Os heróis


Pedro Correia,

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Faz hoje 75 anos, desembarcaram em praias da Normandia onde os invasores nazis os aguardavam, armados até aos dentes. Alguns foram mortos em poucos minutos, milhares deles já não veriam amanhecer o dia seguinte. Mas conseguiram o objectivo: libertar a Europa. E, dessa forma, tornaram o mundo mais decente, mais civilizado, mais limpo.

Devemos as recentes décadas de progresso e prosperidade no continente que habitamos a este punhado de heróis. Alguns felizmente ainda entre nós, todos já com mais de 90 anos – tal como a Rainha Isabel II, que recorda essa longa noite totalitária iluminada por uma imprecisa luz de esperança. Foi com emoção que acompanhei as cerimónias desta manhã, honrando o heroísmo desses bravos de outrora, hoje anciãos alquebrados mas orgulhosos e dignos.

Num mundo cada vez mais despojado de valores, onde tudo se equivale sem hierarquias e a indiferença se banaliza nos mais diversos escalões da vida pública, é gratificante observar estes homens de pele enrugada e olhar cintilante que recordam os camaradas sepultados no solo sagrado da Normandia. Todos lutaram e alguns tombaram em nome de um ideal maior que eles. Enfrentaram a guerra para que a paz florescesse nas gerações futuras.

Somos os legatários dessa paz. Ser-lhes-ei sempre grato por isso.

0 comentários em “Os heróis”

  1. Quantos foram obrigados a morrer longe de casa? E para quê, se hoje continuam os genocidios, silenciosos, não porque não hajam gritos, mas simplesmente porque não há ninguém que os ouça?

    Morreram em vão pelos que hoje ainda nascem ( vejam-se os movimentos politicos totalitários que despontam, incluindo na Pátria- mãe da Normandia)….vejam-se os rohingyas, os sudaneses de Darfur, os curdos, os palestinianos…perante a passividade dos que comemoram o Dia D.

    Adenda:
    O desembarque na Normandia foi mais importante para evitar que Estaline deita-se as mãos à Europa Ocidental, e não tanto para a derrota do III Reich.

          1. É uma daquelas coisas que encontrei na net há muitos, muitos anos, e das quais nunca me esqueci 🙂

    1. O PCF – Partido Comunista Françês foi proibido em 1939 em França.

      Algo silenciado e censurado pelo Jornalismo desde o pós guerra.

      Proibido por colaborar com os Nazis e se recusar a condenar o Pacto Molotov-Ribbentrop quando a França estava já em guerra contra os Nazis.

      PCF que via sindicatos contribuiu para a sabotagem de fábricas de armamento francesas quando os alemães invadiam o país.

      E acusava a guerra contra os Nazis de ser uma Guerra feita pelo lucro. Defendendo o Pacifismo.

      Para dourar a pílula com anti-semitismo Comunista o Jornal L’Humanité jornal afecto ao PCF apresentou como argumento para ser legalizado pelos Nazis em 1940 que um Ministro Francês Judeu supostamente tinha mandado matar trabalhadores. O que aliás era falso.

      A Segunda Grande Guerra nunca deveria acontecido porque a França nunca deveria ter sido derrotada. É aliás espantoso como excepto alguns Franceses ninguém está interessado em saber porque a degradação da sociedade francesa a todos os níveis levou a esse desfecho.

      lucklucky

      1. “A Segunda Grande Guerra nunca deveria acontecido porque a França nunca deveria ter sido derrotada”.

        Há quem diga que também deveriam ter ganho a I Grande Guerra, a da Indochina e a da Argélia.

        O melhor que a França tem é estrangeiro, falo da Legião.

        Só uma pergunta, qual era a orientação politica da Resistência francesa ( aquela agremiação de Jacques Duclos e Pierre Villon) ?

        1. Sabe que o PCF(na verdade os Soviéticos) proibiu os Comunistas de cooperarem com a Resistência até à invasão da URSS pela Alemanha ?

          E fala de Jacques Duclos?

          Precisamente um dos que negociou com os Nazis para a legalização do Jornal L’Humanité que tinha sido proibido pelo Governo Francês desde a ilegalização do Partido Comunista em 1939?

          lucklucky

      2. Já percebi o seu ponto, mas olhe que a França estava degradada não só por um extremo: nos anos trinta pululavam as Actions Françaises, os Faisceau, e todo o tipo de movimentos reacionários ou filo fascistas, dos quais saíram muitos futuros colaboracionistas.

        1. A França desonrou-se com o generalizado colaboracionismo desses anos em que Pétain se ajoelhou perante Hitler, com o aplauso explícito ou implícito de boa parte da população gaulesa.
          Durante dois anos, também com o colaboracionismo dos comunistas, que seguiam caninamente o pacto germano-soviético. E só deixaram de ajoelhar quando os nazis invadiram território soviético, rasgando o pacto de não-agressão com Moscovo.

          De Gaulle – aliás condenado à morte por Pétain – restaurou parte dessa honra manchada. Mas não toda.

        2. Esse termo “reaccionários” esconde o laços ideológicos do socialismo com o nacionalismo e é precisamente uma das maiores mistificações saídas da Segunda Guerra devido a quem saiu mais vitorioso:
          O Comunismo Soviético que reescreveu a Hstória.
          Ligando erroneamente o Socialismo exclusivamente ao “progressismo” e “modernidade”.

          Na verdade o Socialismo existe em todos os lados.

          Era Marcel Deat “Mourir pour Dantzig?” um reaccionário?

          https://fr.wikipedia.org/wiki/Marcel_D%C3%A9att

          Era Nicola Bombacci um reaccionário, ministro de Mussolini que queria a socialização da economia?

          Era Giovanni Gentile o ministro da educação de Mussolini que não queria religião nas Escolas um reaccionário?
          https://it.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Gentile#Rapporti_con_la_cultura_cattolica

          lucklucky

      3. Leiam o autobiográfico “Scum of the Earth” do Koestler para verem qual foi a natureza da contribuição dos comunistas (demais esquerdistas, e outros suspeitos) para a derrocada da França em 1940. Foram “convocados” dia 1 de Setembro de 1939 e distribuidos por campos de concentração onde “prestaram serviço”. Um dos episódios da triste colaboração das autoridades francesas com o ocupante quase um ano antes de este ter ocupado um quilométro quadrado sequer.

          1. Maurras, l’Action Française?!?… mais dans quelle taudis ai-je tombé ? Mince alors !

    1. Estalinegrado foi uma batalha defensiva pelo lado soviético, com a decisiva intervenção do General Inverno. Em nada pode ser comparada com o desembarque na Normandia. Até do ponto de vista estratégico, o Dia D foi uma das operações militares mais brilhantes da história.

      1. com a decisiva intervenção do General Inverno

        Nunca ouvi dizer tal coisa.

        O começo do inverno de 1941-42 foi muito importante, pois as tropas alemãs não estavam tecnicamente preparadas para ele. Mas no fim desse inverno as tropas alemãs já tinham recebido agasalhos e foram capazes de rechaçar a contra-ofensiva soviética.

        O inverno de 1942-43 já não teve influência relevante, nem em Estalinegrado nem em nenhum outro ponto.

        O problema dos alemães em Estalinegrado foi antes as linhas de comunicação demasiadamente extensas, que ficaram vulneráveis ao ataque soviético provocando o seu corte e, portanto, a interrupção dos abastecimentos às tropas que ficaram cercadas.

      2. “Estalinegrado foi uma batalha defensiva pelo lado soviético, com a decisiva intervenção do General Inverno. Em nada pode ser comparada com o desembarque na Normandia….”

        Em nada se compara…. Uma opinião que, obviamente, respeito, mas não partilho.

        It was the bloodiest battle of World War Two – so brutal that the Soviet Union suppressed the truth.

        https://www.independent.co.uk/news/world/world-history/revealed-the-forgotten-secrets-of-stalingrad-8282751.html

        1. Você mete o carácter decisivo de uma batalha pelo número de mortos? Caramba, que raio de critério.
          Eisenhower, o comandante supremo dos Aliados, retardou em quase um ano o desembarque em França precisamente para poupar tanto quanto possível as vidas dos seus soldados. Para Estaline, uma vida humana era irrelevante: daí o morticínio que as tropas soviéticas sofreram em todas as batalhas dessa guerra, atiradas em sucessivas camadas para a frente, muitas vezes mal treinadas, mal equipadas, mal preparadas. Pura carne para canhão.
          «Uma morte é uma tragédia. Um milhão de mortos é estatística», dizia o ditador.

          1. Pena Truman não ter seguido os conselhos de Eisenhower. O colapso da Democracia será precisamente esse. O “medo” de perder vidas…..mais a ideologia relativista, niilista, da Pós Ideologia. Perdemos , para o cinismo, a força do acreditar.

          2. Eisenhower não agiu com medo de perder vidas. Soldado ele próprio, ex-combatente da I Guerra Mundial, poupou as vidas dos seus militares, sabendo que seriam preciosas para os combates decisivos que se avizinhavam. Nunca os transformou em carne para canhão.
            Foi um dos mais astutos comandantes militares da II Guerra Mundial. Direi mesmo: um dos melhores estrategos militares do século XX..

          3. Eisenhower só autorizou as invasões – da Normandia e da Sicília – quando se reuniram condições objectivas para o efeito. Por via do enfraquecimento militar do inimigo, através da destruição de grande parte da indústria bélica germânica pelos bombardeamentos maciços levado a cabo pela aviação aliada. Tudo isso precedeu a acção da infantaria, como mandam as regras da estratégia militar. Os campos de concentração encontravam-se milhares de quilómetros dentro de território germânico ou ocupado pelas forças germânicas, não em zonas periféricas que pudessem ser mais facilmente libertadas pelos efectivos militares aliados.

          4. https://www.amazon.com/Auschwitz-Allies-Martin-Gilbert/dp/0712668063

            When Hitler announced that the result of the war in Europe would be ‘the complete annihilation of the Jews’, he did so in 1942, not only in public, but before an enormous crowd in Berlin. The Allies heard, but, astonishingly, they did not listen. In 1944, Allied reconnaissance pilots, searching out industrial targets in the area, repeatedly photographed Auschwitz. The pictures, apparently overlooked by the Allies, were routinely filed in government archives and not examined until 1979. First-hand reports on the horrors of the death camps came to the West by 1944 in the person of two escaped Auschwitz prisoners. Their testimonies, and those of subsequent escapees, were either ignored or dismissed. Despite the fact that, the same year, Churchill himself had ordered feasibility studies for air strikes on Auschwitz, the RAF not only did nothing, but eventually passed the buck to the Americans, who also did nothing.

    2. Os historiadores militares, incluindo os soviéticos, afirmam que Estalinegrado teve uma importância meramente simbólica, por ter sido a primeira vez que os soviéticos conseguiram capturar um exército alemão na sua totalidade, incluindo o seu comando, mas não teve importância militar significativa.
      Kursk sim, foi a batalha determinante que inverteu o sentido da guerra, em que os soviéticos foram capazes de vencer os alemães numa batalha de tanques em campo aberto (Estalinegrado foi uma luta de infantaria numa cidade destruída).

      1. Meramente simbólica?!! Talvez, se nela virmos o símbolo do Fim

        Em outubro de 1942, um oficial dos Panzers escreveu: «Estalinegrado já não é uma cidade… Os animais fogem deste inferno; nem as pedras mais duras conseguem resistir por muito mais tempo; só os homens se aguentam.»
        Para muitos, a Batalha de Estalinegrado simboliza o ponto de viragem da Segunda Guerra Mundial

        https://www.wook.pt/livro/estalinegrado-antony-beevor/15853383

      2. Kursk é fake news.

        Operação Husky a invasão da Sicilia que foi a maior operação de desembarque na História – Não foi a Normandia – é o que interessa saber sobre Kursk que não foi nada de especial.

        E note-se que se fala da Estalinegrado mas nunca se fala da Tunísia onde outro Exército Alemão/Italiano foi cercado…

        lucklucky

    3. Nenhuma delas ditou a derrota alemã.

      O que ditou a derrota alemã foi Churchill no início, a vontade dos EUA e a sua produtividade industrial.

      A URSS estava sem industrias de explosivos em 1941-1942…sem Lend Lease teria caído em 1942

      E acho repugnante falar-se de “baixas soviéticas” quando boa parte dessas baixas deve-se às tácticas/operações/estratégias do Regime Soviético que estava-se nas tintas para as próprias baixas enviando soldados como carne para canhão.

      1. “E acho repugnante falar-se de “baixas soviéticas” quando boa parte dessas baixas deve-se às tácticas/operações/estratégias do Regime Soviético que estava-se nas tintas para as próprias baixas enviando soldados como carne para canhão”.

        Ainda não se inventaram guerras sem Conscrição, sem a necessidade de obrigar a juventude a morrer, a estropiar-se pelos “ideais” dos velhos de salão. Para mim alguém que vai para a guerra contra a sua vontade é “carne para canhão”

        Contudo, concordando consigo, penso que tivemos a sorte do nosso lado, para azar dos soviéticos. Mas não houvesse essa carne para canhão e onde estaria, hoje, a nossa?

