Não nos enganemos. A crítica a uma acção policial pode ter diversos pontos de partida. Aquele em que me coloco é o da defesa do estado de direito democrático. Sob este prisma, uma actuação policial será criticável sempre que se situar à margem da legalidade ou violar os princípios da proporcionalidade e da adequação à ameaça que pretende prevenir ou mitigar. Se tal acontecer, a crítica deve ser radical e o apuramento de responsabilidades, com as respectivas consequências, é um imperativo. Neste contexto, a crítica e a responsabilidade são a melhor defesa, em rigor a única, dos fundamentos do estado de direito e da própria polícia. Posição bem diferente é, todavia, a daqueles que, por princípio, atacam a actuação policial em qualquer circunstância. E que aproveitam os erros das forças da ordem para minar a sua credibilidade e limitar (ou esvaziar) a sua capacidade de intervenção. Pretendem uma sociedade sem regra e sem lei. Ou melhor dito, querem substituir a ordem vigente por uma outra, a sua, muito mais tenebrosa. Com estes, naturalmente não alinho. Nem com aqueles outros que encontram modo de vida em fumar umas ganzas, beber umas cervejolas e mandar umas bocas e umas cadeiras à bofia. Os meus heróis não fumam ganza. Ou, se fumam, não são meus heróis por fumarem ganza, mas por fazerem outras coisas que valorizo. E os meus heróis também não são papagaios que, debaixo da penugem da falsificação intelectual, escondem a vontade de nos encurralar em sistemas totalitários ou na anarquia. Esta parece-me ser a matriz de leitura correcta para os acontecimentos do Chiado, para as novas imagens que vão sendo divulgadas e para as múltiplas reacções a que temos assistido nos últimos dias.

é como o azeite.
Exacto.
Os meus heróis não têm emprego. Mas não é por isso que são meus heróis. São meus heróis porque, apesar disso, procuram um emprego que lhes dê pão para a boca mesmo que seja pouco, e porque dão graças a Deus por viverem num estado democrático que cumpre a Constituição e os Direitos Humanos, nomeadamente aquela parte que diz que que todo o cidadão e ser humano tem direito ao trabalho e a viver com dignidade. Os meus heróis são esses porque estão do lado da polícia exaltada contra os tipos que fumam ganzas e não querem trabalhar. Os meus heróis aspiram, acima de tudo, a trabalhar sentados numa secretária, ao serviço do SIS, a mapear quem vai fazendo comentários que possam ferir o estado de direito democrático sacrossanto.
O nosso patriótico SIS, tem que justificar a sua existência.
O racional de todas as organizações, mesmo que de necessidade duvidosa.
A sério Rui?Nem um charrito?Nada?Mesmo depois da merda que acabas de rabiscar?Nã, não acredito!
V. tem obrigação de saber que esta casa é aberta a todas as opiniões expostas de modo civilizado. Por isso, fica avisado: mais uma graçola de mau gosto e vai direitinho para o “arquivo” sem chegar a ver o que tiver escrito.
Já sei que o meu comentário nada tem de original, mas é assim que penso: como eu gostaria de ter escrito este post!
Subscrevo inteiramente apesar de oportunamente as gostar de fumar .
Já agora, um vídeo a suportar este ponto de vista:
http://www.youtube.com/watch?v=rGBuh-B4V LI&feature=player_embedded
(Roubado descaradamente ao Henrique Raposo)
Obrigado, DA.
Obrigado, TA.
“Argumentum ad hominem” (latim, argumento contra a pessoa) é uma falácia identificada quando alguém procura negar uma proposição com uma crítica a seu autor e não ao seu conteúdo. Um argumentum ad hominem é uma forte arma retórica, apesar de não possuir bases lógicas.
A falácia ocorre pois conclui sobre o valor da proposição sem examinar seu conteúdo, o que é absurdo.
O argumento contra a pessoa é uma das falácias caracterizadas pelo elemento da irrelevância, por concluir sobre o valor de uma proposição através da introdução, dentro do contexto da discussão, de um elemento que não tem relevância para isso, que neste caso é um juízo sobre o autor da proposição.
Pode ser agrupado também entre as falácias que usam o estratagema do desvio de atenção, ao levar o foco da discussão para um elemento externo a ela, que são as considerações pessoais sobre o autor da proposição.
Ah bom.
o Rui Rocha estebeleceu a (sua) “matriz de leitura correcta” dos acontecimentos do Chiado”, mas não deu a sua opinião sobre esta carga policial em concreto.
afinal, afirma que:
“… uma actuação policial será criticável sempre que se situar à margem da legalidade ou violar os princípios da proporcionalidade e da adequação à ameaça que pretende prevenir ou mitigar… Posição bem diferente é, todavia, a daqueles que, por princípio, atacam a actuação policial em qualquer circunstância…”
sobre o que acha da posição dos “outros” ficamos a saber: sempre irão criticar qualquer carga policial.
mas não quererá partilhar connosco qual a SUA posição sobre esta carga policial em concreto, dentro do critério que estabelece para si próprio?
Carlos, estive fora desde o final de 5ª feira. So tomei conhecimento, da situaçao no Sabado e de forma distante. Por tudo o que vi e li ontem e hoje, parece-me uma actuaçao desproporcionada, deslocada, condenavel e, em conformidade, carecida de apuramento e atribuiçao de responsabilidades. Pensei que o texto fosse claro a esse respeito. Nao insisti no ponto porque me pareceu ter sido essa a tecla dominante dos textos publicados, nomeadamente, aqui no DO.
Confesso que não esperava um texto tão simplista da sua parte, Rui Rocha. Sobretudo seguido pelo vídeo que escolheu para o ilustrar.
Agradeço a franqueza, Joana
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