Os meus problemas com o Facebook


Teresa Ribeiro,

Aquilo que faz sentido comentar com os amigos do liceu, não faz sentido comentar com os meus colegas de trabalho. O que faz sentido comentar com os meus colegas de trabalho, não interessa às minhas primas. O que interessa às minhas primas pode não interessar aos meus parceiros de blogue. O que os meus parceiros de blogue gostam de discutir pode não ser assunto para os meus colegas de curso.

Podem argumentar: ah mas para comunicações mais personalizadas pode mandar-se mensagem. Só que para esse efeito, digo eu, tenho o meu email.

Uma solução para este imbróglio comunicacional é procurar um denominador comum entre os vários grupos de “amigos” e só comentar o que possa interessar a todos, como as notícias que circulam no momento e trivialidades do dia-a-dia, ou seja, conversa de café. Só que esse é o tipo de conversa que para ser completa precisa de gestos e inflexões de voz. O LOL não me estimula e o like é um assentimento que pode ter múltiplas leituras. A falta que fazem as inflexões de voz quando se trocam piadas e a prosa corre sanguínea ou ligeira, conforme os humores…

Ná! Por escrito, uma conversa de café não é a mesma coisa.

Há quem diga que se serve do Facebook só para questões de trabalho. Mas nesse caso não faz mais sentido usar as redes de profissionais?

 

23 comentários em “Os meus problemas com o Facebook”

  1. Uma vez, por obrigação e só por isso, criei uma conta de Facebook. Dei-lhe tanto uso que nem sei qual é a password e assim, presumo, haverá uma Eu que tem Facebook algures no hiper-espaço mas que não sou Eu porque eu não tenho Facebook.

    1. Aconteceu-me algo semelhante. Cedi a pressões, lá criei a conta, sei a password mas só lá vou esporadicamente, quando no mail me aparece uma mensagem a avisar-me de algumas movimentações de “amigos”. Quando dou por isso tenho lá fotografias que não linkei e uma salada de posts que me levaria horas a ler. De modo que fujo e deixo aquilo no limbo. Até ao dia da conversão ou do corte definitivo.

    2. Cara Loira
      Pois eu tinha uma conta que alguém abriu por mim – inadmissível, mas verdadeiro – e agora há mais outra em meu nome, além da que a minha editora abriu para publicitar os meus livros e a única que eu consenti.
      Temos assim HSC para todos os gostos e idades…e de nenhuma sei a password!

  2. Compreendo-a perfeitamente e revejo-me nesse seu “problema”, sendo certo que por vezes me sinto um E.T. quando digo que não tenho facebook… mas nada que me incomode muito!

    1. Também me sinto uma E.T. apesar de ter conta, IMMC. Não ter conta ou não passar cartão à conta que se tem provoca a mesma desconfiança nos outros, idêntica à que os crentes dispensam aos ateus e aos agnósticos 🙂

  3. Embora entenda os argumentos expostos penso que se tornou moda ultimamente criticar o Facebook. Um abraço.

  4. A verdade Teresa, é que não fosse o eu estar for do país e já tinha apagado a minha conta de facebook. Cada vez a actualizo menos, especialmente porque há demasiadas pessoas com quem não falo em pessoa há muito tempo que lá interagem comigo e aqueles com quem falo (por telefone/skype/em pessoa) mais habitualmente ficam frequentemente silenciosos em relação ao que lá partilho.

    A certa altura decidi, mais por questões de privacidade que outra coisa, criar vários grupos: amigos chegados, família, colegas de trabalho, colegas de universidade, etc. Quando partilho, escolho os grupos que podem ler (por exemplo: se escrever em português costumo excluir os grupos para estrangeiros, para não lhe contaminar as actualizações). Quem não pertence a nenhum grupo só pode ver alguma da informação disponível (um par de fotografias, uma ou outra actualização esporádica).

    De tempos a tempos faço a lide da casa e “desamigo” as pessoas com quem não tenho contacto habitual. Torna-se para mim um motivo de orgulho ver reduzir-se o número de “amigos” sabendo que é gente com quem não tenho contacto há anos.

    Coisas de trabalho ficam para e-mail e LinkedIn (e Xing). O Facebook não é sítio para isso.

    1. Sigo mais ou menos essas tuas normas, João (e utilizo o facebook diariamente para manter contacto e discussões com um grupo de amigos e conhecidos sobre gostos comuns – leia-se ficção científica e coisas do género). Tenho mais duas regras que raramente quebro: não adiciono pessoas que não conheça pessoalmente, mesmo que interaja com elas em alguns grupos de discussão (a excepção são os parceiros de jogos online de toda a Europa que, em bom rigor, foram quem me levou a fazer conta na rede social em 2008; e acabei por conhecê-los quase todos em pessoa, de qualquer forma); e em circunstância alguma adiciono colegas de trabalho, por melhor que seja a nossa relação (mantenho o contacto de ex-colegas, mas só os adicionei ao facebook quando um de nós deixou o trabalho comum). Felizmente, os meus pais não utilizam coisas destas – não preciso de me preocupar com questões familiares.

      E ainda utilizo um nome falso, perfeitamente plausível, que contorna as normas do facebook para essas questões.

      No resto, tenho todas as definições de privacidade activadas. A experiência é tão fechada quanto possível naquele meio.