        Sobre carnes, magras:

        British military recruiters are targeting working-class young people who like risk, are easily influenced and are poor at money management, a briefing document for a glossy army advertising campaign suggests.

        https://www.google.com/amp/s/amp.theguardian.com/uk-news/2018/sep/09/british-army-explicitly-targeting-working-class-recruits-say-critics

        https://www.google.com/amp/s/www.teenvogue.com/story/the-military-targets-youth-for-recruitment/amp

        1. Não entendeste.

          As tácticas Soviéticas de combate não têm nada que ver com as dos Ocidentais. A preocupação com a sobrevivência dos próprios soldados estavam muito longe na escala das prioridades em comparação com os Aliados.

          No combate contra os Nazis os Soviéticos têm quase sempre muito mais baixas que estes chegando mesmo a proporções de 1:5 a meio da guerra em combate directo. Note-se que não estou a falar de cercos.

          Já os EUA e Ingleses conseguem muitas vezes a paridade ou mesmo em alguns casos vantagem.
          Que me recorde só na desastrada campanha Italiana os Aliados perdem.

          lucklucky

  2. A União Soviética travou a guerra sozinha durante quatro anos resistiu aos cercos a Moscovo, Leninegrado, Estalinegrado, depois de milhões de vítimas conseguiu virar o curso da guerra, os chamados aliados foram esperando pela derrota da URSS, quando o Exército Vermelho passa a ofensiva e vem por aí fora até Berlim,libertando as nações ocupadas pelos nazis,aí os Aliados resolveram entrar para que a URSS não ficasse com os louros de de ter vencido sozinha a guerra contra o nazismo e o fascismo, já com o exército alemão praticamente derrotado e depauperado os ingleses, franceses e americanos desembarcam na Normandia na esperança de chegarem a Berlim antes dos soviéticos, coisa que não conseguiram, mas releitura da história quer apagar o papel dos soviéticos do conhecimento das novas gerações, é triste aqui alinharem todos pela mesma narrativa.

    1. Já outras “releituras da história” parece quererem passar a ideia que a guerra só começou em 1941, que a Polónia não tinha sido invadida por dois lados, que a Itália não tinha sido invadida antes do Dia-D, que a Batalha de Inglaterra e Pearl Harbour nunca tiveram lugar, e que as tais nações “libertadas” não ficaram particularmente entusiasmadas por quem os “libertou”.
      A título de curiosidade, isso é algum artigo copiado do Avante?

      1. João:

        Papers which were kept secret for almost 70 years show that the Soviet Union proposed sending a powerful military force in an effort to entice Britain and France into an anti-Nazi alliance.

        Such an agreement could have changed the course of 20th century history, preventing Hitler’s pact with Stalin which gave him free rein to go to war with Germany’s other neighbours.

        The offer of a military force to help contain Hitler was made by a senior Soviet military delegation at a Kremlin meeting with senior British and French officers, two weeks before war broke out in 1939.

        The new documents, copies of which have been seen by The Sunday Telegraph, show the vast numbers of infantry, artillery and airborne forces which Stalin’s generals said could be dispatched, if Polish objections to the Red Army crossing its territory could first be overcome.

        But the British and French side – briefed by their governments to talk, but not authorised to commit to binding deals – did not respond to the Soviet offer, made on August 15, 1939. Instead, Stalin turned to Germany, signing the notorious non-aggression treaty with Hitler barely a week later.

        https://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/russia/3223834/Stalin-planned-to-send-a-million-troops-to-stop-Hitler-if-Britain-and-France-agreed-pact.html

    2. O anónimo pró-Estaline argumenta 80 anos depois como se os factos não fossem conhecidos.
      Se houve alguém que durante dois anos combateu isoladamente Hitler e Mussolini foi o Reino Unido, liderado por Churchill. Nessa altura, em França, os operários tutelados pelo Partido Comunista sabotavam o esforço de guerra, recusando produzir armamento destinado a combater as hordas nazis.

      Durante dois anos Estaline cortejou Hitler: os dois ditadores comportaram-se como aliados objectivos, como documenta o pacto de não-agressão que firmaram em Agosto de 1939 – um papel manchado de sangue, que funcionou como salvo-conduto para o início da guerra.
      Cláusulas na altura tornadas secretas desse pacto infame concediam a Moscovo a metade oriental da Polónia. E assim aconteceu: os tanques soviéticos marcharam para oeste enquanto os nazis fustigavam os polacos pelo ocidente. O país mártir ficou retalhado pelos dois blocos totalitários.

