O pardalzinho nasceu
Livre. Quebraram-lhe a asa.
Sacha lhe deu uma casa,
Água, comida e carinhos.
Foram cuidados em vão:
A casa era uma prisão,
O pardalzinho morreu.
O corpo Sacha enterrou
No jardim; a alma, essa voou
Para o céu dos passarinhos!
Manuel Bandeira (1940)


Têm. É a barriga dos gatos. Mas isso era no tempo em que estes caçavam. Agora são todos uns mariconços que só comem coisas esquisitas.
Bom poema.
Absoluto e terno.
Um pardalzinho mais sortudo que os humanos, pelo menos, nasceu livre, sentiu-lhe o gosto porque, isto de pôr os humanos a carregar dívidas, mesmo antes de nascer é, apenas, uma outra maneira de se nascer escravo.
De várias maneiras e ao longo da História, uma minoria tem dedicado o seu tempo a partir “asas”, depois dão-lhes “casa, água, comida e carinhos” mas, em vão porque, cada vez, se veem mais humanos infelizes e com as almas mais vazias. Quanto ao “céu”, se não o conseguirem encontrar na Terra, não o encontrarão em mais lado nenhum.
Como essa minoria nos vê? Basta ouvir a inacreditável frase do presidente alemão Joachim Gauck: “The elites are not the problem, the people are the problem”.
Realmente, deve ser uma chatice, haver “pardais” que começam a estar fartos de viver nas suas “gaiolas”.
Há por aí muitos “pardais” que sentem um certo desconforto e até pressentem que há algo de muito errado neste Mundo e que até podia ser muito melhor, só não conseguem enxergar que vivem, coagidos e subjugados, dentro de “gaiolas” e só têm direito à “alpista” que um qualquer Sacha quiser dar. No entanto, não faltam “pardais” acomodados às suas “pequenas gaiolas” e, por medo ou preguiça, nem conseguem imaginar o Mundo de outra maneira.
Vivemos tempos de incerteza, a dúvida estará entre, conseguir sair das “gaiolas” ou ficarmos presos para toda a eternidade e, para “os pardais”, as previsões são cada vez mais negativas.
Tão lindo!
Desculpa a minha opinião e não leves a mal pelo que vou dizer,mas este poema é demasiado triste!!