Os criadores da mulata


Cristina Torrão,

Costuma dizer-se que o dinheiro, ou o poder, estragam o carácter. Na verdade, acontece o contrário: o dinheiro, ou o poder, mostram o verdadeiro carácter, aquele que foi recalcado. O adquirir de poder, ou de riqueza, abre novas possibilidades, surge a oportunidade de dar livre curso a desejos e práticas que muitos mantinham secretos.

Penso que se passa algo parecido com a libertação da xenofobia que alguns portugueses têm manifestado. Durante muito tempo, houve a convicção de que não existia racismo em Portugal. E a prova era que, em muitos países europeus, havia partidos de extrema-direita, notoriamente xenófobos, com bons resultados eleitorais, enquanto que, em Portugal, tudo continuava pacato. Confirmava-se: o nosso jardinzinho à beira-mar era um oásis.

O surgimento do partido Chega parece ter soltado a rolha que se mantinha sob pressão. Agora, sim, muitos mostram, sem pruridos, aquilo que lhes ia no interior. A melhor prova de que há racismo é o facto de este novo partido ter passado de 1,29%, nas últimas eleições, para 6,2%, nas últimas sondagens, muito à custa de uma simples frase do seu líder: mandou uma deputada negra regressar à “sua” terra. Ah, mas o homem foi provocado, coitado, a dita senhora deu-lhe cabo da paciência, precisava de uma lição. Enfim, um homem não é de ferro… (Isto faz-me lembrar outras coisas que não digo, para não me desviar do tema).

Quero, no entanto, fazer um parênteses para declarar que não estou a apoiar a proposta de Joacine Katar Moreira de devolver a África peças de arte que se encontram nos museus portugueses. Na verdade, não tenho competência para deliberar sobre esse assunto. Não sou, porém, contra a discussão de tal proposta, escutando vários pontos de vista, pois é algo que ocupa igualmente os governos de outros países europeus. O que eu veementemente condeno é a atitude do líder do partido Chega. Nada, no meu entender, a justifica. Mas o que mais me choca não é o comportamento condenável de um político (infelizmente, não é raro, entre políticos). O que mais me choca é a tal atitude ter ajudado a disparar as intenções de voto no seu partido.

Diz-se que os portugueses criaram a mulata, já em criança ouvia. E já nesse tempo, eu achava que havia algo de muito errado, nessa frase. Como Deus criou o homem (como sabem, o masculino serve para os dois géneros), o português criou a mulata – interessante, aqui, usa-se a forma feminina, embora seja inevitável que o garanhão luso tenha igualmente criado o mulato em proporções idênticas. Não estava mais de acordo com o funcionamento da nossa língua dizer que o português criou o mulato?

Mas ninguém fala no mulato, só na mulata. Porquê? Ora, porque a mulata é uma mulher lindíssima, sensual, que faz ferver o sangue dos homens. Quantos sonhos as mulatas já alimentaram, quantos poemas e canções já lhe foram dedicados… E quantos desses portugueses casaram com as mulatas que idolatravam? Bem, convenhamos que essa perfeição feminina transporta em si os genes negros… Por isso, não misturemos as coisas! A mulata serve para a diversão; casar é com a branca! Embora possa ser uma branca moreninha, assim com um tom de pele próximo do da mulata…

“Os portugueses criaram a mulata” – esta frase, que se diz com orgulho (não fôssemos nós um país de poetas) encerra, em si, um verdadeiro tratado sobre racismo e machismo. Hoje, fico-me pelo racismo, esse, que André Ventura ajudou a libertar. Acho que até lhe devíamos agradecer por, finalmente, nos mostrar a verdade. Espero que contribua para que deixemos de mentir a nós próprios.

66 comentários em “Os criadores da mulata”

  1. Completamente de acordo com o que diz sobre o Chega e sobre o racismo.
    Completamente de acordo com a sua indignação relativamente ao apoio que colhem junto dos portugueses.
    Pessoalmente, acrescento uma indignação ainda maior:
    – que os portugueses não se indignem, de forma tão visível, com a corrupção na política e na justiça, tão grande e tão evidente, que faz com que, de facto, o Chega não tenha importância nenhuma.

    João de Brito

  2. Cristina, concordo com parte do que diz, mas troço para que não cheguemos ao ponto em que uma branca que case com um branco, ou um branco que case com uma branca, não sejam automaticamente carimbados de racistas.

    1. Bem, eu também. Afinal, não sou propriamente morena e casei com um nórdico de pele bem branquinha.

      Realmente, é preciso muito cuidado com o que se diz… Acho que vou modificar esse passo.

        1. Uma vez, juntamente com um amigo, fomos recebido por uma família moscovita e partilhamos um jantar memorável. No final levantamo-nos para ajudar a arrumar a mesa. Involuntariamente causamos um tremendo alvoroço, pois as mulheres da casa ficaram incomodadas e fizeram saber que não eram mulheres ocidentais, e que por isso nós devíamos ficar sentados enquanto elas tratavam da logística. Como toda a vida ouvimos dizer que as ordens na Rússia eram mesmo para cumprir, seguimos zelosamente as instruções, e juntamente com os anfitriões masculinos avançamos para a cerimónia das bebidas destiladas.
          Será impossível acontecer algo idêntico em África? Não me parece, pelo que não é difícil de imaginar um europeu branco a viver como um soba e tratar a respectiva esposa de uma forma inaceitável aos nossos olhos. Será um casamento misto uma prova de anti-racismo? Num caso destes haverá algum relojoeiro suíço capaz de, de pinça em punho, conseguir distinguir onde acaba o racismo e começa o machismo?
          Muitos dos estereótipos que refere são simplificações da realidade que é muito mais diversa do que o mundo a preto e branco da Joacine e do Ventura. E a mensagem deles depende mesmo dessa simplificação.