      Não satisfeito com isso, Estaline invadiu e anexou os três estados bálticos (Estónia, Letónia, Lituânia) e marchou contra a Finlândia, ocupando parte do território deste país.
      Enquanto isto sucedia, os comunistas devotos do tirano, um pouco por todo o mundo, batiam palminhas à sacrossanta aliança Hitler-Estaline.
      Oitenta anos depois, eis um filhote espiritual de Estaline batendo-lhe palminhas também.
      Há que desinfectar esta caixa de comentários…

      1. “Há que desinfectar esta caixa de comentários…” Não desinfecte, mantenha a tradição do Delito. A grande superioridade do Delito sobre outros blogues consiste nos inúmeros comentários que tem e na variedade de opiniões. Mantenha isso…
        Eu gosto, muitos gostam.

  3. D Day: 6/6/44

    “Remarkable people at a remarkable time. True heroes, thank you so much for your sacrifice and bravery.”

    Por cá, nessa data ruminavam as pequeninas mentes de serraduras fascistóides/comunistóides….

    A.Vieira

  4. Concordo que merecem a nossa homenagem (embora de nada lhes valha).
    Quanto à noção de herói.
    Muitos combateram e morreram pela simples razão de que foram obrigados. Recordo a minha experiência da guerra colonial. Ainda me sujeito (eu e muitos outros) a ser chamado herói ou pelo menos a combatente valente. Em português corrente: na realidade desenrasquei-me. Andei lá porque fui obrigado e nunca vi maneira segura de desertar. Sempre cheio de vontade de sair da tropa.
    Hoje recebo uma ridícula quantia de cerca de 40 (nem sei bem) euros por ano e da qual tenho de pagar IRS. Homenageiem-me e façam o que quiserem que eu borrifo-me. Desde que passaram a dar-me aquela tença (ou lá o que é) tive sempre a sensação de que estavam a gozar comigo depois do que passei em três anos e tal de serviço militar obrigatório. E sabem como começou a tal tença? Há uns 18 ou 19 anos recebi uma carta assinada por dois Ministros (Bagão Félix e Paulo Portas) a dizer que ia receber umas massas. Logo dois Ministros, fiquei impressionado. Quando recebi a bagatela apeteceu-me devolver-lha para eles tomarem umas bicas. Ainda hoje estou a receber mas não ligo puto. Acho que há uns colegas de armas que recebem com agrado. Mas isso significa que foram deixados na miséria (não é o meu caso e que se lixem com os 40 euros).

    1. A sua história pessoal é muito respeitável mas prefiro retomar a notícia do dia: a homenagem que a Europa livre e limpa do vírus totalitário hoje prestou aos combatentes do Dia D. Vários deles, felizmente, ainda vivos.

    2. A sua história pessoal é um lembrete da maneira como os Estados tratam aqueles que lhe dão a vida.

      Uma vergonha, um nojo….Fuzileiros que andaram com colegas, mortos, às costas, sob o sol abrasador africano, durante dias, porque para trás ninguém ficava, vivo, ou morto….esses mesmos fuzileiros, que conheci, sobreviventes por fora, mas mortos por dentro.

      O cheiro da morte é coisa que não passa na tv.

      O meu respeito, Manuel J.

  5. Numa guerra, todas as batalhas contam… De facto, Pedro… Visitar essas zonas, passar horas naquelas praias e naqueles cemitérios, foi até hoje uma experiência que me marca, mesmo já tendo visto muita coisa…

    Temi que poucos se lembrassem deste dia, pelos vistos não!

    Obrigado!

      1. Nunca visitei as praias da Normandia, que conheço apenas de filmes e documentários. Visitei Auschwitz e o memorial atómico de Nagásaqui – dois locais onde impera a voz do silêncio. Mais eloquente do que milhares de palavras na rejeição imperiosa de todos os sistemas totalitários e de todas as pulsões bélicas neles inscritas.

  6. Churchill e o Estado Maior Imperial Japonês , por razões diametralmente opostas, claro
    Credite-se ainda aos Japoneses a decisão, que se iria revelar determinante na evolução do conflito, de não declararem guerra à URSS…

    JSP

    1. Já Estaline, cinicamente, declarou guerra ao Japão a 9 de Agosto de 1945, já depois de terem sido lançadas as duas bombas nucleares e quando o totalitarismo nipónico entrara em agonia irreversível.
      Mesmo a tempo de sacar despojos de guerra nesses dias finais do conflito. Saquearam parte da Mongólia, a ilha Sacalina e o arquipélago das Curilhas, aliás ainda hoje em disputa.

