Kohl, com Delors e Mitterrand, criou o euro, anexando-lhe um conjunto de exigências que muitos consideraram ser insuficientes. Schröder permitiu que vários países, entre os quais a própria Alemanha, violassem essas exigências. Merkel é a má da fita.
Os grandes líderes
escafandro,

Sic transit gloria mundi.
De facto, Hugo. Mas no sentido mais habitual da expressão (de que tudo é efémero), não deixa de ser curioso que tendamos a olhar para os líderes do passado como se tivessem sido brilhantes.
Era suposto ter uma interpretação ambíguo, pois usei-a também no sentido de todo o presente ser efémero, porque a verdade histórica distancia-se quase sempre da verdade presente. Esta, creio eu, não será a imagem com que Merkel ficará na história. E a sua “glória” ainda chegará.
E como a história também se reescreve e a dos grandes edificadores da Europa ainda é recente, também não creio que fiquem conhecidos como estrelas no firmamento. A sua obra ainda agora começa a ser julgada. Mais uma vez, a glória desses senhores também será efémera.
Face à realidade ela não podia fazer nada? Mostrou-se alguma vez crítica à situação? É tudo uma tempestade que nos chega do passado e perante a qual só nos podemos encolher? I think not….
Não tenho bem a certeza do que quer dizer. Merkel chegou ao poder no final de 2005. Deveria, em 2008/9, altura da crise financeira, ter procurado evitar a injecção de fundos públicos na economia, em especial por parte daqueles países que não tinham condições para o fazer? Uma tentativa nesse sentido teria dado brado mas sim, provavelmente deveria tê-lo feito. Quanto à situação actual, o que nós queremos é alguém que assuma o pagamento das contas sem aceitarmos perder autonomia. Ora até Kohl, que agora é atentamente ouvido sempre que fala, teve dificuldades em impor a reunificação alemã – e a Alemanha de Leste era Alemanha e o governo de Bona/Berlim era livre de aplicar as políticas que bem entendesse. Pedir a Merkel que consiga o impossível é – como dizê-lo? – impossível.
De qualquer modo, o meu ponto – e já nem é a primeira vez que o exponho – é que os lamentos sobre a falta de líderes à altura esquecem que foram líderes vistos como tal (mas que na verdade não o eram) que nos fizeram aqui chegar. Não foi Merkel.
“que os lamentos sobre a falta de líderes à altura esquecem que foram líderes vistos como tal (mas que na verdade não o eram) que nos fizeram aqui chegar. Não foi Merkel .”
Dito.
bem visto.
Obrigado.