          1. Bem, é verdade que temos de considerar questões culturais. Mesmo que achemos algo de errado, convém não melindrar hábitos ancestrais, dos quais culturas diferentes ainda não estão dispostas a prescindir. Esse é o eterno problema que se põe, por exemplo, com a burka de certas muçulmanas, ou o simples lenço na cabeça. Na nossa sociedade ocidental, vemos isso como símbolo da subjugação da mulher. Mas pessoas, incluindo mulheres, que cresceram nessa mentalidade, podem aceitar mal a mudança, porque não sabem viver (nunca aprenderam a viver) de outra maneira. Por isso, muitas muçulmanas recusam tirar o véu, ele é uma marca da sua identidade. Algo parecido se passa com as mulheres russas que refere, que até se orgulham de serem diferentes das ocidentais.

            Por outro lado, há tradições bárbaras, como a mutilação genital feminina, que achamos um horror, mas para as quais se aplica o mesmo princípio: não é de um dia para o outro que se mudam mentalidades e, quanto mais impomos o nosso modo de pensar e quanto mais proibimos, mais resistência criamos.

            Penso que a melhor solução para problemas deste tipo será apoiar autóctones que lutem pela abolição de certas normas e/ou tradições, sem intervir directamente. A mudança tem de vir de dentro e, não, imposta de fora.

            Como vê, tenho consciência de que a realidade não é a preto e branco. E não sou apoiante de Joacine, nem sequer sou de esquerda, o meu partido sempre foi (e é, embora bastante desiludida com ele), o PSD. Aliás, para Joacine e Ventura é que a realidade é a preto e branco! (Ou, pelo menos, eles querem fazer-nos acreditar que sim). No entanto, confesso ter mais simpatia por Joacine, porque condeno qualquer tipo de achincalhamento público. Usar do insulto, ou recusar-se a pronunciar (ou a escrever) o nome de uma deputada, apelidando-a de “coisa”, uma deputada que pode ter feito e dito disparates, mas que não infringiu nenhuma lei (ao contrário de outros e outras que por lá andam) é, para mim, inconcebível. Opor-me-ei sempre a atitudes desse tipo!

            Com o meu post, quis mostrar que há racismo em Portugal, apesar de muitos o negarem. Nem tudo o que se clama ser racismo, o é. Mas que o há, há! E parece-me ser um grande erro continuar a ignorá-lo.

          2. Não tenho a Cristina como alguém que vê o mundo a preto e branco. Algumas das considerações que tece são pertinentes e de difícil de resposta.
            O nosso apoio para que outros povos se libertem das tradições que não aceitamos pode ser simétrico a eles possam fazer o mesmo connosco? Quantas das nossa leis, hábitos e costumes são inaceitáveis para outras culturas? O mundo islâmico moderado, sim sabemos que existe, explica por exemplo a razoabilidade do Ramadão como é razoável que se faça uma dieta antes da praia. A repulsa pela carne de porco deve-se aos malefícios das carnes vermelhas. Com que argumento nos poderemos defender a que eles apoiem os autóctones de cá que se incomodam com, por exemplos, as questões fracturantes?
            A pergunta de um milhão de dólares terá resposta quando encontrarmos um critério para conseguir lidar com estes assuntos com razoabilidade e sem o maniqueísmo das Joacines e dos Venturas deste mundo.
            E nunca me atreveria a dizer que existe racismo em Portugal e no mundo. Da mesma forma que um escuro (já não se pode dizer preto) na Europa nunca será branco, um branco, mesmo mulato, em África será sempre um branco.

          3. Li-a por curiosidade e relativamente à sua publicação ” O passeio dos tristes… o Venturinha lá andou pelas ruas de Lisboa, com meia dúzia de gatos pingados…”, acabei aqui com a sua justa defesa da Sra. Joacine. Diz que: “condeno qualquer tipo de achincalhamento público”, e eu pergunto-me, neste contexto, que raio de achincalhamento é maior do que chamar racista a um País inteiro. É claro que em Portugal há pessoas racistas, encapotadas ou não, mas dizer que Portugal é racista, no que me diz respeito, não há insulto maior. Também sou simpatizante do PSD, social-democrata convicta, mas não desvalorizo a manifestação dos >1.200 gatos pingados e dou razão ao Ventura na sua defesa dos que, como eu, se sentem minoria no seu País, face às minorias e ao politicamente correcto.

  3. Diz-se que os portugueses criaram a mulata, já em criança ouvia.

    Não sei a que se refere a Cristina. Eu nunca ouvi, que me recorde, tal frase. (Ou, se ouvi, atribuí-lhe tão pouco significado que já não me recordo dela.)

  4. a mulata é uma mulher lindíssima, sensual, que faz ferver o sangue dos homens

    Não sei onde desencantou a Cristina este estereótipo. Nem sei se ele existe, ou se terá sido a Cristina, ou um conjunto de pessoas das relações dela, ou talvez algumas revistas que ela lê, que o inventou.

