Os críticos que odeiam cinema


Pedro Correia,

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 La La Land, de Damien Chazelle

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 Manchester by the Sea, de Kenneth Lonergan

 

Há um género de críticos de cinema imensamente elitistas que no limite adorariam não encontrar ninguém numa sala. Por isso desaconselham fortemente as pessoas a ver filmes.

Estes críticos são todos homens (questiono-me por que motivo, num tempo em que a igualdade de género e a paridade são bandeiras sempre desfraldadas, a crítica de cinema continua a ser uma coutada masculina). Só atribuem cinco estrelas a alguns filmes portugueses e franceses, imunes à menor contaminação do chamado cinema “comercial”. Se pressentem que as películas podem atrair público, ei-los a desancá-las com bolas pretas ou uma estrelinha (em cinco). Nos casos limite, nem sequer se dão ao incómodo de visualizá-las, o que constitui a mais aberrante demonstração de elitismo: já sabem que não gostam mesmo sem necessidade de ver.

Vem isto a propósito da classificação atribuída pelos críticos do jornal Público a dois excelentes filmes que vi nos últimos dias e vivamente recomendo aos meus leitores sem precisar do aval de crítico algum: Manchester by the Sea, de Kenneth Lonergan, e La La Land – Melodia de Amor, de Damien Chazelle. O primeiro é um fabuloso melodrama, o segundo é uma vibrante homenagem aos musicais da época áurea de Hollywood. Estão nomeados para as principais categorias dos Óscares: melhor filme, melhor realização, melhores interpretações. Ambos funcionam como demonstração viva de que a tão propalada crise do cinema não passa de um mito: a Sétima Arte está bem e recomenda-se.

Isto devia ser uma boa notícia para todos os amantes de filmes. Receio, no entanto, que os tais críticos elitistas não se incluam nesta categoria: porque eles não gostam de celebrar a festa do cinema nem de se misturar com o povoléu nos espaços comerciais onde se projectam filmes. Longa-metragem boa, para eles, é apenas a que afugenta os espectadores.

Críticos como os tais do Público, sobretudo dois deles: Luís M. Oliveira arrasa La La Land com uma estrela e não concede mais de duas a Manchester By the Sea. O seu colega Vasco Câmara vai ainda mais longe, atribuindo uma estrelinha a cada película. O que significa uma estrela? “Medíocre”, segundo a chave de leitura que o jornal fornece.

Pudessem eles vedar-nos a entrada nas salas de espectáculo e certamente não hesitariam. Sem pensarem sequer que, se o conselho deles fosse escutado, lá teriam de encontrar uma ocupação alternativa. Porque um mundo sem cinema seria um mundo que os excluiria. Sem distribuição cinematográfica, sem receita de bilheteira, com todas as salas encerradas por absoluta falta de espectadores, para que serviria um crítico?

 

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0 comentários em “Os críticos que odeiam cinema”

  1. Mas são tipo exigentes. A foto mostra que nem o “As Asas do Desejo”/”Der Himmel über Berlin” leva 5 estrelas, por isso, cuidado! Devem estar todas guardadas para o Pedro Costa e o Apichatpong Weerasethakul (agora dizer três vezes depressa).

  2. Todo o filme que não for feito por um comuna, não falar sobre a igualdade de género e psicoses sexuais, os dramas do ultramar, ciganos que tocam trompete e violinos em vertigem circense, a maldade indecente dos cristãos (mas atenção: dos cristãos brancos, porque os cristãos pretos são bons) e a decadência da América não vale a ponta de um chavelho.

    1. Mesmo os raros críticos com algum prestígio se enganam – por vezes redondamente.
      O mais prestigiado crítico norte-americano do início dos anos 60, Bosley Crowther, considerou “horrível” o filme ‘Psico’, de Hitchcock, num texto publicado em 17 de Julho de 1960 no ‘New York Times’.
      Por mais prestígio que tivesse, não influenciou o público. ‘Psico’ foi um sucesso de bilheteira desde o primeiro instante. Não só nos Estados Unidos, mas também no Canadá, na América do Sul, na França, no Reino Unido e até no Japão. Tornou-se um dos filmes a preto e branco com mais lucro de sempre e fez de Hitchcock um multimilionário.

