13 comentários em “Os melhores romances e novelas portugueses do século XX”

  1. Tenho de ler A Confissão de Lúcio. Os outros dois , li-os no cedo da vida e achei-os de rara sensibilidade, Húmus, andou-me atravessado durante anos.

    1. ‘A Confissão de Lúcio’ é uma espécie de novela policial. Um dos primeiros grandes expoentes – talvez o primeiro – do nosso modernismo. Ao nível do estilo, do tema, do “olhar” – sempre mais centrado no sujeito do que no objecto – e na própria geografia literária, na medida em que decorre parcialmente em Paris, à época capital mundial do modernismo nas artes e nas letras.

  2. São três escritores que li e de que gosto. São escritores diferentes. Mas a sua seleção reporta-se a Obras. E, das referidas, não li nenhuma.
    De Mário de Sá Carneiro li Poesia, há vários anos. De vez em quando releio. Gosto bastante.
    De Raul Brandão, li “Os Pescadores”, há bastante tempo. Também gostei bastante.
    De Aquilino li e reli, ainda este ano, “A Casa Grande de Romarigães”. Já escrevi no blogue sobre o mesmo.
    https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/a-casa-grande-de-romarigaes-aquilino-269401
    Como não li as Obras mencionadas, não poderei opinar especificamente sobre as mesmas.
    Sobre os Escritores, são os três de grande valor. Diferentes os vários aspetos de possível análise, como é óbvio.
    Se tivesse de escolher, a minha escolha, todavia, iria recair em Aquilino. O nível de escrita, nomeadamente pelo vocabulário, é inexcedível. Considero um dos maiores Escritores do século XX. A Obra: temos imenso para aprender!

    1. Confesso que me tornei aquiliniano militante quando fiz pesquisa para esta série. Não por acaso, na minha selecção dos 60 melhores títulos da ficção portuguesa do século XX, Aquilino figura em quatro décadas diferentes – começando nesta e terminando na de 50.

      Teremos tempo de analisar o romance que menciona.
      “Terras do Demo”, para mim, fixa a matriz da ficção de Aquilino.
      Um livro que daria um filme se tivéssemos cinema ao nível da nossa literatura.

      1. Aquilino, no “Terras do Demo” obriga-nos a ter um dicionário para consultar o significado de muitas das palavras utilizadas, algumas nem sequer estão, estavam, dicionarizadas por serem regionalismos criadas/adaptadas por ele.
        Muito bom.

        1. A escrita de Aquilino está cheia de neologismos, de expressões omomatopeicas, de regionalismos existentes à época apenas na linguagem oral e a que ele deu um toque de eternidade.
          Os grandes criadores são assim.
          Alguns leitores protestam por terem de “consultar o dicionário” lendo Aquilino. Fazem o mesmo com Joyce ou Guimarães Rosa, só para citar dois exemplos. E tantos outros, sem protestar.

          Orwell, por exemplo, cunhou palavras inexistentes que passaram a constar dos dicionários e entraram na linguagem comum. A começar por novilingua, criação dele.

      2. Na década de 50 teria dificuldade em deixar de fora o “O Malhadinhas” e “”Quando os Lobos Uivam”

          1. Leopedro
            Antes que tudo aquilo acabe, quando tiver tempo atire-se ao “Aroma de Urze e de Lama”, de João de Pina Cabral.
            Tem pouco de “literatura”, mas tem muito duma vivência em vias de extinção.

  3. Meu caro Pedro, usando a sua expressão num comentário anterior, eu próprio me considero um aquiliniano militante. E Terras do Demo é livro belíssimo, sem dúvida. Mas, a ter que fazer uma escolha, para a década em causa o meu voto recairia sobre A Confissão de Lúcio. Pela inovação literária que introduziu na literatura portuguesa, afirmando o modernismo e desempoeirando a prosa lusitana. E pela qualidade literária, claro. Aliás, surpreende-me como este livro não é muito mais lido entre nós, nem vivamente recomendado no ensino, onde a “leitura obrigatória” (uma expressão horrível!) impinge algumas coisas, no mínimo, duvidosas…

    1. Registado com agrado o seu voto.
      Caracteriza muito bem “A Confissão de Lúcio”.

      Confesso que também sou alérgico à expressão “leitura obrigatória”. Aliás, a tudo quanto seja obrigatório.
      A leitura tem uma componente de prazer que em nada combina com tal adjectivo.

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