É um bonito cenário, o avançado neste artigo do Diário Económico. Um cenário que talvez devesse fazer pensar que um crescimento económico reduzido, com ou sem deflação, poderá não ter apenas inconvenientes. Preferimos crescimento anémico razoavelmente baseado na realidade ou o ciclo de bolhas especulativas (e, quando rebentam, destrutivas) que tantos dos seus críticos parece afinal favorecer, ao defenderem políticas monetárias expansionistas?
Mas, evidentemente, a concretizar-se um cenário deste tipo, a responsabilidade não será dos bancos centrais que, pressionados por governos sediados um pouco por todo o globo, por capitalistas desejosos de lucro rápido, por socialistas e socialistas à esquerda de socialistas, por comentadores mais ou menos anónimos com agendas mais ou menos óbvias e por economistas galardoados com o Prémio Nobel, injectam há anos dinheiro especulativo na economia em nome do «crescimento». Será, como convém que seja, apenas de um dos grupos mencionados atrás: o dos gananciosos do costume.

Sempre os socialistas… já os mercados livres, com as suas valorizações de 3000% nunca são um problema, não é? A culpa é da ganância, e dos socialistas.
Os socialistas são um dos grupos defendendo políticas monetárias (e, já agora, orçamentais) expansionistas. Só não gostam que se lhes chame especulação e detestam quando delas resultam os efeitos previsíveis: com tanto dinheiro em circulação sem correspondência a bens efectivos, o que será de esperar senão que os mercados financeiros subam – até corrigirem violentamente porque quase tudo está sobrevalorizado?
Fossem só os socialistas…
As políticas que os socialistas defenderiam (se são mesmo socialistas) provavelmente abandonariam os mercados financeiros.
As políticas que muita gente à esquerde defenderia envolvem de facto o investimento público, mas não de forma a que apenas os mercados financeiros deles beneficiem. As políticas actuais apenas interessam aos mercados, não interessam ao cidadão comum, o qual é, teoricamente, aquele com quem os socialistas (ou social-democratas) se preocupam.
João:
Os socialistas abandonariam os mercados financeiros? Apostando, em simultâneo, no investimento público? Mas o investimento público só foi possível nos últimos anos (antes e até já durante a crise) por causa dos mercados financeiros – do dinheiro fácil e dos juros baixos.
Vejamos: do investimento público tem que resultar um benefício superior ao custo – e isso, nos países desenvolvidos, é raro (mais auto-estradas, hospitais ou museus – ou mais trinta mil funcionários – tendem a já não acrescentar muito). Assim sendo, como financiariam os governos socialistas investimento público (que presumo maciço) de retorno insuficiente? Impostos? Estrangula a economia. Emissão de moeda? Voltamos ao mesmo (e/ou ao risco de inflação).
Parece-me sempre que os meus textos são lidos como uma defesa dos mercados financeiros, não o sendo: sou razoavelmente liberal mas preferiria mercados menos voláteis – menos especulativos. Aceito, no entanto, que isso significa menos crescimento. Quem advoga políticas monetárias agressivas devia – acho eu – compreender que elas têm um efeito especulativo. Que estimulam os mercados financeiros e todos os defeitos destes. Sendo que, ainda por cima, têm hoje efeitos diminutos na economia real (precisamente porque não há – nas economias ‘maduras’ e até ver – inovações tecnológicas, ganhos de produtividade ou outros factores que as sustentem).
Tenho dificuldades em ler o artigo. Nunca consegui mudar facilmente entre línguas e ali não sei quando estou a ler em português ou em inglês.
Parece esta piada dos gato fedorento: CWdM
https://www.youtube.com/watch?v=0DnEpNp
Ao autor, não sei se já viu, se não viu recomendo !
http :/ http://www.youtube.com /watch?v=4ECi6WJpbzE
Obrigado. Não, ainda não tinha visto, embora conheça as ideias de alguns intervenientes. É assustador (mas não deixa de ser divertido rever Bush a defender o direito à compra de casa por parte de quem não tinha rendimento para a comprar). Claro que já passou algum tempo e a nova crise ainda não estourou. Talvez nem seja em 2015, como avança o artigo do Económico. Mas o risco existe e está cada vez mais forte.
Já agora, o link sem espaços (e, se tudo correr bem, com hiperligação): bzE
http://www.youtube.com/watch?v=4ECi6WJp