      1. É certo que a quantidade não significa qualidade: creio que é um princípio na mente de muitos críticos seguem de forma demasiado restritiva. E bem, de certo modo: se eu estudar a história do cinema é natural que me interessem mais, no cinema como um todo, os filmes que inovam ao nível de técnicas narrativas e de filmografia do que propriamente os filmes que têm grande sucesso comercial. Agora, isso não tem de estar como factor exclusivo numa crítica num jornal, obviamente.

        Preocupa-me mais, nos críticos, a estreiteza ideológica que manifestam muitas vezes. Há uma tendência para colar a importância de determinados filmes ao seu encaixe político — ou a validar uma estética que acentue determinados aspectos ideológicos. Isso tramou o teatro, e é uma das razões por que uma arte maior e tão complexa é perfeitamente ignorada pelo “grande público”. Também há um desajuste estético no meio em si (que não existe no cinema). For the record, eu gosto de cinema comercial porque um critério que faz sentido para mim é também o do entretenimento puro e simples, normalmente não contabilizado nas análises mais snobs.

        1. Quero eu dizer que na maioria dos casos os críticos são incapazes de vislumbrar o que está destinado a perdurar.
          Seria um interessante trabalho jornalístico consultar as tabelas das “estrelinhas” dadas pelos críticos portugueses a filmes estreados nos últimos trinta anos. Para se perceber até que ponto consideraram obras-primas filmes de que não reza a história e deram bolas pretas a películas hoje consideradas essenciais.

          1. Um cliché, Pedro, lamento-o dizer. Mas algum dia tinha que ser.
            Veja quantas obras primas na literatura (Kafka, Pessoa, etc), pintura (Cubistas) e música foram consideradas lixos pelos entendidos.
            Ainda me lembro que em Viena, os entendidos, chamavam a Mozart o Marco Paulo austríaco devido à profusão criadora.

          2. Nem os Criadores sabem o que está destinado a perdurar. Nem eu, sei quanto tempo irei perdurar.

        2. A todo o filme subjaz uma ideia politica, seja ela de cariz moral ou de costumes. Excepto os musicais, mas esses são para se verem de olhos fechados

          Já vi que o que V gosta é de enfardar refrigerantes e pipocas. Eu pelo contrário, sendo um intelectual de esquerda (intelectual verdadeiro = esquerda), gosto de sair amassado do cinema.

          1. Pedro limite-se às criticas gastronómicas . Minimalismo é a minha corrente de eleição. Arvo Part, John Tavener, etc….

          2. Lamento, mas em gastronomia sou antiminimalista. Fiquei assim desde que fui a um restaurante do ‘chefe’ Sá Pessoa, que servia doses minimais em pratos maximalistas. Com preços a condizer muito mais com o prato do que com a dose.

          3. Pelo vistos não aprendeu nada e continua a julgar os outros superficialmente. Eu também podia dizer, só a olhar para o seu nick, que gosta de música de merda para urbanóides idiotas armados em intelectuais — mas não digo porque eu sei que o seu problema é ser de esquerda: uma doença muito mais grave do que o seu irrelevante gosto musical.

          4. Por acaso não desgosto mas precisava de construir uma argumentação — isto um gajo tem de usar o que está mais à mão.

          1. Agora com o Trump já não é Casa Branca. É Caucasiana.

          2. Sim, mas isso é violência literal — a outra é refinada e o princípio da arte do cinema (a mon avis). Está muito bem esgalhado. Alem disso a influência de Hitchcock e os movimentos psicológicos da câmara estão bem visíveis (Agora as experiências são mais pegajosas como os movimentos de câmara stalker de Malick, com toques de religiosidade e algo de verdadeiramente deprimente e enfadonho.)

  3. Não houve uma criatura, que fazia algo semelhante a filmes e adorados por esta espécie de críticos, que disse “o público que se foda”? Isto é apenas um dos motivos porque não se faz cinema comercial em Portugal e explica muito do estado da Arte no país.

    1. Estes “críticos” são daqueles que desmaiam de indignação à menor menção do “cinema comercial”. Como se Chaplin, Lang, Ford, Lubitsch, Hitchcock, Wilder e tantos outros génios do cinema não tivessem feito também “cinema comercial”.
      Deve ser chato para eles verificar que não influenciam em nada a opinião pública. Os filmes que elogiam estão sempre às moscas. Os filmes que arrasam, atraem os espectadores.
      Andam o tempo todo em contramão.

      1. Nada que se compare a Terrence Malick.

        Toda a obra prima não pode ser entendida pelas massas. Às massas falta-lhe a sensibilidade artística, a capacidade de comoção pelas coisas do espirito. Não desceu sobre elas o dom do espirito santo.

