Em Espanha, o primeiro-ministro propõe um aumento de impostos na ordem dos 1,5% do PIB para fazer face ao crescimento do défice orçamental. Em Inglaterra, todos (repito, todos) os principais partidos políticos debatem que despesas é que se irão cortar para lutar contra o défice orçamental. E em Portugal? Será que nos preocupamos com isso? Claro que não. Para quê? Afinal o défice do subsector Estado só subiu 154% nos 8 primeiros meses do ano.
Mas não faz mal. O dinheiro há-de dar para tudo. Para TGVs, para auto-estradas, para novos aeroportos, para ajudas às PMEs, para aumentar os salários acima da inflação, para Planos Tecnológicos, para para para… É que, como sabemos, as regras que se aplicam aos outros não se aplicam a nós. E, se é assim, para quê nos preocuparmos?

Sobre o monstro…
Com a dívida a esburacar
a um ritmo impetuoso,
não há forma de estacar
este E(e)stado untuoso.
O monstro esfomeado
não pára de engrandecer,
este país branqueado
continua a ensandecer.
Sobre o TGV…
Segue veloz, velozmente,
com o pé no acelerador,
um condutor loucamente,
loucamente ameaçador.
É alta a velocidade
sobre carris faustosos,
discorrendo a vaidade
de estudos desditosos.
Epílogo
A sociedade é trucidada
a bem da democracia,
democracia comandada
por uma vil aristocracia.
Em Inglaterra e em Espanha (e podíamos juntar a Grécia e a Irlanda) os governos estão a derrapar nas sondagens. Nós não queríamos isso por cá, pois não? É só deixar passar as eleições. 2010/2011 vão ser anos interessantes.