Os Buíças de Sirte


Pedro Correia,

Pensava que a esquerda radical era claramente favorável ao tiranicídio. Pensava que a esquerda radical gostava de ver ditadores executados pelas “massas populares” em vez de os ver placidamente confiados à “justiça burguesa”. Afinal enganei-me: o Bruno Carvalho e a Helena Borges, que nunca choraram qualquer lágrima pelas vítimas de Kadhafi, andam a chorar a forma como o ditador foi executado. Tratou-se de um acto brutal e repugnante – de acordo. Mas será que no mesmo blogue onde escreve quem celebrou o regicídio de Fevereiro de 1908, elegendo até esse duplo crime que chocou a Europa como acto fundador da república portuguesa, sobrará um pingo de moral a alguém para se indignar agora contra os Buíças de Sirte?

25 comentários em “Os Buíças de Sirte”

  1. Como podem ainda admirar-se! Então não estão fartos de saber que, tanto para a esquerda como para a direita, de resto, os dos outros são terroristas e os nossos são revolucionários (o que quer que seja que actualmente isto queira dizer)?

    1. Talvez. Mas um ditador é um ditador. Chorar pelo Kadhafi e pelo Ceausescu e não chorar pelo Mussolini e pelo Savimbi, ou vice-versa, é menosprezar a inteligência alheia. Para não dizer pior.

  2. Pedro: mesmo sem ver com atenção os posts referidos aqui concordo com a ideia geral de que os dois actos são condenáveis. Mas hão-de convir que, de um momento ao outro, passaram mais de 100 anos e muitas convenções foram assinadas incluindo a dos direitos do homem. Não posso deixar de me indignar com qualquer assassínio. Mas quando isso acontece hoje, quando se proporciona uma romaria para tantos anónimos líbios verem o corpo, ao mesmo tempo que se discute em que moldes se vai construir o novo estado é algo que me parece profundamente errado.

    1. Entre um e outro crime passaram mais de cem anos, Ana. Mas entre um ‘post’ e os outros dois passou apenas um ano. O blogue é o mesmo. E a indignação selectiva até grita de ser tão evidente. Confesso: ando já cansado de tanta indignação selectiva. Passo muito bem sem ela.

    1. O Luís M. Jorge já tinha apontado baterias nessa direcção, acertando em cheio. É mesmo esse o raciocínio: os inimigos dos meus inimigos (EUA e aliados europeus) meus amigos são. Por mais execráveis que sejam.

      1. Eu até compreendo o raciocínio, mas como auxiliar. Agora, como raciocínio principal, sem mais considerações…é inacreditável. O melhor é quando esta mesma esquerda apoia Ahmadinejad, aí as consequências desta fórmula atingem um paroxismo absolutamente inacreditável!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *