(Transcrevo um postal meu no facebook, apenas elidindo uma expressão trocada pelo seu acrónimo):
Há alguns dias uma consóror bloguista enviou-me esta palestra muito interessante, longa mas bem animada, com sageza e humor. Forma de olhar um Brasil(eiro) relevante, neste dia, nesta era, tão peculiares. Nada tendo a ver aproveito para deixar duas impressões, uma sobre o PSD (partido ao qual me liga nele ter votado em 1999) e outra sobre o não-PSD.
1 – tenho várias ligações-FB de veementes adeptos desse partido. Não todos mas vários, até dos mais arreigados (tipo com fotos de PPC afixadas nos murais), transpiram simpatia pelo efeito bolsonárico, entre o sarcasmo e a ironia face aos escombros da “esquerda” e a empatia com os dichotes do futuro presidente. Tenho alguma dificuldade em compreender como quem todos os dias defende a prévia PGR (como eu o faço) tem algum apreço por um tipo que proclama a tortura como um necessário instrumento de investigação; que quem se ira com MRS a exigir silêncio substantivo a Cavaco Silva considere despiciendo que se proclame a necessidade de matar Fernando Henrique Cardoso; que indignados com os kamovs de Costa e seu “não me faça rir” diante da desgraça florestal lusa achem piada ao anúncio da privatização dos restos da floresta brasileira; e por aí adiante. Sarcasmo ou pirraça para serem laicados que tudo isso seja.
Acho que esta gente vai ser um problema … para o PSD, coito deste rebotalho. E digo-o com pena, preparado que estava para votar em PPC (pessoa que isento desta vergonha toda) na sua desejável candidatura contra o inaceitável PR que vamos tendo. Mas se na sua base de apoio abundarem estes piadísticos desprezíveis isso ser-me-á impossível. Por questões ideológicas: pois se nada tenho contra as aspirantes a modelos (como a actual gentrificação da prostituição consigna) tudo me move contra aquilo, tão diferente, dos “fdps”: esta mescla de blasés imbecis e de lineares fascistas.
2. Muitos devaneios se escreveram sobre o Brasil (ainda há pouco aqui vi transcrição de uma intelectual pomposa botando ontem que são os ricos que apoiam Bolsonaro. Viu-se …). Mas talvez o mais significativo foi o que li ontem, um enfático apelo de uma intelectual a um não Bolsonaro em nome dos “mulheres, homossexuais, afrodescendentes, ameríndios“. Um tipo olha para isto e pensa “quer-se dizer, um gajo como eu, homem, medianamente heterossexual, totalmente eurodescendente, não serve?”. Ou vai como mero “companheiro de viela”?
Talvez tudo isto promova um “efeito Bolsonaro” em algumas mentes: por um lado, e de uma vez por todas, a consciência de que a criminalização do exercício de funções políticas, que o PT praticou, promove a extrema fragilização das instituições e das adesões democráticas. Ou seja, que não é preciso esperar que o deputado Galamba, tarde e a péssimas horas, se pronuncie contra o fartar vilanagem para que as pessoas se sintam legitimadas para criticar a “esquerda”; e, por outro lado, a percepção que esta visão comunitarista, centrada na imaginação e estrategização de raças, géneros, comunidades de crentes e tralhas afins, é uma mera importação de agendas e modos de pensar, e é insuficiente. E incompetente. Por mais simpáticos que sejam (alguns) objectivos. E pensar que há que largar este danado radicalismo cristão, a fusão de poder(es) e culpa, alimentado pelas esquizofrénicas ciências sociais embrenhadas na cartografia denunciatória e ilegitimadora dos (micro)poderes. Pois estes, “injustos” que surjam, são ordenadores, são vistos como tal e, afinal, são requeridos como tal. Como se viu, ai, ai, ontem. Por maiores ou melhores “políticas” que os queiram combater …
Há sempre uma outra solução, a tradicional: dizer que os outros estão alienados quando pensam/actuam diferente do que nós pensamos. E que estão iluminados quando connosco concordam. Honestamente, aos 54 anos (e dito trumpista, homofóbico, quase-nazi, ressabiado, invejoso, fascista e, mais-do-que-tudo, lusotropicalista), nada percebo do Brasil e pouco mais sobre o resto. E gostava de ser algo iluminado. Mas estou farto destes pirilampos que se acham focos eléctricos.

Não sei se PPC estará tão isento desses “outros” como dá a entender no post. Foi PPC quem trouxe a ruptura ideológica ao PSD trazendo para dentro do partido gente de outros quadrantes “radicais”. Lembro-me de André Ventura, por exemplo, apoiado por PPC. Lembro-me do deputado da “Peste Grisalha” ,perante o silêncio de PPC. Lembro-me ainda de desemprego como uma oportunidade, do género “Foi despedido? Parabéns! Aproveite para criar a sua empresa e ficar rico!”
Essa insensibilidade, essa falta de empatia para com os desafortunados, pelas leituras fáceis da realidade, começaram no meu país com PPC. PPC iniciou no discurso político a lógica de que não existem vítimas, apenas vitimização. Nunca antes dele se falou na necessidade, pela recusa do tradicional PSD da cartilha ideológica neo-liberal, extremista de PPC e seus companheiros, de um Partido à Direita dos tradicionais CDS e PSD. Sintomático num país que elegeu Salazar como a mais importante personalidade portuguesa e se dá muitíssimo bem com políticos paternalistas ou autoritários – Cavaco,por um lado. Marcelo ,do outro
Portugal está maduro para um Sidónio
Não nego, e blogo-critiquei, esse “(a)venturareismo” do PSD de PPC. Mas por maior inflexão liberal – também fruto dos ares dos tempos e do espartilho da crise – que o PSD de PPC tenha tido quis aqui distinguir – porque é necessário nestes tempos de uma esquerda tresloucamente invectivadora – entre os liberais económicos este fantochada fascizante dos meninos de Lisboa
Sim, jpt. Os imoderados têm -se agigantado aos ombros da imoderação dos moderados.
Ora nem mais, expressão bem sacada. Este é o tipo de comentários que blogs que realçam o “comentário da semana” poderiam elevar a postal …
Obrigado.
Essa ruptura “ideológica” de PPC : criou mais impostos, aumentou impostos, criou mais leis e deu mais poder do Estado, foi ainda um apoiante do Marxismo/Corporativismo das classes sexuais.
Foi isto PPC. praticamente igual aos outros antes dele, igual aos outros depois dele, sempre a caminhar a sociedade para a entropia revolucionária.
A única coisa boa de PPC foi dizer não a Salgado.
Mesmo que fosse só isso já teria sido mais do que suficiente
Isso foi só uma gota dissonante no oceano de destruição que ele e todos os outros estão a ajudar a construir: Punir quem produz e quem cria.
Mas porque será essa vontade destrutiva que V. denuncia? Pura maldade deles, vertigem suicidária? Traição?
Sumariando, tudo se resume à crise energética, que por razões evidentes ocorre pós-revolução industrial… daí tantos parecerem querer voltar ao iluminismo da era medieval, será? Feudos e plenipotencialismos entrechocando-se, nas Américas como nas Europas…
nem tanto. Basta ligar o candeeiro e tentar ler um bocado. Coisa que estes letrados desprezam, por mais lidos que sejam
Mais uma vez, crise energética: peneirar trigo e joio cansa mais uns que outros.
PPC esta muito proximos dos evangélicos…entregou a Tap aos evangélicos….e as comunicações dos portugueses aos judeus holandeses…tudo como manda a biblia evangelica…roubar aos portugueses=catolicos para dar aos judeus…
Olha, esta linha conspirativa nunca tinha encontrado
E eu nunca tinha visto os evangélicos como homens de mão dos judeus!
Mas isso é óbvio, distracção sua
E agora fiquei sem saber se ironizou com o que eu disse, se foi sarcástico devido ao comentário original ou se foi literal
os emoji e emoticon até que ajudam quando não se pode ler a resposta neuro-linguística 🙂
abomino esses sinaizinhos
fui irónico, com o contra-comentário, sarcástico com o comentário
jpt, esses sinaizinhos substituem, nesta mesa de tasca, o encolher de ombros, o sorriso, o olhar enfadado…
Também não gostava – a escrita pura, caramba!, a escrita pura… e fui percebendo que a escrita pura nascera monólogo, o diálogo escritor/leitor era-o em diferido – inexistente, portanto, o autor não respondia.
Nas peças de teatro, o autor dá indicações quanto ao cenário e até quanto às emoções. No livro, o autor descreve o ambiente, escreve mesmo os esgares e os choros e as gargalhadas…
Nesta comunicação directa, por vezes em tempo real, os sinais são o que nos permitem transmitir ao outro ou aos outros a expressão corporal que teríamos se à mesma mesa. Porque se a escrita sempre foi viva, aqui também é comunicação directa – e eu gesticulo para caramba.
seja, mas há os sinais gráficos E depois, não há sinalzinho que substitua a ênfase de um arquear de sobrancelha …
Os emoticons são considerados sinais gráficos (sorriso) vê? Este sorriso entre parêntesis, que até era um sorriso divertido, saiu-se-me escrito em tons de amarelo, como se os parêntesis, em vez de arquearem, me distendessem os lábios. :S
Quanto à insubstituibilidade, concordo. São o placebo possível.