    Seja como for, não passa de um estereótipo, que provavelmente pouco tem a ver com a realidade.

  5. Acho que a falsa incapacidade de perceber o que é um comentário irónico que, ao fim e ao cabo, traduz o sentimento de muitos portugueses (provavelmente mais do que 6.2 %) é um bom exemplo desta nova ideologia do politicamente correcto, que serve sobretudo quem nada produz e que vive da avençazinha e do subsidiozinho, ou que tem a vidinha garantida por um funcionalismo público bafiento e entorpecedor.
    Os portugueses que se têm de levantar cedo todos os dias para trabalhar a sério estão finalmente a abrir os olhos. Estão a ficar fartos de gente pouco séria e de serem manipulados por uma comunicação social claramente vendida à esquerda. Estão cansados de deputados que só olham para o próprio umbigo ou para os interesses do seu “clã”. Estão saturados de tanta tentativa de lavagem cerebral por parte dos ideólogos rançosos que se tivessem de viver daquilo que produzem já há muito que tinham morrido de inanição.
    Mas voltemos àquela “coisa” que foi eleita pelo “Livre”: afinal ela está no parlamento para defender os interesses de quem?

    1. Os interesses dela, diria. Como parece ficar claro dos acontecimentos dos últimos dias. E como você tão bem expõe no seu comentário.

      Mas tenha cuidado, ainda o fulminam com o anátema de populista.

      Costa

  6. Acha mesmo que o crescimento do CHEGA deriva apenas daquela expressão irónica?
    Bom, se acha é porque das duas uma, esteve hibernada desde o dia das eleições, ou convem-lhe achar para poder criar a idéia de que somos um país racista.
    Pois não somos e ofende-me profundamente alguém que o diz. E no entanto, também eu nos meus pensamentos me vi a fazer a mesma observação que o André Ventura fez, antes até de ler o que ele escreveu.
    Não, o crescimento do partido não nasceu com isto, como muito bem sabe, mas vem ingenuamente alegar que sim. Até porque sabe muito bem que aquela sondagem foi iniciada antes da polémica.
    E para que fique esclarecida e não tenha o impulso de vir criar a idéia de que o português é tão medíocre, que se deixa influenciar no seu sentido de voto, por causa de uma frase escrita no facebook, peço-lhe para não menosprezar o povo de forma tão flagrante.
    A polémica até poderia ter beneficiado o partido na sondagem. Mas não foi a boquita no facebook, foi mesmo a proposta. A proposta é que poderia de facto ter ajudado, de tão absurda e extemporânea que foi.
    E são propostas deste calibre, a perseguição, o ataque a roçar insulto e o baixo nível e a censura travestida, que ajudaram o CHEGA a crescer. Sim, o líder também tem a sua quota parte de responsabilidade. Mas arrisco prever que é a iniquidade, a cegueira e a necessidade de rotular negativamente o português, que alavancaram definitivamente o partido para este resultado.
    Enfim, não menospreze o português. Não se superiorize moralmente, nem se ache mais erudita que o seu vizinho de baixo, só porque ele desabafa contra estas políticas de um sistema moribundo e até manda uma boquita como a do Ventura.
    E termino com uma confissão. Sou português, filho de pai branco e mãe preta. (Sim, é preta e não negra, como ela gosta). Mas eu já posso dizer preta, porque sou preto… ridículo.
    Sou preto, não sou CHEGA, mas a continuar assim, para lá caminho.
    Se já fui vítima de comportamentos racistas? Já. Se sou sempre? Não. Se já fui abordado pela polícia? Já. Trataram-me diferente por ser preto? Não.

    1. Se reparar bem, eu não disse que Portugal, ou os portugueses, são racistas. Eu disse que há racismo em Portugal, o que é bem diferente.

      E não menosprezo o povo português. Afinal, 6% que dizem ter intenção de votar na extrema-direita não são representativos de um povo. Por outro lado, já acho tal percentagem demais para um partido xenófobo e quis chamar a atenção para isso.

