Os Meus Carros (5)


jmmcc,

 

O Citroën Ami 6 Break Confort era ronceiro e de baixos consumos, em contraste com os Prinz 1000 anteriores lá de casa.

Creio que foi aí pelos finais da década de 60. Era branco-sujo, com estofos pretos. Tinha o seu quê de divertido, isso o Ami 6 tinha, e aquela versão Break era muito mais parecida com um automóvel normal do que a versão Berline, cujo estranho corte do óculo traseiro não contava com uma aceitação que pudesse considerar-se razoável: os poucos adeptos constituíam a explicação óbvia para haver muito mais Breaks do que Berlines.

 

 

 

Porém, o Ami estava longe de ser perfeito, mesmo no seu estreito segmento. Lembro-me perfeitamente, por exemplo, de não haver qualquer justificação (excepto o da gaffe de concepção) para a dureza do pedal do acelerador. A força desmedida requerida pelo acelerador contrastava escandalosamente com a velocidade vertiginosa que o carro se recusava a atingir, por muito que lhe pedissem para andar mais um bocadinho.

A abertura horizontal das janelas era outro problema, porque o arejo permitido no interior, se necessário, mostrava-se totalmente insuficiente. Este problema, associado à capota em fibra de vidro (característica de outros Citroën, como os prestigiados “Boca-de-Sapo”), tornava o habitáculo infernal, quando o carro ficava sob o sol do Verão.

Recordo-me que a minha irmã mais nova, numa dessas situações, esteve à beira de uma insolação que só por um feliz acaso não terminou em drama — mas pouco faltou — quando estávamos parados na estrada à espera da reabertura de uma cancela dos caminhos-de-ferro.

Enfim: naquela época, foi um carro bem diferente, entre todos os que passaram lá por casa.

 

12 comentários em “Os Meus Carros (5)”

  1. Linda esta tua série! Deste lembro-me que em cada curva era como se sentíssemos o movimento de rotação da terra – oferta da prodigiosa suspensão Citröen. E o barulho do motor? Uma espécie de sopro agudo, tipo secador de cabelo em mais dançante.

  2. Prezado João Carvalho
    Apesar de ser leitor assíduo (desde sempre) do «Delito», não me dei conta de que o João tinha iniciado uma série a que chamou de «Os meus carros». Entretanto, eu próprio iniciei uma série idêntica no meu blog a que dei exactamente o mesmo nome, fui ao ponto de, tal como o João, acrescentar o número de ordem do carro entre parêntesis. Fui confirmar e percebo agora (que já vou no meu nr 4 e penso escrever hoje o nr . 5 – um temível NSU TT) :))) que o João começou a série antes de mim.

    Em face do que referi queria pedir-lhe desculpa daquilo que parece uma eidente apropriação do título e perguntar-lhe com toda a franqueza:

    – Importa-se que eu mantenha o meu título, ainda que igual ao seu? Se se importar não tenho dúvida nenhuma em fazer a necessária alteração. Se não se importar, mantenho o título genérico (porque gosto dele) e farei uma pequena observação, aludindo precisamente ao facto de eu ter seguido, inadvertidamente, o seu título. Uma vez mais as minhas desculpas e aguardo o seu comentário.

    Nelson Reprezas

    1. Acho que deve continuar e nem precisa de fazer qualquer observação a aludir à coincidência, meu caro. Fico até satisfeito por confirmar que há coincidências e, já agora, continuemos a disputa, até porque o seu TT é coisa séria ao lado dos meus modestos 1000S e 1000C.

      Um abraço.

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