        1. Aviso a Estaline para quê? Os americanos combateram sozinhos os japoneses durante quatro anos no Pacífico. Perante a passividade total de Estaline, que contemporizou até ao último minuto com o totalitarismo nipónico.
          Os cálculos do estado-maior americano previam que, sem as bombas, a guerra contra o Japão se arrastaria pelo menos até ao Verão de 1946, custando mais um milhão de vidas de combatentes dos EUA.
          Foi o dilema que Truman enfrentou naquele Verão de 1945. Quando os combates prosseguiam com uma violência inaudita e os ‘kamikaze’ japoneses causavam rombos cada vez maiores nas unidades navais e de infantaria norte-americanas.

          1. http://www.doug-long.com/quotes.htm

            During his recitation of the relevant facts, I had been conscious of a feeling of depression and so I voiced to him my grave misgivings, first on the basis of my belief that Japan was already defeated and that dropping the bomb was completely unnecessary, and secondly because I thought that our country should avoid shocking world opinion by the use of a weapon whose employment was, I thought, no longer mandatory as a measure to save American lives. It was my belief that Japan was, at that very moment, seeking some way to surrender with a minimum loss of ‘face’. The Secretary was deeply perturbed by my attitude…”

            – Dwight Eisenhower, Mandate For Change, pg. 380

            In a Newsweek interview, Eisenhower again recalled the meeting with Stimson:

            “…the Japanese were ready to surrender and it wasn’t necessary to hit them with that awful thing.”

            – Ike on Ike, Newsweek, 11/11/63

            Os Soviéticos avançavam a toda a brida pela Manchúria, havendo o risco de grande parte daquele território ficar sob o jugo soviético…os americanos sabiam-no e a bomba atómica foi um sinal de Stop dos americanos.

            New studies of the US, Japanese and Soviet diplomatic archives suggest that Truman’s main motive was to limit Soviet expansion in Asia, Kuznick claims. Japan surrendered because the Soviet Union began an invasion a few days after the Hiroshima bombing, not because of the atomic bombs themselves, he says.

            According to an account by Walter Brown, assistant to then-US secretary of state James Byrnes, Truman agreed at a meeting three days before the bomb was dropped on Hiroshima that Japan was “looking for peace”. Truman was told by his army generals, Douglas Macarthur and Dwight Eisenhower, and his naval chief of staff, William Leahy, that there was no military need to use the bomb.

            “Impressing Russia was more important than ending the war in Japan,” says Selden. Truman was also worried that he would be accused of wasting money on the Manhattan Project to build the first nuclear bombs, if the bomb was not used, he adds.

            https://www.google.com/amp/s/www.newscientist.com/article/dn7706-hiroshima-bomb-may-have-carried-hidden-agenda/amp/

          2. Essas memórias do Eisenhower, escritas quase 20 anos depois dos acontecimentos, estão contaminadas pelo corte de relações que houve entre ele e Truman – desde logo quando o primeiro aceitou a nomeação como candidato do Partido Republicano quando tinha sido inicialmente sondado pelo Partido Democrata na corrida à presidência de 1952, precisamente para suceder a Truman.
            Vencida a eleição, e ficando por lá dois mandatos, nunca Eisenhower convidou Truman sequer para tomar chá ou beber um copo de água na Casa Branca. Isso só aconteceu em 1961, no início do mandato de Kennedy.

            As biografias de Truman – recomendo uma, galardoada com o Pulitzer, escrita por David McCullough – apontam precisamente na direcção oposta: o Japão estava ainda muito longe da derrota naquele Verão de 1945. Cada ilha do Pacífico era conquistada palmo a palmo, com semanas ou meses de combates, e à custa de pesadíssimas baixas norte-americanas.

            Só Iwo Jima, pouco mais que uma ilhota, levou 36 dias a conquistar: esta duríssima batalha causou 26 mil baixas americanas – incluindo 6.800 mortos e quase 20.000 feridos, em Fevereiro e Março de 1945.
            A batalha de Okinawa durou 82 dias, entre Abril e Junho, provocando 62 mil baixas americanas (incluindo 12 mil mortos ou desaparecidos).