      1. Claro que há racismo. Há racismo em todo o lado. Há racismo na terra da minha mãe, que eu visitei e que foi o sítio onde me senti pior. Por ser português, por ser mulato e por falar sem sotaque.
        Há racismo, de facto. Mas não como se quer fazer crer. Não é justo criar o rótulo de que o português é racista. Não é e para além disso é um povo que historicamente tem razões de sobra para recusar esse rótulo. Não é preciso ser muito inteligente para ter a capacidade de perceber que é incomparável o caráter de um homem do sec xv, com um do séc XXl. Estes dias assisti na televisão a uma manif contra a violência policial, onde meia dúzia de pessoas vieram a terreiro fazer passar a msg de que a polícia é racista. Não concordo. Pode ser violenta ou agressiva, mas não é só com o preto, ou com o cigano. É agressiva e pronto.
        Mas tudo não passa de uma questão de educação. Na minha adolescência tive um conflito com um polícia. Um GNR já vivido. Recusei fornecer a minha identificação e ainda mandei umas bocas injuriosas, armado em reacionário. No final identifiquei-me e ainda levei uma lambada. Cheguei a casa e contei à minha mãe. Resultado, levei outra e ainda fui levado pelas orelhas à esquadra pedir desculpa ao guarda por ter sido mal criado. Hoje, se acontecesse com o meu filho, fazia exatamente a mesma coisa. Não vinha disfarçar a desobediência e a má educação com o fantasma do racismo.
        As pessoas que têm estes conflitos, têm-no não por serem pretos. Têm-no porque são mal educadas, porque não aceitam que lhes dêem ordens e não respeitam as regras, nem os outros. Depois vêm com a desculpa do racismo.
        O polícia, quer lhes custe aceitar a palavra, ou não, é uma autoridade. E se é uma autoridade é preciso cumprir. E esse é que é o grande problema dos mal formados e dos betos armados em anarcas que vivem dos euros do papá que é empresário, aceitar a autoridade de um gajo qualquer, que se calhar até só tem o 6 ano… mas é polícia e temos de o respeitar.
        Não cresci num bairro como alguns dos meus familiares, mas sei como é e acredite minha senhora, o problema destes sítios não são os de fora, são os de dentro.
        Por favor não galvanizem esta gente a continuar com determinados comportamentos desviantes, sob o manto protetor do racismo. Não os desculpem. Eduquem-nos a serem melhores, a elevarem-se.
        Não se junte ao rebanho a falar de um assunto sobre o qual não percebe nada. Está a ser utilizada e instrumentalizada por alguns personagens nacionais, que mais não querem do que criar estigma, revolta e desordem, para manterem os seus cargos e os nomes nos jornais.
        Acima confessei que sou preto. Acima de tudo… sou português e sou orgulhoso. Fui à tropa, cantei o hino e jurei bandeira com o braço direito em riste. Era tão fácil vitimizar-me por todos os dissabores da vida, culpando os outros.
        E aconselho-a ler, a informar-se e verá que o manto do racismo não apareceu com o CHEGA, apareceu com todos os outros que sem o conhecerem, sem o estudarem, sem verificar o que defende o CHEGA, o vem culpar por tudo isto que se passa na sociedade.
        Isenção precisa-se.

        1. Obrigada pela sua exposição tão sensata! Mais houvesse assim e talvez se começasse a Centrar atenção no que realmente interessa (como a falta de educação e impunidade existente) ao invés de tentar colar o rótulo do racismo em tudo (que se tornou
          Muito conveniente)

  7. “Os portugueses criaram a mulata”

    Perfeitamente absurdo. É o tipo de tirada provinciana benfiquista daqueles tansos que se dizem latinos e que se deslumbram com os trópicos. Já na Antiguidade havia mestiços. Aliás, deve ter havido sempre. A exogamia é mais velha do que fazer cocó de cócoras e mijar para as árvores. Ou pelos menos da mesma altura.

  8. Possivelmente não percebi muito bem. Até por não conhecer a expressão que usou, mas sim uma ideia mais genérica de que os portugueses, ao contrário de outros colonizadores, se miscigenaram.

    O único espanto que tenho é de não haver mulheres a falar na beleza dos mulatos (será racismo?) porque é em muitíssimos casos evidente. Daí não concordar consigo; parece que a haver racismo, é sobretudo das mulheres.

    1. E quem diz que os outros colonizadores não se miscigenaram? Está provado? Ou é mais um mito parecido com o do “bom colonizador”? (O português, claro).

      Olhe, por acaso, estive para falar da relação mulatos/brancas. Acontece que esta adoração dos homens (ou de certos homens) pelas mulatas vem de um tempo ainda muito puritano, em que não se concebia o facto de mulheres se divertirem com homens sem serem casadas. Muito menos com mulatos, pretos, amarelos, mestiços, etc. Essa mentalidade (ou vestígios) está, ainda hoje, mais presente do que se pensa – tanto o facto de brancos evitarem casamentos, ou relações de facto, com mulheres de cor, a fim de não se transmitirem os genes delas aos filhos, como o facto de se aceitar mal que brancas se juntem a homens de cor. Trata-se de uma minoria (felizmente), mas ainda existe.

      Mas, num ponto, a Isabel tem razão: o meu post pode dar a impressão de que apenas os homens são machistas. Não foi essa a minha intenção. É claro que também há mulheres racistas. Presumo que tantas, quanto os homens que o são.

      Obs.: o facto de se praticar a miscigenação não quer dizer que não se seja racista.

      1. Cristina, se ler o que escrevi vai ver que eu não disse que só os portugueses se miscigenaram. Apenas que conhecia a ideia, ao contrário da expressão que usou.
        A mestiçagem é tão antiga como o mundo.
        Agora – nas correrias para almoço – não tenho tempo para mais, mas aqui voltarei para continuar. 🙂

        1. Sim, realmente a Isabel escreveu “os portugueses, ao contrário DE outros colonizadores, se miscigenaram” e, não “os portugueses, ao contrário DOS outros colonizadores, se miscigenaram. Mea culpa.

      2. As questões de racismo, como já vi escrito neste blogue, são fruto de problemas de pobreza, de desenraizamento e de clivagem económica e social, mais do que outra coisa qualquer. E, infelizmente, é esta evidência que o moderno anti-racismo – herdeiro do antiga caridade com os pretinhos -, não vê nem quer ver. E são também fruto de falta de mundo e educação.

