Os filmes, as listas e nós


Pedro Correia,

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 In The Mood for Love (Disponível para Amar), de Wong Kar-wai

 

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  The Pianist (O Pianista), de Roman Polanski

 

Há dias, trouxe ao DELITO a lista do Guardian com os cem melhores livros de ficção em língua inglesa. Hoje trago outra: esta enumera os melhores filmes do século XXI e foi elaborada pela BBC.

Aqui a deixo à consideração dos leitores que, tal como eu, apreciam listas. É uma boa oportunidade para fazermos um balanço dos nossos conhecimentos e encontrarmos pistas que nos permitam conhecer obras cinematográficas de qualidade.

 

Duas observações prévias: os ingleses, tal como os norte-americanos, insistem na tese de que o século XXI começou no ano 2000 – o que implicaria a existência de um “ano zero” que jamais existiu; por outro lado, traduzem em regra os títulos dos filmes para o seu idioma, sem complexos de qualquer espécie (devíamos aprender com eles, nós que ainda manifestamos tanta aversão às traduções).

Assim, por exemplo, The Secret in Their Eyes é El Secreto de Sus Ojos (O Segredo dos Seus Olhos), de Juan José Campanella, Talk to Her é Habla con Ella (Fala Com Ela), de Pedro Almodóvar, e City of God, obviamente, é Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.

 

Eis os cem filmes.

Quantos deles já vimos?

Quantos deles já nos viram?

Qual deles poria cada um de nós em primeiro lugar?

 

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The Tree of Life (A Árvore da Vida), de Terrence Malick

 

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  The Hurt Locker (Estado de Guerra), de Kathryn Bigelow

51 comentários em “Os filmes, as listas e nós”

  1. traduzem em regra os títulos dos filmes para o seu idioma

    Bem, eu creio que em Portugal e na maioria dos países do mundo se faz exatamente o mesmo: salvo raras exceções, os títulos dos filmes são traduzidos para português. Não é?

      1. Continuam a medir as distâncias em pés, os pesos em libras e as quantidades de líquido em libras líquidas. E ainda há quem admire os atavismos deles…

        1. Os inglreses já se adaptaram a muitas medidas SI, mas ainda têm hábitos estranhos (stone…).

          Já o episódio mais curioso disto, que seria engraçado se não fosse trágico, foi a sonda que se despenhou em Marte porque entre o aparelho quemedia a altitude e o que media a velocidade, um tinha sido feito nos EUA e usava pés e o outro na Euopa e usava metros…

          1. Eheh. Mas os piores são, de longe, os americanos. Que insistem em ter os padrões deles, ao contrário de quase todos os outros. A começar no desporto, com o futebol americano (que só eles jogam) enquanto chamam ‘soccer’ ao verdadeiro futebol, jogado no mundo quase inteiro.
            O Dia do Trabalhador é em Setembro e não no 1.º de Maio.
            As milhas e as polegadas e as onças continuam a dominar o sistema de pesos e medidas deles, à revelia do resto do planeta.
            E muitos etc.

          2. O “soccer” sempre me deixou curioso na sua origem, mas creio que sei como surgiu.

            O nome completo do Futebol é “Association Football” em inglês (onde a forma moderna do desporto originou). O curioso é que não era chamado de “football” nessa altura (segunda metade do século XIX). Antes de “soccer”, resultado da contracção do termos “association” para “socc” e levando o sufixo “er” que era usado para os praticantes da actividade (por exemplo cobbler, fisher, etc).

            Como os EUA terão provavelmente recebido o desporto cedo mas apenas em determinadas classes (o futebol era jogado apenas por elites, se bem me lembro), o desporto não se popularizou e como tal ficou em “hibernação”. Com a existência do futebol americano e a sua predominância, especialmente no imaginário popular, o termo “football” ficou associado a um desporto onde um objecto que não é bem uma bola só encontra o pé de um único jogador por equipa e apenas em alguns momentos, e o futebol acabou como “soccer”.

            Não é agradável ver esse nome, mas a verdade é que tem lógica.

            Já as unidades é outra conversa. E se é chato para ti, imagina para engenheiros que têm que discutir projectos com americanos…

          1. No plano simbólico, concordo… 11 de Setembro de 2001 representa um corte radical entre dois tempos, duas eras, dois mundos.

            Agora, literalmente, o novo século teve início a 1 de Janeiro de 2000. Começa-se a contar a partir do zero, e não do um.

  2. Vi:

    There Will Be Blood (Paul Thomas Anderson, 2007).

    The Tree of Life (Terrence Malick, 2011)

    No Country for Old Men (Joel and Ethan Coen, 2007)

    Inside Llewyn Davis (Joel and Ethan Coen, 2013)

    Zodiac (David Fincher, 2007)

    Pan’s Labyrinth (Guillermo Del Toro, 2006)

    Lost in Translation (Sofia Coppola, 2003)

    The Master (Paul Thomas Anderson, 2012)

    ​Memento (Christopher Nolan, 2000)

    25th Hour (Spike Lee, 2002)

    The Lives of Others (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006)

    The Dark Knight (Christopher Nolan, 2008)

    City of God (Fernando Meirelles and Kátia Lund, 2002)

    The New World (Terrence Malick, 2005)

    Amour (Michael Haneke, 2012)

    12 Years a Slave (Steve McQueen, 2013)

    Inception (Christopher Nolan, 2010)

    Zero Dark Thirty (Kathryn Bigelow, 2012)

    Inglourious Basterds (Quentin Tarantino, 2009)

    The Turin Horse (Béla Tarr and Ágnes Hranitzky, 2011)

    Spring, Summer, Fall, Winter…and Spring (Kim Ki-duk, 2003)

    Dogville (Lars von Trier, 2003)

    The Wolf of Wall Street (Martin Scorsese, 2013)

    A Serious Man (Joel and Ethan Coen, 2009)

    A.I. Artificial Intelligence (Steven Spielberg, 2001)

    Spotlight (Tom McCarthy, 2015)

    The Pianist (Roman Polanski, 2002)

    The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (Andrew Dominik, 2007)

    Ratatouille (Brad Bird, 2007)

    Finding Nemo (Andrew Stanton, 2003)

    Os que mais gostei:

    There Will Be Blood , Pan’s Labyrinth, The Tree of Life, No Country for Old Men,25th Hour ,The Lives of Others , The Pianist, The Master,Zero Dark Thirty,Dogville.