  7. Quanto aos ” Sorviéticos” , antes do “favor” japonês, talvez não seja dispiciendo (linda palavra…) dar uma vista de olhos por uma das guerras mais heróicas , e mais esquecidas, dessa época , a Guerra de Inverno.
    Uma guerra “dentro” de outra guerra, uma guerra verdadeiramente criminosa contra o único Povo que , após 45, e com uma fronteira extensíssima com a União Soviética, não se tornou colónia russa ( eles, e os idiotas úteis, chamavam-lhes repúblicas populares…

    JSP

    1. Na criminosa invasão da Finlândia, Estaline comportou-se como autêntica alma gémea de Hitler.
      Vale a pena ler as pormenorizadas reportagens feitas no terreno, em 1940-1941 pela grande jornalista norte-americana Martha Gellhorn, na altura casada com Hemingway. Dando nota ao mundo sobre a resistência heróica dos finlandeses.

  8. Quem é que atravessa meio mundo para combater e morrer por uma liberdade que nem é bem a sua ? Hoje em dia, só fanáticos extremistas cujo conceito de liberdade é muito retorcido e que jogam muito call of Duty no PC.
    Bem haja quem só tinha uma vaga noção do que o esperava , mas mesmo assim veio lutar pela causa da humanidade, contra a arrogância e prepotência da desumanidade reinante.
    Bem haja, gente de coragem e de respeito.

  9. tenho uma avó ainda viva , com 93 anos, polaca judaíca, em que todos os familiares ,excepto 1 irmão(que na altura fugiu para Israel), morreram na altura. A minha avó ,mesmo agora, não fala do que se passou(só em segredo ,dentro da família). Sei pouca coisa da sua história, porque não encontrei nenhum dados na polónia, nem na net , nem por intermédio de familiares ainda vivos. Está a escrever a sua biografia,a pedido da família e do pouco que sabemos é que os alemães,enganaram-se e puseram ela num comboio para Holanda ,em vez de Bachaus(onde foram o resto da família-2 avós, pais, 5 primos e 3 irmãos e tantos outros amigos da escola).

  10. O problema da guerra, seja ela qual for, e’ que nao fala nem toma partido de ninguem. Simplesmente acontece e executa a sua “missao”: matar ou morrer. E ganhar ou perder. Simples. Li todos os comentarios aqui feitos e fico perplexo com o que leio, embora respeito por educacao nao por que “fica bem na fotografia”, os mesmos, mas nao consigo mesmo concordar com nada de nada. Nao porque nao entendi, modestia a’ parte, a questao e’ que a guerra e’ um assunto demasiadadamente serio para ser entregue aos militares, j’a o disse um famoso general americano quando lhe perguntaram o que pensava da guerra em si. E a guerra faz parte da humanidade desde os tempos em que h’a memoria e registo. Algo que fico triste, mas nao me identifico politicamente, e’ ver sempre um ataque ao dito comunismo no geral tentando ofuscar, a mim nao, o que de verdadeiro aconteceu na segunda guerra mundial. Os EUA sempre foram uns hipocritas de primeira apanha pois andaram o tempo todo a ganhar milhoes com a guerra, antes, durante e depois. Ao ponto de que e’ sabido que varias familias judeias, que ficaram ainda mais ricas, vendiam o aco a precos astronomicos aos alemaes por causa do obvio esforco de guerra. Sim os judeus patrocinaram a morte de outros judeus, pois nao sao todos iguais. E estavam mesmo muito interessados nisso. Outra coisa linda e’ que o Hitler inspirou-se num dos livros do Henry Ford (sim o dos carros Ford) para “mote” do seu estupido mein-kampf, pois nao passava de uma birra e de uma verborreia sem nexo que foi apoiada por mentacapos todos eles sem cultura literaria alguma! Mais. Apos o fim da guerra do Pacifico a “celebre” unidade 731, ou o inferno na Terra, em que as experiencias medicas dos nazis pareciam uma brincadeira de crianca comparadas com as dos niponicos, proporcionou a debandada dos carniceiros medicos para os EUA, vejam la’! Ehehe. Nos EUA tiveram cargos de alta relevancia na industria farmaceutica, entre outras ligadas a’ investigacao (!) medica em geral. Mas isso nao interessa falar, claro. J’a para nao falar nos nazis pagos pelo banqueiro Rostchild (cerca de 700 ou mais) que foram viver anonimamente para os EUA e tambem lhes foi dado altos cargos em diferentes industrias e at’e areas militares devido a’ sua “excelente” experiencia em pensar como matar outros seres humanos. Ainda mais. Devido ao que Winston Churchil descobriu sobre os negocios do aco que os EUA andavam a fazer com os alemaes ele praticamente declarou guerra aos EUA numa carta enviada secretamente ao presidente Trutman, que disse “que nao sabia”. Enfim… No fundo, os que merecem ser eternamente reconhecidos sao obviamente os soldados que lutaram por manter as intrigas, as cobardias, os perversos desejos das chefias em todos os niveis que levaram o mundo a’ guerra tal como ela aconteceu, sem poderem fazer muito a nao ser tentar sobreviver ou desertar. E o interesse real dos EUA foi evitar que os nazis conseguissem a bomba atomica e chegar aos EUA com a tecnologia que os iria fazer render sem hipotese alguma de retaliar, tal como aconteceu ironicamente com o Japao. Os nazis e a tecnologia aeronautica estavam a milhas de distancia em termos evolutivos do resto de todos os paises envolvidos na guerra. Os bombardeiros a jacto seriam algo que caso se tivesse tornado realidade a sua operacionalidade iriam dizimar ainda mais os paises em guerra. Basta ver, por exemplo, que o actual stealth bombardeiro B-2 e’ “totalmente” inspirado no conceito da chamada “flying wing” de Jack Northrop e de outros visionarios alemaes com os designs e incriveis capacidades tecnicas que estavam a provar serem letais. Ate’ a camuflagem aos radares estava a ser desenvolvida pelos nazis. Por isso, deixem l’a de elogiar os generais a, b e c, etc. e agradecamos todos aos soldados “carne para canhao” que eles sim sao mesmo e so mesmo os herois no meio desta estupidez toda que e’ a guerra e os politicos que a origiam.

