da agulha que a um rico entrar no reio dos céus”, acrescentando: “Porém a Deus nada é impossível”
    Também no cristianismo, o poder da política e da religião leva por nome serviço, em particular serviço aos mais frágeis e necessitados. Também por isto a célebre frase: “Quem quiser ser grande, seja menor”.
    Portanto, no cristianismo o Bom Pastor é o que alimenta as ovelhas e não os que delas se alimentam.

    O grande venerável Trump um ano após a dita invasão continua activo e a tornar próspera a sociedade americana. A rede social que ele criou, e ainda não se inaugurou, já vale 8.8 bilhões de dólares em um investimento de cerca de 1.1 bilhões.
    Concluindo, são os adoradores do mercado que gostam de bezerros de ouro e não é Trump que está errado.
    Volta Trump porque o Deus dos cristãos gosta de servidores. O Biden é uma menina.

    1. ‘”É mais fácil um camelo atravessar um buraco da agulha que um rico entrar no reino dos céus”
      Há uma “igreja” evangélica nos EUA, apologista da ostentação de riqueza, que editou Bíblias sem esta frase.

    2. Caro Vento, desde o séc. XVI que existe o protestantismo, e que certamente não concordaria consigo. Os seus dois parágrafos conflituam bastante. Fala da acumulação de riquezas como uma característica judia e depois elogia Trump por estar a especular com uma coisa que nem sequer existe. Se bem que “bezerro de ouro” fosse bem aplicável pelos seus adoradores, como o texto que escrevi bem o demonstra. Até a cor do cabelo ajuda. Vê alguma centelha de valores cristãos em Trump?

      1. A única riqueza que incomoda os protestantes desde o século XVI e a que pertence à ICAR, a deles é considerada sagrada: tal como para judeus do judaísmo.

        Não entendeu obre o bezerro de ouro. Trump não especulou, investiu e angariou 1.1bi. Os mercadores do mercado é que aproveitam a onda para ganhar com algo que ainda não começou.
        Sim, em Trump vejo valor cristão. O mesmo valor que qualquer cristão tem para ser digno de justificação. Atire a primeira pedra se estiver isento. Trump é um grande gajo, até gosta de mulheres.

        1. Claro que percebi. Mas involuntariamente trouxe a figura do Bezerro de Ouro à liça, que se pode perfeitamente enquadrar na de Trump e na sua idolatria pelas massas alt right e pela amoralidade materialista de Wall Street. E sim, Trump especulou e sua fortuna não teve um percurso linear. Ele atirou bastantes pedras bem antes de mim e continua a atirar, sempre com o seu ego inflado. A tal rede social que ele montou é aliás sinal disso. Não há ponta de valores cristãos ali.

          1. Wall street é tão amoral e imoral quanto os ditos gestores e outros mais que pululam por esta nação, até mesmo para se alimentarem de ordenados mínimos que a outros atribuem.
            A right e a alt right são iguais desde que a bufunfa fique allright, a única variante é de ortografia: alright.
            A rede que Trump monta é para desmontar essa right bidesca, a de Biden, e neofascista que se instalou no mundo e na América, que é apoiada e controlada pelos facebooks, istagrams e tantos mais.

          2. Claro, quando não é do agrado “desmontam-se” coisas que antes se usaram para chegar mais alto. Uma liberdade do melhor. Nada como um Telegramezinho ou uma qualquer Truth social, que esse não é nada fascista e deve transmitir valores que alguns, misteriosamente, consideram “cristãos”, como enriquecer fugindo aos impostos, ostentar dinheiro a rodos, usar subterfúgios para ganhar eleições e dizer que o branco é preto e vice-versa.

