«É cada vez mais difícil no mundo actual, mundo “da informação instantânea”, em que o que conta é a espuma dos dias, e em que as massas estão (consentem deixar-se ser e estar) bastante alienadas, “bêbadas” pela torrente de estímulos e de informação.
O que releva ainda mais quem escolhe um caminho contrário, como foi o caso de Cohen e de mais alguns (de repente, estou a lembrar-me do Léo Ferré, e, à nossa dimensão, do Carlos Paredes, a anti-estrela).
Nunca mais me esqueci de uma frase do professor e etologista Luís Sozcka, do início dos anos 80, era eu um jovem estudante universitário, mas ainda muito operativa para estabelecer paralelos, comparar situações e compreender o mundo de hoje: dizia ele que a quantidade de informação disponível era muito superior à capacidade do cérebro humano para a processar.
Dada a situação de hoje, com a galáxia Internet, compreende-se melhor a “tontice” do mundo, das pessoas, perdidas neste mar revolto de bytes e terabytes de informação (não tardando que nos sejam familiares o petabyte, o exabyte, o zettabyte e o yottabyte) .
Portanto, obrigado grande Leonard Cohen, mereces o nosso respeito e gratidão, também por teres remado com sucesso contra a maré dominante.»
Do nosso leitor Manuel Silva. A propósito deste meu postal.
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«Dois mil e dezasseis não tem sido um ano bom.
Ainda ontem estava sozinha no escuro, depois de um dia extenuante no trabalho que terminou noite entrada, sentada no chão, a ouvir Cohen e a chorar.
Pensei em tanta coisa, sobretudo na minha mortalidade, como acontece sempre que experiencio um sentimento de perda.
Leonard foi abençoado com a magia das palavras em pas de deux com compassos sonhadores. Foi daqueles artistas cuja excelência da obra tocou milhões e perdurará ad eternum.
Seria eu uma pessoa feliz se tivesse a capacidade de deixar continuidade de pensamento em meia dúzia de criaturas de Deus.
Não sei se é um adeus ou um até breve, mas o embalo da voz levou-me até de manhã.»
Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu postal.