    1. Respigo a sua última frase:
      «Deixem de elogiar os generais a, b e c, etc. e agradeçamos todos aos soldados “carne para canhão” que eles sim são mesmo e só mesmo os heróis no meio desta estupidez toda que é a guerra e os politicos que a originam.»

      Recordo que o meu postal é precisamente sobre isso. Sobre os soldados que foram heróis num dia memorável que acendeu uma luz, ainda débil, nas trevas em que a Europa estava mergulhada.
      Sensibiliza-me, comove-me e orgulha-me que vários destes bravos ainda se encontrem entre nós. Achei justíssima a homenagem de que foram alvo neste dia 6, 75 anos depois.

  11. gostei do ” mais de decente, civilizado, limpo “-

    Nao sei se o PC está a ser cauteloso, . se realista face ao ambiente anterior á noite nazista.

    ganharam a guerra, ganhamos a guerra ! Mas dai a serem primariamente catalogados de herois, é um exagero.

    Os tropas, as tropas em si mesmo nunca sao herois, nem o contrario, pois que simplesmente sao comandados.

    Outrem explicara melhor essa coisa do heroismo.

    1. Eu sei que nestes tempos pós-modernos a palavra heróis incomoda muita gente.
      Soa a antigo.
      Parece politicamente incorrecta.

      Mas eu estou-me nas tintas para a correcção política: gosto da palavra quando é bem aplicada.
      E não poderemos aplicá-la melhor do que aos heróis do Dia D. Felizmente vários deles ainda vivos.
      Merecem o meu respeito, a minha consideração. A minha homenagem.

  12. A operação foi planeada designando os dias anteriores e seguintes ao que foi mais tarde designado como ‘o dia mais longo’. Os dias anteriores ao desembarque foram designados por dia D-x, D-2, D-1, para que mais tarde alguém decidisse o dia D. Os seguintes seriam os dias D+1, D+2…
    O Dia D foi o dia zero da paz na Europa. Hoje estamos no dia D+27029 e a contagem continua.
    A cerimonia realizou-se na França onde a Le Pen ganhou as eleições europeias, com o Trump anti-NATO e a Mae do Brexit como convidados.
    Só a democracia liberal da Alemanha nos sossega…

  13. Os bravos soldados aliados, merecem todo o nosso louvor e agradecimento pelo seu sacrifício, que permitiu a libertação da Europa e do Mundo do jugo nazi. Os portugueses, também tiveram um papel significativo na resistência francesa, para que a invasão aliada tivesse êxito. Este facto é desconhecido, pela maioria dos franceses – e até dos portugueses – mas reconhecido pelos antigos dirigentes da organização da Resistência francesa. E não foram poucos, foram milhares.

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