    Fazem falta:

    Locke – Official Trailer (2014) – TODO FILMADO DENTRO DE UM CARRO, com um único personagem!!
    https://www.youtube.com/watch?v=MyoO35P41YM

    Amores Perros
    https://www.youtube.com/watch?v=xvwk-xYZcr0

    Paciente Inglês
    https://www.youtube.com/watch?v=Xk_LRcOFT0c

    Para mim os melhores, e que estão ausentes da lista:

    The Assassination of Richard Nixon
    https://www.youtube.com/watch?v=oHO6MlSu7_k

    V For Vendetta (2005) –
    https://www.youtube.com/watch?v=lSA7mAHolAw

    “The Big Lebowski”
    https://www.youtube.com/watch?v=cd-go0oBF4Y

    Fargo
    https://www.youtube.com/watch?v=h2tY82z3xXU

  3. Gostos não se discutem, e cada pessoa terá a sua opinião mas…
    numa lista de cem como não contemplar, a trilogia, The Lord of the Rings.
    De Pedro Almodóvar, não vi filme algum que não tenha gostado.
    De Tarantino, acrescentaria Kill Bill. Assim como El laberinto del fauno, de Del Toro
    Se tivesse que destacar apenas dois filmes desta lista – que não analisei ao pormenor mas que não terei visto provavelmente nem metade – a minha escolha seria; The Wolf of Wall Street e 12 Years a Slave [brutal!].

    1. ‘O Labirinto do Fauno’ está cá, e com toda a justiça.
      Eu acho escandaloso não ver aqui nenhum filme do Woody Allen nem do Clint Eastwood.
      Allen: ‘Match Point’ merece sem favor algum.
      Eastwood, é só escolher: ‘Million Dollar Baby’, ‘Gran Torino’, ‘Cartas de Iwo Jima’, ‘As Bandeiras dos Nossos Pais’, ‘A Troca’. Qualquer deles merece.

      1. Todos esses grandes filmes e o Woody Allen não passaram no crivo dos críticos que escolheram o que melhor se fez em cinema no século XXI, até aos dias de hoje…
        No mínimo merece um arquear de sobrancelhas .

  4. Daqueles cujo título entendi, vi uns quarenta e tal. Suponho que nenhum deles me tenha visto. E não escolhia nenhum para pôr em primeiro lugar, sinto-me incapaz de os seriar. Gostei bastante de uma data deles, uns por isto outros por aquilo. Mas há muitos mais que suponho não constarem da lista. Na verdade gosto que me contem histórias, é isso que procuro nos livros e nos filmes. E até nas pessoas tal particularidade me agrada.

    1. Também eu.
      Quando digo que há filmes que nos “vêem”, quero dizer que nos interpelam de tal modo que dir-se-ia falarem só para nós.
      Comunicando-nos, às vezes apenas por imagens e músicas, coisas que quase ninguém é capaz de exprimir.

      1. Já viu como somos pouco originais?! É que o que cada um de nós sente a ver um filme, é, provavelmente, experimentado da mesma forma particular por outra gente. Somos, em alguns aspectos, muito pouco únicos.

  5. Vinte e seis, incluindo o “nosso Tabu” (nada mau, haver um filme português na lista). Passa ligeiramente do quarto da contagem.
    A ausência de Allen ou Eastwood é incompreensível, como lembras mais acima (bem me parecia que faltava ali qualquer coisa), a não ser que estejamos perante mais um surto grave de politicamente correcto. Isso quando há pelo meio algumas fitas sobrevalorizadas.

    1. Não me admirava nada, João Pedro.
      O Woody Allen tornou-se pestífero desde o início do ano, com o início da nova “caça às bruxas”.
      O Clint Eastwood nunca mereceu os favores da correcção política, como sabemos.

  6. 56 deles, mas alguns eu não incluíria na lista, mesmo aceitando 2000 como sendo o início do século (como bem apontas, não é).

    Há alguns que vejo como sobrevalorizados (Amélie, Tree of Life, Requiem for a Dream, Finding Nemo) e alguns que estão demasiado abaixou ou acima. O A.I. poderia estar muito mais acima se não fosse aquele quarto de hora extra final.

    Nunca colocaria o Mulholland Drive tão acima. Não que não seja um filme fantástico, mas é excessivamente subjectivo para aparecer numa lista deste género (nunca me oporia numa lista pessoal, mas na lista da BBC parece-me demasiado complicado). No entanto não sei qual escolheria em primeiro lugar. Eu hoje diria um de entre: A History of Violence, Hable con Ella, There Will be Blood, Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Children of Men e Yi-Yi. Amanhã provavelmente eu olharei para esta escolha e perguntar-me-ei em que raio eu estava a pensar.

    1. Nisto estamos de acordo. Eu não incluiria esse filme nos cem mais – muito menos na primeira posição.
      Mas, enfim, esta é uma lista onde faltam ‘Mystic River’, ‘Gran Torino’ e ‘Match Point’.

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