        O racismo de há cinquenta anos passava muito pelo matarruano que nunca saiu da sua terriola ou bairro e partido para um país africano aproveitou, por esperteza saloia e necessidade de afirmação de poder e suposta superioridade (a única que teve na vida) a subjugar o preto. E passava também pelos ignorantes que ficavam na terriola ou no bairro a imaginar África como terra de selvagens. E, claro, por gente mais bem instalada que, onde estiver há de sempre arranjar quem o sirva.

        O racismo de hoje, é herdado do antigo. E há dois tipos de herdeiros: os que continuam com a ver o mundo como os seus ascendentes, e os que levantam as bandeirinhas anti-racismo, sem perceber que estão a ser tão ou mais racistas do que os outros. Pelo paternalismo com que tratam os africanos, como se fossem crianças a precisar de uma mão para atravessar a estrada. A caridadezita de antigamente foi substituída pela diversidadezinha de hoje, que não permite se olhe para um africano como um igual, autónomo, com capacidade de afirmação própria.

        Só a educação e a solução dos problema económicos e sociais corrigem as desigualdades. E só quando os herdeiros destes herdeiros se educarem e perceberem que existe gente educada em qualquer parte do mundo, em qualquer raça, é que verão o outro como igual.

        Nota: nunca estudei dados estatísticos comparados de miscigenação portuguesa e de outros povos. Mas sempre lhe digo que a historiazinha bem comportada e activista dos dias de hoje, que nos fustiga como malfeitores, me parece tão ou mais ideológica e moralista do que ensinada há cinquenta anos.

        1. Isabel, concordo que muitos problemas são “fruto de problemas de pobreza, de desenraizamento e de clivagem económica e social, mais do que outra coisa qualquer”. Mas também há racismo perigoso em Portugal. Não é muito, mas há! Basta andar pelas redes sociais para o constatar. Quem classifica os pretos de “esterco social” é , para mim, um racista perigoso, não pertencendo a nenhum dos dois tipos que referiu. E é um erro continuar a ignorá-lo.

    2. Isabel, se reparar bem, o comentador V., com quem concorda, diz: «Já na Antiguidade havia mestiços. Aliás, deve ter havido sempre. A exogamia é mais velha do que fazer cocó de cócoras e mijar para as árvores». Ora, neste contexto, que sentido faz dizer que os portugueses foram os únicos colonizadores que se miscigenaram?

  9. O anti-machismo acrescido do ant-racismo tem no ‘fizemos a mulata’ , e não o tradicional ‘fizemos o mulato’, a sua expressão.

    Que em Portugal haja hoje uma maior rejeição aos negros do que no passado é tão só normal: muitos são os que no nosso território povoam franjas de criminalidade, e nos territórios de África são escassos os ecos de civilidade e decência política dos seus dirigentes.

    Ainda assim, o racismo apregoado e exaltado pelos arautos das engenharias sociais, são um triste espetáculo de criação de mais uma hoste de coitadinhos, de que logo se arvoram em guias e protectores, na sua incansável tarefa de inflarem os seus desamparados egos.

  10. Como é possível falar em racismo depois de se verificarem todas as premissas que levam os povos a quererem defender as suas Nações e culturas.
    O argumento do racismo é o ultimo nível de degradação intelectual possível, mas os “liberais democratas” agradecem.

    WW

  11. o africano católico de matiz portuguesa pode se dizer que é portugues, pode-se não, é… agora os marxistas-islamicos africanos são…o Iman do Mamadou devia ser deportado por promover o radicalismo islamico em Portugal…

    1. Marxistas-islâmicos??
      Ou são marxistas ou são islâmicos, não podem ser a mesma coisa.
      Entenda-se por coisa, quem professa a religião islâmica incompatibiliza-se com o marxismo.

  12. Não sei com que me indignar mais… se é por me chamarem, como português, de racista… o que se faz hoje em dia com uma facilidade tremenda, se é por me chamarem de estúpido, ao acharem que o CHEGA cresce nas sondsgens por causa daquela frase.
    Não sejam ingénuos… não é por causa da frase do Ventura que o chega cresce… é por causa das centenas de frases de políticos, jornalistas e comentadores, que cada vez mais menosprezam a inteligência do português.

    1. Como já referi acima:
      – se reparar bem, eu não disse que os portugueses são racistas, eu disse que há racismo em Portugal, o que é bem diferente.
      – não menosprezei a inteligência do português, mas menosprezo sinceramente a inteligência dos 6% que afirmam pretender votar no Chega. Claro, ainda podem mudar de opinião e espero bem que o façam.

      1. Não acha que é de uma arrogância aberrante, a Cristina achar que é mais inteligente do que eu, caso eu vote no chega?
        Mas afinal a Cristina é democrata ou não? É que eu fico na dúvida. Então a diversidade de idéias, de debate, de pontos de vista não são positivas?
        A Cristina prefere uma sociedade monopartidária, onde só as pessoas que pensam como a Cristina é que têm direito de estar?
        Tipo uma urss, ou uma Cuba na península ibérica?
        Eu não sou tão arrogante. Eu sou humilde o suficiente para defender que qualquer discussão é enriquecedora, mesmo com o ser mais estúpido do mundo.
        Agora fico a pensar quem é o fascista. O partidário do chega, ou a Cristina que o diminui para cidadão de segundo plano.
        Mas admiro a lata da Cristina… eu não tinha lata para vir publicamente defender um argumento tão anti democrático, nem diminuir 6% de portugueses, só porque não pensam como eu. Valorizo muito a minha liberdade e a liberdade que o 25 de abril me proporcionou. E não foi por isto que a Cristina acabou de escrever, que tanta gente se arriscou naquele dia, incluindo eu.

