
Dário Essugo é um miúdo, jogador de futebol. No ano passado, com apenas 16 anos, estreou-se no campeonato sénior. Auguram-lhe bom futuro, e assim o seja. Jovem profissional – e ainda por cima já jogando num dos “grandes” – decerto que vive as coisas do futebol com enorme intensidade, o que será até requerido, uma concentração no rumo que escolheu. Ontem assistiu (como tanta gente mundo afora) à final do Mundial. Vibrou com a grande final. E vibrou (de novo, como tanta gente mundo afora) com a épica vitória do “velhote” Messi, na sua última oportunidade de ganhar o título maior. Foi-se à sua conta no Instagram (a rede popular dos jovens e dos futebolistas) e lá celebrou tal feito argentino, chamando a Messi “Goat” – a sigla d’agora para “maior de sempre”. Não concordo muito com ele, pois os jogadores de diferentes épocas não se podem comparar – aos 17 anos ele não viu em directo Zidane, Zico, o malvado Platini, Maradona, Cruijff, Beckenbauer, e tal como eu não viu Pelé, Garrincha, Di Stefano, Puskas ou… Fernando Lage. Mas mesmo que os tivéssemos visto a todos, em gravações completas e “limpas”, não poderíamos comparar, o jogo era diferente. Mas isso é pouco relevante, pois a sua enfática expressão quer dizer é que Messi é “o maior” d’agora – algo com que concordo, já agora. Mas mesmo que não concordasse… Pois a questão é que o rapaz foi acometido por uma vaga de energúmenos, em termos brutais, ao que consta – pois ele entretanto apagou o que havia escrito -, considerando inaceitável que alguém elogie Messi devido à rivalidade propalada com Cristiano Ronaldo: no fundo trata-se de aceitar como letra de lei a rivalidade entre os dois ídolos do Real Madrid e do Barcelona, bem explorada pela Liga Espanhola de Futebol para potenciar receitas de origem internacional. E pelo movimento independentista catalão, alimentado da demencial paixão futebolística naquelas terras…
Ou seja, para esta turba, infecta, um miúdo (ou um velhote) lá porque trabalha no Sporting não pode apreciar, adorar ou mesmo idolatrar um outro jogador que não seja o ídolo da “academia” do clube. O profissional (ou mesmo amador, se for o caso) não tem liberdade de gosto, nem liberdade de opinião. E isto, este lixo, é só nisto de a gente celebrar a bola nas redes sociais. Imagine-se a intolerância sobre outras coisas que reina nas cabeças imundas destes fascistas de teclado e sofá, de trazer por casa.
Sim, Messi é o melhor jogador em actividade. E mesmo que não o fosse. Mas chegámos a um ponto inenarrável em que um “Consultor de Comunicação”, chamado Rui Calafate, consegue a este propósito botar que “é preciso bom senso nas redes sociais“. Ou seja, consagrando este estado de coisas, em que é “falta de bom senso” clamar no 18 de Dezembro de 2022, após uma épica final, que o Leo Messi é o maior! Isto é patético. E repugnante. Precisa-se mesmo de “consultores”. De outra estirpe. Porque isto é inaceitável.

Não tem a ver com o sporting dado que os mais fiéis seguidores de Ronaldo até são sportinguistas. Terá mais a ver com a anarquia irracional das redes sociais em que a malta dispara primeiro e pensa depois. É o que é . Ronaldo e Messi, que grandes jogadores que tivemos e temos o prazer de ver jogar. Fazem parte dos GOAT de sempre.
Pedir bom senso nas redes sociais é como pedir celibato num bordel
Cada vez mais se percebe que são os ódios e as polémicas que dão vida a estes espaços que, diga-se em abono da verdade, não servem para muito mais do que dar palco a palhaços.
Não me diga que há gente pouco recomendável e irracional no reino do futebol!
Parece impossível!
É evidente que há comentadeiros e jornaleiros que ainda náo perceberam que não prestam..
Energúmenos sim, e xauvinistas labregos também.
Parabéns pelo comentário.
Há muita gente que faz do futebol uma religião (infelizmente) e dos melhores jogadores deuses. Para muita gente com pouco senso, CR7 é um desses deuses que se deve venerar sem crítica, sem oposição. E como nas redes sociais toda a gente é inteligente e corajosa, acontecem coisas tristes deste género. Falta o respeito, a sensatez, a ponderação.
Força, Dário – manda-os ir dar uma volta ao parque.
Falta ai o grande e inimitável Eusébio… como se pode esquecer do King?
E sim, em relação ao assunto é triste mas é verdade, chega-se ao cumulo de só se poder achar que Ronaldo é o melhor do mundo neste cantinho à beira mar plantado. Eu acho que é o Messi e sempre o acharei melhor do que Ronaldo! Não é mais completo mas sim melhor! Seja lá o que isso for, mas é a minha opinião!
Não esqueci o King Eusébio, de tal forma que até o cito. Pois para ele o melhor jogador português era Fernando Lage…
Concordo plenamente, quando concorriam os dois juntos torcia sempre pelo Ronaldo, mas sempre achei o Messi melhor jogador.
Mas as mentalidades não mudam enquanto a comunicação geral não mudar, não apenas as dos clubes. Sou do Belenenses e na TV só aparecem os 3 “grandes”.
Se olhassem para Inglaterra aprendiam algo, principalmente na ausência de jornais desportivos.
O tal Belenenses, onde eu vi jogar o Estevão, por exemplo, já não existe.
Na verdade são os dois GOAT, só que em dois sentidos opostos. O MESSI é GOAT de futebol genial, do marcar e dar a marcar.
o Ronaldo é o GOAT do nariz empinado, da arrogância, da burrice, que não é capaz de saber sair, nem pela janela, sim, porque a porta já se fechou á muito.
Dario Essugo foi imprudente, esqueceu que fez, e faz, a formação na Academia Cristiano Ronaldo. Provávelmente não teria muito presente a rivalidade.
Messi é um genio em “roubar” bolas de ouro; gamou uma a Ronaldo, outra a Lewandowski e provávelmente vai gamar a próxima a Mbappé, sem dúvida o melhor jogador da actualidade.
Messi teve uma época péssima que nem o titulo mundial conseguiu levantar.
Por acaso acho que o ano mais imerecido foi aquele em que a Espanha ganhou tudo e em que Xavi poderia e deveria ter ganho o troféu. De qualquer modo Messi é sem sombra de dúvida um fora de série.