        Um dia pus a minha governanta a ouvir a Sonata para piano n.º 14, Op. 27 n.º 2, de Beethoven, com o propósito cientifico de avaliar se a plebe carecia da capacidade de entusiamo/comoção intelectual/emocional.
        Sabe o que aconteceu? “Ponha mais baixo, se não se importa!!” – Pensei em despedi-la com justa causa

        1. Também não nos indicou o intérprete. Vai que era alguém com a mão forte demais para as subtilezas do cantabile, ou que o ostinato lhe fazia lembrar um amor não correspondido. Vai-se a ver e a senhora tinha razão: que pusesse a música mais baixo que para tristezas já chegava a de ter de limpar as casas de filisteus, sem sensibilidade suficiente para perceber que senhoras de meia idade não se comovem com lamechices ao luar!

      2. Já viu os remake do Leão da Estrela e do Pátio das Cantigas, de Leonel Vieira?
        Uma autêntica….

          1. Leão da Estrela (nova versão) adultera aliás a brilhante versão original, trocando o Sporting Clube de Portugal por uns putativos Leões de Alcochete.
            Apetece mandá-los à … outra banda.

          2. É verdade, não me lembrava dessa. Mostra bem o carácter “correto” desta cambada que anda por aí: aquela correcção que parece imparcialidade mas é na verdade uma mistura de falsa modéstia com canalhice.

        1. Desapontamento. Fulanas muito giras mas os remakes são um pouco inconsequentes porque não há nada de grandemente contemporâneo ali (talvez o update das heroínas tenha sido o objectivo principal).

  4. Ora aqui está a tática Pacheco Pereira:

    … Se eles dissessem bem dos filmes, não seriam lembrados e este post não seria escrito.

    1. Acontece que nem assim passarão à posteridade. Quando ‘Psico’, de Hitchcock, estreou em 1960, os críticos bem-pensantes nos Estados Unidos zurziram sem piedade esta longa-metragem atípica do mestre do ‘suspense’.
      “Uma mancha numa carreira honrosa”, houve quem escrevesse, enquanto não faltou mesmo quem comparasse esta obra-prima do cinema de terror a “um daqueles espectáculos de televisão feitos para preencher duas horas”.
      Desses críticos não reza a história. Hitchcock já então tinha um lugar garantido na galeria dos imortais. E ‘Psico’ figura hoje entre as obras-primas da Sétima Arte.

      1. Vi os Pássaros, de Hitchcock, com o meu filho de 10 anos. Uma seca do caraças (nada que se compare aos flmes de James Wan) .
        O Psico, esse sim. A partir daí só banhos de poliban.

  5. Quase de propósito:
    James Cameron Says Oscars Are Biased Against Blockbusters
    Cameron candidly discussed his opinions on how the Oscars are handled, claiming that the Academy has the mindset of telling moviegoers what they “should” like, as opposed to rewarding the films “people really want to see.”

    Ou seja: os Óscares, que se preparam para consagrar La La Land e Manchester by the sea, são apodados de elitistas…

      1. Receio não me ter feito entender.

        A acusação de elitismo feita por Pedro Correia, há quem a faria ao próprio Pedro Correia.

        1. É possível. No entanto o essencial da minha argumentação não passa pelos prémios. Se bem que nos Globos de Ouro ‘La La Land’ tenha obtido sete nomeações e ‘Manchester by the Sea’ cinco.
          O primeiro venceu prémios, neste certame, para melhor filme (comédia-musical), melhor actor (Ryan Gosling), melhor actriz (Emma Stone), melhor realização, melhor argumento, melhor banda sonora e melhor canção.
          ‘Manchester by the Sea’ foi distinguido com o Globo de Ouro para melhor actor (Casey Affleck), mais que merecido.
          Tudo medíocre, asseguram por cá o crítico Câmara e o crítico Oliveira.

          1. Cultura e popular. Ora aí estão duas palavras imiscíveis.

          2. “Deadpool” é divertido, sobretudo numa época em que os blockbusters de super-heróis (e não só) norte-americanos estão cada vez mais em modo “linha de montagem”. Mas não me parece que seja filme para Óscar.

          3. Completamente de acordo João. E demonstra outra coisa: certos actores devem manter-se no registo em que são bons. Ryan Reynolds é um caso.

