



É de bom-tom criticar os principais partidos com representação parlamentar, como se a pureza doutrinária e a bondade cívica morassem algures, noutras forças políticas, sem acesso aos circuitos do poder.
Nada como espreitar uma campanha eleitoral na televisão para averiguar se isso é verdade. Sobretudo os tempos de antena, confiados à responsabilidade destas agremiações partidárias sem assento na Assembleia da República. É pedagógico, a vários títulos. Desde logo para desfazer ilusões sobre o suposto mérito de quase todas.
Dez dias a acompanhar estes espaços de propaganda elucidaram-nos sobre tais grupos alternativos, que vão da extrema-esquerda à extrema-direita. Valeu a pena o esforço.
Os anos passam, as décadas sucedem-se, mas há coisas que não mudam nos tempos de antena. Ao som da “Internacional”, reencontrámos o vetusto PCTP-MRPP envolto em naftalina exibindo a foice num país sem agricultores e o martelo numa nação desprovida de carpinteiros. Nem um bom canalizador se arranja por estes dias, quanto mais um ceifeiro…
Outro micropartido já repetente é o MPT, fundado pelo saudoso arquitecto Ribeiro Telles em melhores tempos. Mensagem actual pouco acima do zero: mera colagem de frases ao nível de turma liceal, do género «o planeta não pode esperar mais». Talvez a mais original tenha sido esta: «Todos gostamos da sombra das árvores mas poucos cuidam delas.»
Mais original, um partido caloiro chamado Volt sugere a criação de um novo ministério – o da Digitalização. Para «reduzir os processos burocráticos». Nas próximas eleições, pela mesma lógica, hão-de propor um Ministério da Verdade para extinguir as fake news. Fica a sugestão.
E que mais? O partido do Tino de Rans sempre a mostrar… o Tino de Rans. A distribuir beijinhos e abracinhos como se fosse concorrer a Miss Universo. Tem, pelo menos, o mérito de nada prometer. Ao contrário do Nós Cidadãos, que não faz a coisa por menos: reivindica uma «revolução da cidadania», seja lá o que isso for. Com direito a cantiguinha, para animar a malta. «É preciso dar as mãos para um país diferente», reza o refrão. Também a jovem Aliança debitou cantilena: «Aliança, Aliança! Votemos na Aliança!» Profundíssimo.
Outros partidos surgiram sem trolaró. Façanhudos, zangadíssimos, com vontade de nos bater. Um deles usa hífen: Ergue-te. Declara combate sem tréguas «contra este regime podre, maçónico-corrupto», e parece ansioso por «reverter os fluxos migratórios». Outro, sem hífen, diz chamar-se ADN: nega a pandemia e proclama-se inimigo dos certificados digitais. Enfrenta o coronavírus sem máscaras nem vacinas.
Quem se sente farto dos “partidos do sistema” devia prestar atenção a estes grupos pseudo-alternativos e extrair as devidas conclusões. Ao menos podiam ser diferentes na linguagem, mas nem isso: aliviam-se a soletrar lugares-comuns. Com palavrões como sustentabilidade, priorizar, implementar, descarbonizar, paradigma, janela de oportunidade. Em comparação, até o defunto “proletariado” do MRPP quase cheira a novidade.
Texto publicado no semanário Novo

Cheguei a votar no MPT quando era jovem, ingénuo e se calhar incongruente…
Agora deixei mesmo de votar
mal feito. É um direito que tem, mas parece-me mero desaproveitamento.
Não é desperdício, é mesmo falta de fé nesta gente. Só um terramoto 9.6 seguido de um maremoto e depois um tufão com sida cósmica e se calhar um ataque nuclear pelo sim pelo não é que pode endireitar isto.
Os pequenos partidos não tem dimensão nem habilidades para albergar e difundir as perniciosas manhas dos que se fizeram donos da podridão onde vegetam
“O partido do Tino de Rans sempre a mostrar… o Tino de Rans. A distribuir beijinhos e abracinhos como se fosse concorrer a Miss Universo.”
Mas tem o concorrente Marcelo que com pequenos intervalos para refrescar já ostenta o titulo vitalício de campeão das aparições onde quer que haja alguém para o ver e ouvir, como se estivesse a concorrer a ocupante mor do andor das crenças celestiais.
Bom dia Pedro Correia
Com a devida vénia assino por baixo. No meu “Chapéus” alguns comentários superficiais coloquei, e passei por cima dos “grupúsculos” exactamente pelo que, a meu ver, bem refere.
E, opinião pessoal, isto bem retrata a formação real na sociedade portuguesa.
Ilusões de que tudo é/ será simples, tudo a cair do Céu. Bom Domingo, saúde.
António Cabral
Infelizmente o POUS não se encontra entre nós.
Realmente, se o RIR é o Tino, que é o Chega que não o André.
O volt defende a Europa federal, não são tão burros quanto isso. Mais vale assumir ser um estado vassalo.
Sim, mas se fugirmos alguns (bem seleccionados) para o Ribatejo, ainda podemos fazer um estado cavalo
estive a assistir
o Big Bang originou o estado e este criou mais tarde os contribuintes
por isso estes existem para servir o estado
ofendem-me se me chamarem cidadão
Quem for fraco de vista, ver-se-á um tanto ou quanto grego para descobrir, no meio daquela amálgama simbológica, qual o seu partido de eleição. Será a expressão dividir para conquistar levada ao extremo dos sinais dos tempos?
O defunto grande educador mrpp já não é preciso para nada, a confusão foi armada no tempo em que ninguém lhes dizia “vocês querem um Portugal como a Albânia”. Ainda está a ser estudado pq é que as suas estrelas de educadores não conseguiram ser eleitas deputados. E que estrelas por lá houve com saídas de prestígio, não seguindo o caminho de delegado de propaganda médica, antes de prestigiado vendedor de vacinas covid.
Mais um assunto em que estamos de acordo. Como se dizia, “Nem sempre nem nunca”.
Registo com agrado.