      1. No FB tenho por exemplo um novo grupo para os nossos colegas de blogue :). Mas uso sempre o meu nome real (essencialmente porque estou fora, lá está) mas já comecei a considerar mudar um pouco as regras do jogo para evitar ter novas pessoas com quem não quero contacto a descobrir-me com a nova funcionalidade de procura do Facebook. No dia em que removerem a possibilidade de bloquear as buscas através de motores de pesquisa externos (i.e., quando eu puder passar a ser encontrado pelo Google), abandono o Facebook.

      1. Não é muito complicado Teresa, se precisares de ajuda a fazê-lo é só dizeres. O mais chato (porque demora algum tempo) é alterar as definições de privacidade para cada grupo e adicionar pessoas específicas aos grupos.

        1. Obrigada, João. Se eu estivesse longe, como tu, não pensava duas vezes. Assim, não sei se quero dar-me ao trabalho. Para além do problema da gestão da informação que se produz que eu foquei no post ainda há a questão do tempo que se perde a olhar para o ecrã do computador. Para mim o computador é essencialmente um instrumento de trabalho. Já passo tantas horas a olhar para ele que não me apetece ficar ainda mais dependente. Como trabalho por conta própria faço os meus horários, portanto nem sequer tenho “tempos mortos” para preencher durante o expediente, que é o que explica a disponibilidade da maioria dos utilizadores das redes sociais.

  5. O facebook e a bimby são dois amores/ódios de estimação dos portugueses. Tudo porque lhes atribuimos sentimentos ou porque temos sentimentos por eles, quando são, simplesmente, agradáveis e úteis ferramentas. Uso ambos com regularidade, mas confesso desde já que nunca fui para a cama com nenhum deles… 😉

      1. Lá isso é verdade, mas vê a coisa pelo lado positivo: para os noctívagos sempre é melhor do que ficar pendurado na televisão a ver as televendas… 🙂

    1. Mas foste para a cozinha!
      Ora na minha cozinha tenho tudo menos…a Bimby. Há robots, há varinhas, há 123, há copo para liquefazer, tudo e tudo, menos essa senhora mal afamada que se impõe como a rainha do meu reino.
      Face autorizado, só o da editora. Mas tenho uns clones da HSC que não sei quem abriu, nem quando. E para todas as idades…

      1. Guilty as charged, my dear. Mas, lá está, é uma máquina como as outras, só faz o que eu a mando fazer… na minha cozinha a única rainha sou eu! 🙂

  6. Gostei do seu post.
    Não tenho, nem pretendo quaisquer Facebooks da nossa praça, provavelmente devem ter o seu “quê” de interessante para a disseminação ser alucinante, mas e como dizia o outro: – prefiro ter uma dúzia de amigos a cinco mil … Mania? talvez.

  7. A Google desenvolveu uma maquineta qualquer com um pequeno ecrã transparente, que se aplica nos óculos normais. Com essa maquineta parecemos um “robô-cop”, mas olhamos para uma pessoa e automaticamente é-nos apresentada toda a informação disponível do sujeito. Toda essa informação é recolhida das redes sociais. Só olhando. E esta, ehm?

    1. Ana, eu não critico quem lá vai e apesar de eu quase nunca frequentar a minha página, se a mantenho é porque já me serviu, por exemplo, para reencontrar amigos que de outra forma dificilmente voltaria a contactar. Essa é uma das coisas boas do Facebook.
      Os efeitos perversos como os que descreveste no post que linkaste são apenas um sintoma. Não é o facebook que produz indivíduos associais, os indivíduos associais é que se enterram no facebook. Mal comparado é como a eterna discussão que se faz em torno da televisão e das criancinhas. A televisão não as torna violentas, só estimula a agressividade que já manifestam.
      Dito isto, o FB não me atrai como meio de convívio pelas limitações que descrevi no post. Sou muito analógica. Gosto de olhos, de vozes e de mãos quando estou na palheta. A escrita para mim tem outra função. Serve para o debate de ideias (o modelo das redes sociais é minimal, por isso prefiro os blogs) ou então, num registo mais intimista, para encher diários, namorar (por sms) ou escrever cartas aos amigos (por email).
      A devassa, de que nem sequer falei neste post, também me incomoda. Sabe-se que mesmo gerindo bem a informação há dados que acabam por ficar por aí. Chateia-me. Acho que é isso que compromete de vez a minha boa relação com a coisa.

  8. Vim, e tardiamente, comentar. Mas o João André já avançou o que eu quis dizer. Tenho milhares de ligações no fb, devido ao bloguismo. O fb serve-me para ir divulgando uma cada vez menor actividade bloguística. Nesse contexto tenho tudo arrumado em grupos, o que me permite controlar o que quero divulgar (na prática não divulgo nada de pessoal mas isso é mera opção) mas também o que quero ver. Como o joão André diz tenho grupos [bloguistas, amigos, família, etc] Vejo o que quero, partilho com quem quero, apenas com o custo de um clic. A “coisa” bloguística partilho com todos, automaticamente (há aplicações para isso).

    Entretanto cada vez tenho menos emails. E parece-me que a discussão sobre o fb perde razão, é como se estivessemos a discutir a pertinência do email, hoje.

    Quanto a redes sociais permito-me referir: há profissionais que gostam da linkedin, mas para o meu percurso não é relevante. Mas é a academia.edu, um manancial de informação espantoso. E a pinterest é uma absoluta delícia.

    Digo-o pois parece-me que será tempo de nos deixarmos de discutir as malevolências e as inutilidades das redes sociais. Eu também resisti ao telemóvel. Mas já tenho (e há bem mais do que uma década)

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