        1. Lamento que passe ao ataque pessoal, em vez de discutir ideias. Achar que há diferenças de inteligência entre a população não é ser anti-democrata, nem fascista, nem considerar que haja cidadãos de segundo plano.

          1. Ataque pessoal?… mas ao menos a Cristina lê o que escreve? A Cristina escreveu acima que menospreza a inteligência de 6% dos portugueses. Sabe quais os sinónimos da palavra desprezar? Inferiorizar, diminuir, só para citar dois. Ou seja, eu como votante do CHEGA sou inferior em termos de inteligência, relativamente a si. Ao menos posso ficar mais tranquilo porque apesar de ser menos inteligente, sei escrever melhor português.
            Achar que há diferenças de inteligência não é fascismo, nem anti democrata, de facto, mas achar que alguém que tem opinião diferente da nossa, mas que contudo tem capacidade para argumentar, e é rotulado de imbecil, já é.
            Sim, porque um imbecil é um indivíduo pouco inteligente.
            Pois de tudo o que já li aqui neste post, acabo por perceber que a Cristina não discute idéias, como apregoa. A Cristina agradece a quem lhe faz elogios e foge ao debate a quem não concorda consigo.
            E no final, à boa maneira da esquerda beta, rotula toda a gente que argumenta contra os seus argumentos, de imbecil pouco inteligente.
            É o que dá escrever sobre assuntos dos quais não percebe nada, nunca os viveu, nem tão pouco deles se aproximou.
            Arrisco-me a afirmar que a Cristina só conhece ciganos de ver o Ricardo quaresma na televisão, só conheceu o bairro da Jamaica, depois de ver o prof Marcelo a fazer visitas de charme e só conhece a polícia, porque multaram o seu carro, que estava mal estacionado.
            Agora pode continuar a agradecer os elogios dos seus seguidores, que eu não menosprezo, apenas porque batem palmas ao seu texto.

          2. Meu caro “Vizinho”, escreve tanta coisa sobre mim, como se me conhecesse, mas, se me conhecesse, saberia que não apelido ninguém de “imbecil”. Deixei de usar certas palavras para caracterizar seres humanos e essa é uma delas.
            Há pessoas mais inteligentes do que outras, isso não é segredo nenhum. Ser menos inteligente do que alguém, porém, não significa ser pouco inteligente, embora haja pessoas pouco inteligentes. Mas, mais inteligente, ou menos inteligente, toda a gente tem os seus talentos, e ninguém pode ser diminuído ou discriminado pelo seu grau de inteligência.

            Agora falei de grau de inteligência, como se esta se pudesse medir. Enfim, convencionou-se medir a inteligência pelo QI, o que aliás pode não ser a melhor maneira. O facto de resolver bem problemas matemáticos ou de lógica dá a uma pessoa mais competência para orientar a sua vida? E, se não, quem é afinal mais inteligente: aquele que consegue fazer contas complicadas de cabeça, ou aquele que tem mais habilidade para se desenvencilhar em situações de aflição?

            Dito isto, não sei se sou mais ou menos inteligente do que o “Vizinho”. Nem me interessa. E vou-lhe dizer porque disse que menosprezava a inteligência dos votantes do Chega. Porque o Chega, a meu ver, pretende dar soluções fáceis a problemas complexos. Tal como o Trump, dá uma impressão de autoridade que não possui. Trump está-se a marimbar para os problemas do cidadão comum. Assim como André Ventura. São pessoas egoístas e narcisistas, que só pensam em si próprias. Mas uma coisa eles sabem: apregoar aquilo que os outros querem ouvir. Sabem dar a impressão de que são mais capazes de resolver problemas do que os outros políticos. E as pessoas, descontentes como andam, acreditam. Por isso, é que falei nisso da inteligência. Porque, não sei se é o seu caso, mas muitos apoiantes do Chega gostariam de um regime como o de Salazar e acham que André Ventura lhes pode satisfazer esse desejo.

            Porém, presumo não ser o seu caso, pois o “Vizinho” expressou, num comentário, valorizar muito a liberdade que o 25 de Abril lhe proporcionou. Por isso, lhe digo: estou convencida de que o Chega nos tiraria essa liberdade. O “Vizinho” talvez ache que não. São opiniões. Devido às minhas convicções, porém, acho que não seria muito inteligente eleger um partido que nos tiraria a liberdade. Daí a minha afirmação.

