Os lados errados da história


Rui Rocha,

1 – Em 1987, a República Portuguesa, com Cavaco no Governo e com Mário Soares na Presidência da República, votou contra uma das resoluções da ONU que condenava o ignóbil regime sul-africano de então.

 

2 – Em 1975, Mário Soares recebeu em Lisboa o tirano Nicolae Ceausescu de quem se declarou amigo:

 

3 – Em 2007, José Sócrates recebeu em Lisboa o torcionário Khadafi:

Não faltam, como se vê, exemplos de opções pelo lado errado da história.  Não me parece, todavia, que Mandela, pelo exemplo radical da capacidade de perdoar que deixou ao mundo, mereça ver a sua morte instrumentalizada para sublinhar os eventuais erros de um político medíocre e mesquinho.

25 comentários em “Os lados errados da história”

  1. Ora nem mais. Mas assim se “okupou” um dia que devia ter sido de memória por um enorme Homem e pelo seu legado moral.

  2. Tem toda a razão. É ignóbil tal ajuste de contas manchando a memória de Mandela. E tem também razão quanto à mesquinhez e medíocridade do político que nos representa. Mas não posso deixar de mencionar a mesquinhez de quem, aproveitando-se do dia, lançar uma meia mentira ou meia verdade (Portugal também votou favoravelmente outra resolução exigindo a liberdade de Mandela), esquecendo que em 2011 emitiu notas de pesar pela morte de Kim Jong Il e recusou o voto de pesar pela morte de Vaclav Havel. Sabemos assim que tipo de liberdade preza o PCP e sabemos também que dali nada aprendemos sobre os lados certos.
    Mandela soube sempre estar do lado certo da História. A nós só nos resta curvarmos perante ele. Porque quando acertamos geralmente é à sorte.

  3. Não Mandela não soube sempre estar do lado certo da história.

    Adiante. Lembrar ainda que o namoro da Republicao Socialista Portuguesa com Kadhafi incluiu um vergonha deslocação da FAP a Tripoli para o aniversário do tirano.

    1. Responder com a força à tirania é estar do lado certo da história. Deve ser até um dever. Mandela defendia a luta armada contra alvos militares e políticos.

    2. Exactamente Lucklucky . Dois homens.
      Nelson Rolihlahla Mandela e Frederik Willem de Klerk . Analizemos , também, a diferença da forma “como utilizaram o Poder” -obtido de forma bem diferente- estes dois homens.

      O primeiro, Mandela, sim, passou um (muito) mau bocado, mas tinha tinha o ânimo de quem tem uma (nobre) causa.
      Não foi um Mohandas Karamchand Gandhi. Reconheçamos.
      Mas “conquistado” o Poder fez o possível por usar esse (terrível para o próprio) poder com magnanimidade e Justiça. Com mais ou menos êxito, diga-se.

      O segundo, de Klerk , terá feito o mais difícil em termos de drama pessoal, humano. Depois de “conquistar” o poder pelos meios “legais” em vigor, a forma como exerceu o Poder obtido tem tanto de discutível como de invulgar.
      À primeira vista terá ido contra os interesses, imediatos, de quem o elegeu.
      Poderia -como tantos outros ao longo da história- apenas ter usufruído dos benefícios do poder (legalmente) obtido. (Basta olhar em redor).
      Mas não. Liderou tentando conseguir sempre aquilo que, na altura, lhe pareceu ser a saída mais justa, e segura, de uma situação absolutamente impossível de manter. Usou o “seu” poder para reconfigurar o seu País da forma mais segura ao seu alcance. Com mais ou menos êxito, diga-se, também.
      Tem razão LL. No meio deste chinfrim Mandela, a História será (imparcialmente) justa para com este dois homens?.
      Ps . A propósito, permita-me. Toda esta maravilhosa “classe” política, cá do burgo, insofismavelmente responsável por um autêntico “apartheid”, a celebrar o herói anti- apartheid” Mandela.
      Já reparou no caricato?. Já reparou que vivemos em pleno “apartheid”.
      Os brancos -os membros dos partidos PS, PSD e CDS- uma escassa minoria, têm exclusividade na “sua” nomeação para a sede da representação do “povo”!.
      Os pretos, qualquer preto -o povo- a grande maioria, está legalmente “apartada” de ser representante dos seus pares.
      Sim, por cá está implantado, legalmente, um verdadeiro “apartheid”.
      Por cá o poder só pode ser exercido, em exclusividade, pelos “brancos”, felizes, nas suas torres de marfim.
      Para quando uns modestos, mas heróicos, De Klerk e Mandela, por cá?.
      Não admira o descalabro, para os pretos, a que isto chegou.

  4. E nunca me esqueço do encontro de Marocas e Bettino Craxi, na Tunísia onde se encontrava fugido à justiça italiana.

  5. tudo coisas comparáveism tá bom de ver, para o rui das arrochadas…
    já teve melhores dias, agora correiodamanhouzou-se.

    1. Não nos vamos pôr aqui a trocar elogios sobre o passado glorioso que um e outro tivemos, Carlos. Mas devo reconhecer que já lhe vi noutros tempos comentários mais estruturados. Em todo o caso, incomparável só mesmo Mandela. O resto é tudo mais ou menos mesquinho,

  6. As mesmas pu*** púdicas não se “revoltam” com o silêncio da nossa politica externa, perante suspensão da democracia na Venezuela… Maduro passa a governar por decreto.

    1. Vi o teu texto no Fbook (o mesmo que está lá mais acima aqui no DO). Concordo sem qualquer reserva com o que dizes. E já lá tens um like por afinidade.

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