          3. Eu nunca usei e não uso facebooks ou instagrams ou qualquer outra coisita para chegar mais alto. Do alto já eu sou.
            O telegram, que não uso, é bem melhor que os facebooks e outros, pelo menos vem de um país onde também existem machos, como Putin.
            Enriquecer fugindo aos impostos não é nada mau. Mau é enriquecer roubando, e roubando através de impostos. Nesta matéria os neofascistas alt right em Portugal até puseram o fisco a cobrar as portagens para uma empresa dita privada.
            Na qualidade de tipo que pretende preservar a raça e a cor da pele, não admito que se diga que um branco é preto e um preto é branco. Porém admito que quando está sol qualquer um deles possa provocar sombras descoloradas.
            Acredito que Trump seja mais da raça Indiana Jones que se bate contra os caçadores da arca perdida. De Biden já se pode dizer que “tudo o vento levou”.

          4. Macho, fugir aos impostos não é mau, pretende preservar a raça e apele—O dicurso trumpista tour court.
            Ao menos tenha a decência de não invocar valores cristãos em vão, já que não tem a mesma quando vem chamar aos outros “neofascistas alt right” (afinal a alt right existe? Impressionante como em cada parágrafo diz uma coisa diferente). Tudo essa litania é absolutamente anti-cristã.

  4. Trump continua vivo porque Biden é um fraco. Biden foi o homem para derrubar Trump mas não é o homem para liderar os EUA, basta ver a triste figura perante o Czar Putin na questão ucraniana. Diz alguma coisa os democratas, a dois anos das eleições, andarem já à procura de potenciais candidatos e não equacionarem a recandidatura de Biden. De certa forma é assustador …

    1. Biden tem 79 anos e claramente já não tem capacidade para ser Presidente agora quanto mais recandidatar-se.
      A única razão porque não há um impeachment é porque o jornalismo é quase todo de esquerda e extrema esquerda.

      1. Claro, porque Trump é um jovem viçoso e na flor da idade. A única razão para que o Luke querer o Biden de fora é porque acha que tudo com o que não concorda é de “extrema esquerda”. Que bela demonstração de democracia. Os tipos que assaltaram o capitólio é que era tudo boa rapaziada, não era?

        1. Não não eram boa rapaziada e o Trump foi estúpido durante a campanha ou queria perder consciente ou inconscientemente, mas não mataram ninguém, já o Partido Democrata matou no Verão.
          O que fica marcado mais uma vez, é a importância da violência política em Democracia.

          1. Desculpe? Como é que pode dizer que o partido Democrata matou? Acaso ouviu-os incitar à violência? É tão estapafúrdio como dizer que os Proud Boys são a guarda pretoriana do ex-GOP.

  5. E eu a pensar na tomada de poder dos yuppies portugueses gananciosos como os de wall street , Salgados e Socrates que desviaram milhoes , levaram o país à falencia e continuam a viver as suas vidinhas como se nada tivesse acontecido.

  6. Mais de 20 pessoas morreram na violência política criada após a morte de George Floyd – não foram “protestos” como a narrativa jornalista escreve –
    Quantos seriam se a contabilidade dos 5 mortos aqui fosse empregue. Vejamos, dos 5 só 1 o foi por violência…

    Quando é “discurso de raiva” e quando é “discurso de indignação”?

    Mas temos outros exemplos, é uma invasão quando a polícia abre as portas para a pessoas entrarem? Há muitos vídeos…

    1. Realmente as suas fontes devem mesmo ser “videos”. Que eu saiba, Biden, o tal que o Luke acha que devia ser um impeachment sabe-se lá porquê, não aconselhou propriamente a motins violentos nem a destruições na sequência da morte de Floyd, antes os condenou. Quer mesmo comparar? E os jornalistas alguma vez negaram essas mortes e destruições? Se acha que o assalto ao capitólio é um fait-divers e que o discurso de Trump não teve nada a ver é lá consigo.

  7. Há muito boa gente que esreve e fala sobre Trump a partir do que a informação divulgada pelos panfletos (NY Times, Washington Post…) e pelas cadeias de TVs (CNN, MSNBC…), todos estes orgão de comunicação dependentes do partido de nome “Democrático”, nos EUA.
    Escreve-se e fala-se sobre Trump demonstrando um óbvio desconhecimento do que é, do como é o processo político nos EUA, as realidades, os interesses me jogo naquele gigantesco País. Pura ignorância.
    Ou ainda simplesmente demonstrando tratar-se de um simplório autor das várias, diferentes esquerdas nacionais.