          3. Sem dúvida que valorizo a minha liberdade. Mas valorizo a minha liberdade num sentido abragente e não num sentido de facilitismo irresponsável.
            Continuo a achar que a Cristina formou idéias sem consultar as fontes. Achar que o CHEGA defende o diminuir de liberdades é uma falsidade, que tantas vezes dita, acaba por se supor verdade.
            Não votei no CHEGA, nem sou militante. Mas assim que começou o ataque público fiz uma coisa que tenho a impressão que pouco gente fez. Fui ler, fui estudar para saber afinal que monstro era este.
            Confesso que fiquei perplexo quando verifiquei que ali não há monstro nenhum. Há sim um conjunto de idéias, muitas delas polémicas, de facto, muitas delas que fogem ao espectro da nossa política convencional, mas que em nada me dão a idéia de que reviverei um estado novo.
            O CHEGA não é neste momento um partido que apresente soluções. Não tem dimensão para isso. Mas fazia falta ao nosso panorama o discurso, o confronto, o exigir explicações e o trazer para debate certos assuntos. Não querem que o CHEGA cresça, então aconselho a olhar para aquilo, tentar ser isento e debater algumas daquelas idéias, de modo a criar um resultado equilibrado. O que vemos não é isso. O que vemos é uma censura encapotada. E isso ganha votos. O português gosta dos zes marias. Por isso, quanto mais lhe batem e fingem que ele não tem categoria, mais ele cresce.
            Sobre racismo, sinceramente convido-a a ler o programa e a transcrever aqui uma idéia racista, ou segregacionista. Não existe. No fim percebi uma coisa. Aquilo não é extrema nenhuma. Se aquilo é extrema, o bloco é ainda mais extrema, o LIVRE então nem se fala.
            E se são extremas porquê criar a idéia de que há extremas más e extremas boas?
            Se as pessoas andam descontentes, provavelmente é porque o modo e o conteúdo da política em Portugal é miserável. O CHEGA não se aproveitou do status quo. O povo é que viu ali uma voz que sente como sua. Não em todas as matérias, mas em muitas matérias.
            Vivi o salazarismo e vendo ao que chegou hoje esta censura disfarçada, entristeço-me.
            Sobre trump teríamos aqui assunto para outro post. Mas a minha leitura é uma. O trump, ao contrário de outros que nos habituaram mal, é presidente dos americanos. Não é dos europeus, nem dos chineses. É dos americanos. Por isso, dentro das suas idéias, defende-os. Infelizmente ao fazê-lo, colide com interesses de não americanos. Temos pena. O certo é que cresce a economia, baixa os impostos, cria emprego. E provavelmente ganha de novo. E agora? Os americanos são todos estúpidos e racistas?
            Assim, o preconceito é demasiado óbvio. E não é do CHEGA. É de todos aqueles que o tentam destruir, sem sequer o tentarem compreender. Esta é que é a grande arrogância a que me referia.

      2. Que lata!!!! Ao menos fique com as boas notícias: hoje é melhor do que 6% dos portugueses, mas por este andar daqui a uns tempos vai ser melhor que 15 ou 20%.
        Só não sei se isso é mania da superioridade ou é só grande autoestima… e por falar em achar-se superior… o nazi é o gajo do chega… tá bem, tá.

    1. Negativo.
      Sempre gostei de homens. E sou casada (com um) há quase trinta anos.
      Os meus semelhantes são-me tão caros, que detesto ver uma pessoa ser achincalhada em praça pública, mesmo que admita que ela tivesse dito, ou feito, disparates. Chama-se a isso caridade cristã.

  13. Interessante que os próprios se queixam de racismo… por parte dos negros. Mas como tudo na vida, há o racismo mau e o racismo justificado.
    Tal como a escravatura. Os europeus são uns mauzões que enfiavam os africanos nos barcos, já os africanos que os vendiam… bem, esses não eram propriamente esclavagistas, eram algo assim, como que outra coisa.
    E o magrebe? Vamos ter pena deles como da dita África negra, ou como são arraçados de árabes é para descartar nesta coisa dos revisionismos e ajustes de conta contabilísticos?

  14. “A mulata serve para a diversão; casar é com a branca!”
    E qual das duas coisas é preferível? Eu prefiro a diversão ao casamento. Mas há gostos para tudo.

  15. Suponhamos que emigro para o Japão , chegando lá arranjo emprego mas verifico que não consigo seguir o ritmo de trabalho dos japoneses nem me adapto à sua extrema organização nem ao cerimonial todo . Ainda por cima nenhum japonês quer casar comigo. E , às tantas, sou despedida. e lá venho para a Europa , de queixo caído. Serão os japoneses racistas ?

  16. “Não pretendo generalizar. Claro que também há portugueses casados com mulatas. E com negras. Mas são uma minoria, mesmo entre aqueles que se divertiram com mulatas. Ou que sonharam fazê-lo.”

    Fica então estabelecido – e integrando, suponho, o catálogo das verdades progressistas, inclusivas e democráticas (estas, pelo menos: ou seja, a Verdade) – que o português, o macho da espécie apenas, entenda-se, bem entendido, e certamente branco, cristão e heterossexual (cada vez mais três intoleráveis imperfeições) tem uma fixação doentia em mulatas; mas sempre, ou quase, com o escrupuloso cuidado de proteger o leito conjugal de outra pele que não a branca, no limite a morena de tom um tudo nada mais pronunciado. A loura deixou, posto isto, de ser a figuração clássica e consagrada do devaneio adúltero, ou pelo menos promíscuo, mas o português é e será sempre, à partida e por definição, homem de fundamentos morais discutíveis.

    Culpado até que prove a sua inocência, o português branco (tal e qual, já agora, como o cidadão perante o fisco). Ora muito bem, nada como uma verdade cristalina para confortar a nossa necessidade de certezas.

