Leio no Diário de Notícias, com o interesse de sempre, as reflexões periódicas de Mário Soares sobre o País e o Mundo. Contra o neoliberalismo, a favor do federalismo europeu e da acção enérgica do Presidente francês François Hollande que, segundo ele, “tem obrigado a chanceler Merkel a flexibilizar as suas [dela] posições.”
Pronunciando-se também neste seu mais recente artigo – publicado na edição de ontem – sobre a complexa situação política espanhola, Soares assinala que “o novo primeiro-ministro” Mariano Rajoy, “ultraconservador mas com algum bom senso, tem recusado que uma troika entre em Espanha e que os burocratas que a integram façam os estragos habituais”.
Chego aqui e interrogo-me: estará Soares já esquecido de que, segundo as suas próprias revelações, ele próprio pressionou José Sócrates ao ponto de levar o ex-primeiro-ministro a ceder “à evidência” de que Portugal necessitava de urgente ajuda externa, na sequência de duríssimas críticas que lhe dirigiu também num artigo no DN? E que foi uma “discussão violentíssima” que manteve há ano e meio com o então chefe do Governo a precipitar a intervenção dos “burocratas” europeus com os seus “estragos habituais”?
A História escreve-se muitas vezes segundo o relato dos seus protagonistas – e neste caso não restam dúvidas. Sobre quem chamou e quem induziu a chamar, em voz bem alta.

Já eu deixei de ler o que o Bochechas vai dizendo. E aposto que até o Zezinho deixou.
Eu vou lendo, sempre com interesse, os artigos do Dr. Mário Soares.
Oportuníssima observação, Pedro.
A importância da memória, Rui. Há que cultivar a memória nesta era em que tudo é instantâneo, como os pudins de pacote.
Prontos, lá vem o jogo habitual do apontar o dedo ao outro. O PSD diz que a culpa é do PS e o PS diz que a culpa é do PSD. Tal como nas discussões de crianças, na verdade a culpa é sempre de ambos.
Soares é do PSD?
Não é. Soares é uma pessoa muito idosa que não tem qualquer importância.
Você é que é do PSD e aproveita este post para atirar um bocado de lama ao PS. Escusadamente.
Você que se diz ‘liberal social’, espécie de híbrido entre PSD e PS, é uma autoridade em matéria ideológica… Lembrar as duras palavras que Mário Soares dedicou a Sócrates há ano e meio é “atirar-lhe lama”? Você é que “atira lama” ao fundador do Partido Socialista dizendo que ele “não tem qualquer importância” por ser “uma pessoa muito idosa”. Nem os maiores adversários políticos dele dizem isso.
Para jornalista, o Pedro Correia manifesta um lamentável desconhecimento das correntes políticas europeias. No Parlamento Europeu há três grandes forças políticas democráticas: o partido popular, o partido socialista, e o partido liberal. Este último não é, de forma nenhuma, um “híbrido” entre os outros dois – é um partido diferente, representante de uma tendência política diferente.
O PSD faz parte do partido popular europeu e o PS faz parte do partido socialista europeu. O liberalismo social é uma tendência do partido liberal e não é, portanto, nenhum “híbrido” entre PSD e PS.
E: dam-se-os-tempos-mudam-se-as-vontades.ht ml
http://cidadelusa.blogspot.pt/2012/10/mu
Medidas de austeridade, Isabel? Não há como ir beber junto das fontes mais autorizadas.
Essa é a mesma pessoa que ontem dizia ser falso os Estados não terem dinheiro, porque, e cito, “O dinheiro fabrica-se quando é preciso. Vide o que acontece com o dólar.”…
O que eu ainda vou achando engraçado é o tempo de antena que é dado a esta gente… mas é o reflexo do país que temos: um país de putas virgens e ofendidas.
“O dinheiro fabrica-se quando é preciso”: eis uma frase lapidar.