    1. No seu caso nem isso. Não lê qualquer comunicação, já que nem se deu ao trabalho de ler o posto. Se o “simplório autor das esquerdas” é o Bret Easton Ellis, então o simplório é o caro anónimo que não conhece um dos mais viscerais autores americanos das últimas décadas nem ao menos percebeu que a obra é de inícios dos anos noventa.

      1. “…Ellis said he based the character Patrick Bateman in American Psycho on his father,[32] but in a 2010 interview he claimed to have lied about this explanation. Explaining that “Patrick Bateman was about me,”…”
        Óbviamente Ellis retrata a “fauna de Wall Street” a seu gosto. E não é de duvidar que JPP terá os seus saberes sobre essa dita fauna.
        …
        Só me interessou (e continua a interessar) analizar Trump como PR dos EUA. O que ele, como PR, provocou. O que foi, e o que ainda é, nos EUA, Trump, politicamente. Sobre este ponto vista concordemos em discordar.

        1. Essa é uma das declarações de Esaton Ellis sobre o livro, há mais, há inclusive uma tertúlia com Christian Bale. Eu mencionei o livro e usei-o quando passava um ano desde aquele acontecimento grotesco para caracterizar o que representa Trump, e que é muito pouco ideológico (em tempos flirtou com os Democratas).

        2. Essa é uma das declarações de Easton Ellis sobre o livro, há muitas mais, e há inclusive uma tertúlia com Christian Bale. Eu mencionei o livro e usei-o quando passava um ano desde aquele acontecimento grotesco para caracterizar o que representa Trump, e que é muito pouco ideológico (em tempos flirtou com os Democratas).

  8. Pois, de facto não se entende o que quereriam os ditos apoiantes de Trump.
    Um golpe de estado ou insurreição? Ora, não nos tomem por crianças. Não eram aqueles doidos que iriam motivar fosse quem fosse para uma ‘empreitada’ dessas.
    Não sendo isto, só se pode intuir que fosse mais uma ingenuidade daquela gente e do próprio Trump, que já se sabia produzir umas tiradas meias tontas. Não sei bem porquê … talvez problemas de ego, digo eu.

    Massss … desconsiderando o ‘devaneio’, ficaram muitas coisas por explicar!
    Para além do que já disse antes de mim, e bem, lucklucky, o que o ‘excelente’ de João Pedro não nos esclarece é, por exemplo, o que faziam elementos identificados dos ‘antifas’ no meio daquela multidão. Só se fossem ‘antifas’ a apoiar o Trump. Ah ah ah!

    Coitado do Trump, com estas saídas para preencher o ego, nem viu o ‘arranjo’ que lhe prepararam …

    1. Claro, os tipos que entraram por ali dentro a berrar que queriam matar não sei quantas pessoas eram uns simpáticos provincianos que iam pedir conselhos ao representantes dos respectivos estados. Mesmo maus eram os antifas que lá se encontravam, embora curiosamente não haja qualquer traço de nenhum a não ser pelas “informações”, completamente desacreditadas, dadas por um ou outro daqueles pândegos. É isso, a culpa da violência no Capitólio é dos antifas, assim como foram os judeus a incendiar o Reichstag e a Polónia a provocar a Alemanha em 1939, de forma que esta não teve outra solução senão invadi-la.