        2. A acusação de elitismo feita por Pedro Correia, há quem a faria ao próprio Pedro Correia.

          Ora bem.

          Na questão da ortografia da língua portuguesa, o Pedro Correia toma uma posição elitista. Defende explicitamente que quem determina como a língua deve ser escrita devem ser as elites (os escritores de romances) e não o povo ignaro. A ortografia deve ser feita para preservar um alegado étimo que só as elites conhecem, não para reproduzir a forma como a gente vulgar fala.

          1. Cá para mim essa coisa de dar erros nem deveria existir. O importante é a malta, a gentes, se fazerem entender, seja com mais, ou menos uma letrinha. Dixit

          2. Exacto. Mas não é por elitismo: É para que quem não sabe Português e não sabe pensar possa aprender e elevar-se da lama pastosa e indistinta a que o socialismo os condena. As referências etimológicas são parte integrante e ligam-nos à tradição europeia — que vocês querem destruir, a gente sabe. Mas não vamos deixar. Até porque vocês com esses excessos estão a criar a próxima vaga de extrema-direita na Europa.

          3. O V, prova o contrário. Fala bem, mas pensa mal. Para si , pela cor, até a Hematúria é uma gaja socialista.

  6. Pedro Correia, subscrevo a sua opinião, sobretudo depois de na passada 2ª Feira ter ido ver com a minha mulher o “LA La Land “.
    Cumprimentos.
    António Cabral

    1. Ora ainda bem, António. É de uma profunda desonestidade intelectual atribuir só uma estrela a esse filme, pondo-lhe o carimbo de “medíocre”.
      Esse carimbo vira-se com facilidade contra quem lhe deu uso.

  7. Caro Pedro,
    se me permite, retenho, do gráfico que apresenta, a classificação do filme de Scorcese, com classificação equivalente às dos títulos que apresenta.
    Confesso que ainda não tive a oportunidade filme, estou com bastante expectativa em fazê-lo.
    Li o livro, em Dezembro, no qual se baseia e fiquei encantado, não só pela forma como o autor conta a história (não História – o livro é ficção), como principalmente pelas perguntas que levanta, muitas das quais podem ser extravasadas para situações limites das nossas vidas. Estou curioso para ver se o filme consegue fazer essa correspondência e acreditando nos créditos do realizador não tenho como duvidar.
    Não é facto destas críticas não o «estrelarem» muito que vou deixar, assim que puder, de o ver.

      1. Mas já viu o Silêncio? Estava a pensar ir vê-lo, mas não sei se será uma estopada de 2 horas.

          1. E veja-se também a versão portuguesa, que até não desprimora.

            Quanto à impossibilidade, e para tira-teimas, recomendo O Grande Silêncio.

          2. Possas!! Filme de frades a cultivarem couves. Não obrigado! Prefiro Os 120 Dias de Sodoma

  8. Ao fim do primeiro parágrafo vi logo que era sobre os críticos do Público, só podia. Não há paciência para aquelas críticas…

    1. Nenhuma, Rita. Embora ressalve os textos de Mourinha, únicos aceitáveis. Os outros, há muito deixei de ler – este regresso foi uma excepção. São próprios de quem odeia cinema e deseja que os outros passem a odiá-lo também.

  9. A Arte para ser Arte precisa de mostrar a corrupção e fealdade da Sociedade. Ler-se como denuncia do Capitalismo…

    Foi isso que destruiu o Cinema Português. E boa parte da Arte mundial.

      1. Para alguma coisa ser destruída teve de existir primeiro…

        Acabaste de linkar uma cena do tempo onde existia Cinema Português.

        Foi elucidativo que tiveste de ir a esse período e não um mais recente, talvez concordas comigo e nem sabes…

  10. Se fossemos pela pontuação dos críticos, não íamos ao cinema.
    Nem todos os filmes “comerciais” são maus e muitos dos chamados “filmes de autor” são uma estopada.
    Vi o Manchester by the Sea e gosteI. Longe de ser espectacular, é uma história bem contada e com excelentes interpretações.

    1. Tal como assinalo, Dulce, se seguíssemos os críticos de cinema, não iríamos ao cinema. Se não fôssemos ao cinema, não restariam salas de exibição. E sem salas de exibição extinguiam-se os críticos.
      Talvez seja isso que eles secretamente mais anseiam.

  11. Este é um comentário não ao post (em que está tudo dito, e como qual concordo plenamente), mas aos comentários que daí derivaram.

