HERÓIS DE UM MUNDO QUE JÁ NÃO HÁ
Não sei porquê, este diálogo vem-me com frequência à memória. É do filme A Última Fronteira (The Westerner, 1940), de William Wyler, e parece espantosamente simples e destituído de qualquer artificio. Mas tem vários níveis de leitura, além de revelar, só por si, um dos grandes atributos dos heróis do western – indivíduos de carácter, que preferiam ser donos do silêncio em vez de serem escravos das palavras. É, além disso, uma espécie de homenagem a Gary Cooper, uma das grandes figuras míticas do cinema, que interpreta na perfeição o forasteiro deste filme – homem que alia um perdurável amor à terra a um indomável espírito de aventura, alguém de poucas falas e vistas largas, sempre em demanda de novos horizontes. Precisamente ao inverso dos políticos dos nossos dias.
A cena passa-se entre um juiz e Gary Cooper:
Juiz – De onde vens, forasteiro?
Gary Cooper – De nenhum sítio em particular.
Juiz – E para onde vais?
Gary Cooper – A nenhum sítio em particular.
Eram assim os heróis do Oeste. Sem raízes que os prendessem e prontos a lançar raízes em qualquer lugar. Aventureiros, na melhor expressão que podemos dar a esta palavra. Protagonistas de um tempo de pioneiros de que cada vez somos mais nostálgicos por termos a certeza de pertencerem a um mundo que já não há.


Um dos filmes de culto Pedro
Filme de culto, Pedro – um grande ‘western’. Um cineasta de culto. E um actor de culto também.