      1. Leio-o há anos por aqui (e não só) e até hoje com prazer mas confesso que se o seu post já me pareceu pouco informado e parcial em vários aspectos, as suas reacções são um pouco incompreensíveis (o último parágrafo desta última é de “rede social” e não do melhor blogue que ainda por aí anda).
        Não sei se V. estava convencido que ía ser louvado e assim não apreciou as críticas (é humano, eu também não gosto que me contrariem muito) mas foi V. que começou…

        Mas talvez não fôsse inútil para todos os que escrevem sobre os EUA lembrarem-se que aquilo não é um país, é um continente (o Canadá é do mesmo tamanho e tem menos de 1/8 da população, não conta) e que nos EUA há 2 partidos, ambos de direita pelos critérios europeus (ainda que um mais à direita que o outro).
        Portanto ler o que se passa lá à luz da nossa ridícula dimensão no branco e preto do esquerda e direita desta parvónia é demasiado redutor vindo de todos os que nos querem pôr a pensar como sei ser o seu caso.

        Um bom ano 2022

        1. Fui parcial, sim, porque há coisas perante as quais não se pode ser neutro. E a resposta pode ser uma boca a la facebook, mas o pensamento era este. Podem considerar isto uma reductio a hitlerum. Prezo sobretudo um mínimo de honestidade intelectual.
          Porque é exactamente isso do que se trata. Não pense que vi as coisas pela rama ou que me informo sobre os EUA apenas pela CNN. Sei perfeitamente o perigo que são certas teorias identitárias que provocaram o wokismo e o politicamente correcto, e que só podiam nascer no puritanismo norte-americano (hei de escrever sobre isto). Mas também sei que o oposto, no outro extremo, é igualmente nocivo, e foi uma representação disso que vimos durante a presidência Trump que culminou com a sua não aceitação dos resultados e o ataque ao capitólio. Não falamos de um episódio menor. Falamos de um atentado à democracia americana, de factos inéditos pelo menos desde a secessão e que tentam desculpabilizar ainda para mais servindo-se de falsidades (como a presença das antifa no assalto). Sim, podia ser um momento incêndio do Reichstag se não fosse perfeitamente identificado. Assim como não valia tudo contra o bolchevismo, não vale tudo contra o wokismo. Há coisas que não se desculpam nem se

        2. Fui parcial, sim, porque há coisas perante as quais não se pode ser neutro. E a resposta pode ser uma boca a la facebook, mas o pensamento era este. Podem considerar isto uma reductio a hitlerum. Prezo sobretudo um mínimo de honestidade intelectual.
          Porque é exactamente isso do que se trata. Não pense que vi as coisas pela rama ou que me informo sobre os EUA apenas pela CNN. Sei perfeitamente o perigo que são certas teorias identitárias que provocaram o wokismo e o politicamente correcto, e que só podiam nascer no puritanismo norte-americano (hei de escrever sobre isto). Mas também sei que o oposto, no outro extremo, é igualmente nocivo, e foi uma representação disso que vimos durante a presidência Trump que culminou com a sua não aceitação dos resultados e o ataque ao capitólio. Não falamos de um episódio menor. Falamos de um atentado à democracia americana, de factos inéditos pelo menos desde a secessão e que tentam desculpabilizar ainda para mais servindo-se de falsidades (como a presença das antifa no assalto). Sim, podia ser um momento incêndio do Reichstag se não fosse perfeitamente identificado. Assim como não valia tudo contra o bolchevismo, não vale tudo contra o wokismo. Há coisas que não se desculpam nem se podem ignorar.

          bom ano também, em todo o caso melhor que 2021 (e 2020).

      2. Eu não disse quais eram os bons e os outros eram maus, muito menos comparei com quaisquer outros acontecimentos. Esse juízo e comparação emitiu-os o cronista, nanja eu!
        E também não vou fazê-lo agora.
        Mas deixo-lhe duas modestas sugestões.
        1) Estude bem os factos que refere e evite, quanto possível, falar por ouvir dizer.
        2) Leia com atenção o Anónimo que comentou antes de mim.

        1. Já respondi ao comentário anterior. Satisfeito? E fique certo de que não escrevi “porque ouvi dizer”. Afirmar que havia lá antifa, isso sim é ouvir o primeiro boato que nos convém. Não tenho qualquer espécie de simpatia pelos ditos antifa, mas não atribuo culpas a quem não as tem. Por isso, agradecia que antes de me dizer para “estudar os factos”, o fizesse o caro João Brandão.

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