    Sendo mulatas e negras, por cá, ainda uma minoria, como aliás proclamam algumas (e alguns) com o orgulho fervoroso de quem reclama a condição de mártir, os casamentos mistos serão naturalmente uma minoria também. Mas será talvez – de novo em linha com o progresso, a inclusividade e a democracia, tal como metodicamente marteladas sobre as nossas cabeças pela vanguarda dita intelectual que cuida de modelar o pensamento do cidadão – de impor quotas, ditando que os casamentos entre brancos e mulatas ou negras (e, já agora, talvez também entre mulatos ou negros e brancas, será ouso supor, de admitir que a pele branca suscite a ocasional lascívia entre mulatos e negros; mas especulo, evidentemente) obedeçam a percentagens mínimas do total de enlaces conjugais celebrados num dado período. Ao menos assim, o predador branco, esse pelo menos (e haverá outro?) seria responsabilizado pelo potencial de indecência, pelos genes de racismo – espécie de pecado original, que em si encerra – que, ficou por si solidamente demonstrado, guarda nos seus pensamentos e, podendo, actos.

    Isto admitindo, claro, que a senhora mulata ou negra, estivesse interessada na formalização da relação.

    Enfim, deixemos as considerações de racismo, licenciosidade e matrimónio. Este é um texto, o seu, que recorrendo ao tema do racismo (que a ninguém de bem pode deixar de repugnar) manifesta afinal escândalo por ter a direita dita extrema um lugar no parlamento português. No parlamento onde tantos lugares têm os representantes da esquerda totalitária e, demonstra-o a História – que tanto parece apreciar e sobre que escreve por aqui linhas de tanto interesse -, impenitentemente assassina e fracassada no que promete. Mas, quanto a esses e a essa, escândalo algum.

    É a democracia a funcionar, apenas isso, num caso e no outro. E se essa direita dita extrema, admitindo que não seja banida por muito democrática lei, elaborada e promulgada à medida, aumentar a sua representatividade, talvez seja melhor (talvez até antes disso) que as forças políticas clássicas (chame-se-lhes assim), procurem perceber onde falham repetidamente há tanto tempo.

    Arrisco dizer que seria urgente que o fizessem.

    Costa

    1. Apesar de ter modificado a passagem que cita, aprovei o seu comentário, porque gostei da ideia de arranjar um pecado original para os homens (que as mulheres já o carregam desde o início dos tempos) e por concordar com o que diz sobre as “forças políticas clássicas”.

  17. “a mulata é uma mulher lindíssima, sensual, que faz ferver o sangue dos homens”

    E de algumas mulheres.
    Deve haver mulatas feias e pouco sensuais, digo eu.

    A mulata atrai os homens (presumo que caucasianos), e aqui entro no campo das generalizações, porque são exóticas (diferentes, tal como uns têm taras por asiáticas, nórdicas), e porque representavam algo proibido pela sociedade.
    Sim, porque a relação inter-racial era considerada um desvio. Como tudo o que foge à norma.
    Por outro lado, as mulheres não gostavam de se divertir com mulatos, ou a luxúria escondida era propriedade do patriarcado?

    1. Estava vedado às mulheres divertirem-se com homens sem serem casadas. Claro, muitas o fizeram às escondidas, mas estava fora de questão apregoá-lo. Ao contrário dos homens, que eram elogiados pelas suas aventuras amorosas, elas arriscariam a censura social, muitas vezes, o isolamento total. Se fossem casadas (com outrem), arriscavam mesmo a vida. Se fossem solteiras e virgens, não se atreviam (a percentagem das que se atreveram deve ser ínfima).

      1. “Estava vedado às mulheres divertirem-se com homens”
        Hoje é (quase) o contrário ou, pelo menos, é muito arriscado. Se um homem se diverte com uma mulher … corre o risco de ela no dia seguinte dizer que foi sem consentimento explícito. Sobretudo se ele tiver muita massa, for mediático etc. Se
        não for, não compensa.
        Exemplo: aquela americana (esqueci o nome) com o C. Ronaldo. Gastou os 300.000 dólares, atacou. Quando gastar o que agora obteve, volta ao ataque.
        A lei e o sentimento social agora existente facilitam, quase que convidam, as mulheres para a fraude. As mulheres são tão capazes de fraude e crime como os homens ao contrário do que alguns defendem.

  18. Já houve tempos em que eu contemplava a embalagem do café – não vou fazer publicidade, só pelo prazer do conteúdo. Tenho que confessar, pedindo o vosso perdão, que perante a imagem feminina daquela (digam as palavras proibidas no quarto insonorizado) que o promovia, assaltava à memória o deleite do seu odor – do café nada de confusões.

    Agora, porque causa de hábitos e linguagem pretensamente insanos virei ‘vegano’: só bebo descafeinado!

    Ide-vos Katar!

    Smoreira

  19. “Os portugueses criaram a mulata”
    Ouvi inúmeras vezes, sobretudo durante o Estado Novo, dizer-se que “Os portugueses criaram o mulato”. Que criaram a mulata nunca tinha ouvido ou, se ouvi, já me tinha esquecido pois terão sido muito poucas as vezes que ouvi. Miscigenação, isso sim, andava sempre na boca dos fascistas e colonialistas.

  20. E note-se que antigamente mulato incluia homens e mulheres. E note-se que era lógico pois durante as actividades sexuais com pretinhas nunca se sabia se ia sair rapaz ou rapariga.
    A Gramática alterou-se: há palavra específica para quando há só mulheres (mulata, etc.) mas não existe palavra para quando só há homens. Os homens estão perder esta ridícula guerra da Gramática. Tem de se inventar uma palavra para eles.

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