    Obrigado aos intervenientes. Fizeram uma boa parte do meu dia 🙂

  12. Completamente de acordo em relação a Luís Miguel Oliveira e Vasco Câmara. Jorge Mourinha tem uma opinião muito mais aberta (até destoa dos outros) e costumo gostar de o ler. Pelo menos nas suas críticas fala do filme, não de uma qualquer mensagem que na sua interpretação o filme terá ou devesse ter sem que sequer a sinopse do filme seja mencionada.

    Com Luís Miguel Oliveira tive uma discussão em tempos por causa da condenação de Polanski por violação de uma menor. Era visão do senhor que a rapariga, de 14 anos se não me engano, já “devia saber o que era Hollywood” e que “não era nenhuma ingénua”. Qualquer comentário meu sobre a idade da criança era atacado de forma hostil. Na altura disse-me tudo o que eu precisava de saber sobre a pessoa (sobre o crítico bastava-me ler).

      1. Bem me lembro dessa trágica história. Oliveira provavelmente até diria que eram “mulheres feitas” e como tal nem sequer se poderia considerar violação. Pelo menos se fosse em Hollywood, tal seria na coutada do macho hollywoodérico ou algo do género.

        Ou seja:
        miúdas violadas – Hollywood bom.
        filme feito – Hollywood mau.

      1. O senhor Oliveira considera que existem territórios fora da lei – Hollywood em particular – e considera que o direito à indignação deve sofrer drásticos limites. Nada que o tal juiz relator do Supremo não pudesse subscrever quando considerou o Algarve uma “coutada do macho ibérico” e as raparigas estrangeiras umas levianas que se puseram a jeito.
        Falta só apurar se também ele subscreveria a elegante apologia do cavernícola, expressa no acórdão, quando enaltece a “forma e o ardor viril com que o seu violador tinha com ela copulado”.

  13. Já se torna insuportável toda esta verborreia para atacar os críticos do público. Vocês não os lêem, nem os conhecem. Preferem atirar atoardas ao ar. Porque? Porque ferem a vossa ténue sensibilidade artística? Porque se sentem ofendidos por não partilharem as mesmas ideias que vós? É uma afronta ao vosso ego?
    Respeito!!
    Não é por ser blockbuster que é mau. Nem ser tailandês que é bom. Talvez se vocês lessem uma frase do que eles escrevem fosse mais ágil do que atacar em grupo na internet – até porque eles não se importam, nem nunca vão importar com a vossa gosma incompta.
    Vale mais uma frase de Luís Miguel Oliveira ou Vasco Câmara do que este blog inteiro.

    1. Há os críticos que odeiam cinema e os anónimos que adoram esses críticos. Alguns destes anónimos são como os gatos do rifão: deixam um enorme rabo de fora.

      Reitero a perplexidade que exprimi neste texto publicado no Delito vai fazer três anos:
      «Questiono-me por que motivo, num tempo em que a igualdade de género e a paridade são bandeiras sempre desfraldadas, a crítica de cinema continua a ser uma coutada masculina).»

      Eis um tema que justifica alguma reflexão.
      Até lá, reitero a minha bola preta ao Câmara. E outra da mesma cor ao Oliveira.

      1. Ainda bem que reitera essa “perplexidade” porque sendo assim não preciso de responder a esse texto, vulgarmente putativo. E a título de o confrontar, é fácil: o público já teve uma crítica mulher, sim. Apenas deixou por opção – e não por escamotear os blockbusters de que vocês tanto gostam (que gostam apenas para ir ao desencontro de colisão dos críticos do público parece-me, e sendo assim, forçosamente se gosta).

        Não são palavras de um anónimo, são palavras de um Homem que se recusa a ter qualquer “pacto” com um blog desta estirpe.

        1. Dá que pensar, esta persistente misoginia na crítica de cinema portuguesa. A única mulher que nos últimos 20 anos se atreveu a romper a barreira acabou fatalmente excluída pela casta.

          Não deixa de ser intrigante, este último reduto do “macho ibérico”, qual aldeia de Astérix, num tempo em que já há (felizmente) mulheres nos mais altos postos das forças armadas, da magistratura e da carreira diplomática.

          1. Da maneira que você olha essa “vicissitude” da mulher-crítica (que você não conhece), chega a ser hilariante e transparece, claro, a credibilidade que merece o seu post.

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