Na gestão privada, quando a Administração da empresa faz asneira, tenta encontrar um esquema que permita convencer os accionistas e o mercado de que, apesar de tudo, o negócio foi proveitoso. Com sorte, safa-se no curto prazo e depois logo se vê. Na gestão pública, o Estado tapa o buraco, no curto e no médio prazo, com o dinheiro dos contribuintes. E depois logo se vê.
Os negócios Roberto e BPN
Rui Rocha,

A ver vamos, como dizia o cego. Hehe…
Se o Estado nos pagar os óculos, claro.
Paga sempre o contribuinte. No caso do Roberto, falta saber se é o contribuinte português, espanhol ou… chinês.
O Paulo Futre tinha razão. A solução disto tudo está na China…
No caso BPN, os óculos do “regulador” andaram durante anos sem a graduação adequada. Só isso explica a inacção de Vítor Constâncio, que levou anos a descobrir algum tipo de irregularidade nas contas daquele banco. Ainda por cima foi recompensado pela miopia.
É verdade, Pedro. No caso BPN, as acções deveriam ter sido “suspensas” há muito tempo.
Ao escolher um banco angolano para ficar com o BPN, na minha opinião o governo mostrou sentido de estado, e defendeu o interesse nacional. Já para não falar da pouca consistencia das outras ofertas.
Como andamos um pouco embriagados com a cortina de fumo que os media em geral levantaram à volta deste governo, ainda não nos apercebemos bem, o que pode estar para acontecer na Europa, se a Espanha e a Italia como tudo indica, tiverem de ser resgatadas: a velha nau chamada Europa, mil anos de civilização podem estar perto de ir ao fundo, e não há quem nos acuda, nem dinheiro para a manter à tona.
Por isso, continuo a pensar que o nosso futuro passa por Angola, ( o Brasil é uma treta, eles não querem saber de nós para nada), e quanto mais e maiores ligações tivermos com eles, melhor.
Não tenho dúvida de que Angola é um interlocutor prioritário da nossa diplomacia económica, Alexandre. É claro que isso implica uma opção pela realpolitik e prescindir de certos valores. Por outro lado, a evolução natural das coisas e das circunstâncias fará que Portugal se coloque numa posição de subalternidade face ao poder das empresas e do Estado angolanos.