Uma das muitas ironias ligadas à acção da «geringonça» é como tem vindo a ajudar os «especuladores» dos mercados financeiros. Para estes, dívida pública de países pertencentes à União Europeia (ainda uma excelente caução, noutra ironia assinalável em tempos de ataque feroz às suas regras e instituições) com taxas de juro de 3% constitui um óptimo investimento quando muitas outras rondam o zero. É verdade que o investimento só é bom enquanto Portugal for pagando e sabemos que, por vontade do Bloco e do PCP, Portugal não pagaria – mas nesse caso também não obteria mais dinheiro, o que talvez gerasse efeitos desagradáveis (diz-se que a fé move montanhas mas poderá não imprimir euros). Continuemos pois a aplicar políticas que fazem subir as taxas de juro. Cedo ou tarde, a bolsa dos portugueses ressentir-se-á, mas os «especuladores» agradecem.
Os amigos dos especuladores
escafandro,

Insistirei sempre que venha a propósito:
– o post tem toda a lógica dentro da lógica do regime selvaticamente liberal que desgoverna o mundo ocidental e seus aliados.
Atentando, por exemplo, no cerne do texto:
– Só um regime selvaticamente liberal encararia, como natural e aceitável, a existência dos tais especuladores.
Pior:
– Tais especuladores não só são aceites como coisa normal como até são os criadores, mentores e promotores de tal regime do qual recolhem todos os frutos.
Para as populações ficam as folhas e uma ou outra peça bichada.
Básico, meus caros!
Básico? Quando não apresentou qualquer alternativa? Devíamos sair do euro, imprimir e distribuir dinheiro? Está ciente das consequências?
E, já agora, quem para si são os especuladores? Tem por acaso dinheiro num banco, mesmo público (digamos a CGD)? Está a apoiar especuladores. Descontou para a Segurança Social? O seu dinheiro está a servir para a especulação. Tem alguma aplicação financeira, ainda que mínima e pouco rentável? Você é um especulador.
Sr José António Abreu, brilhante o seu comentário. Certeiro. António Cabral
Obrigado.
Diga lá qual foi a intenção da feitura da CEE. Diga como foi que a Alemanha pagou a dívida, da própria Alemanha. Diga porque razão ninguém fala da dívida da Holanda. Diga o porquê da sua insistência na austeridade. Já agora, diga, como seria o José António Abreu a viver com 800€, repare que nem lhe falo no salário mínimo.
A Alemanha criou uma economia sustentável. Qual dívida da Holanda? A austeridade é uma consequência de políticas irresponsáveis; a geringonça insiste nelas. Você sabe tanto sobre a minha vida como eu sei da sua (enfim, pelo menos você conhece o meu nome). Mantenhamos as coisas assim.
A Alemanha criou uma economia sustentável porque todos os países a ajudaram e sabe muito bem disso. Para tal, valeu-lhes o plano Marshall e nós temos o quê? Austeridade, austeridade, austeridade e a austeridade jamais leva ao desenvolvimento da economia. A austeridade foi-nos imposta pelo anterior governo e não por este e as políticas irresponsáveis, foram feitas por todos os governo e não só pelo PS e a pela UE e BCE que emprestava dinheiro sem nunca questionarem para quê e se tínhamos como pagar. Chamar geringonça a um governo é uma deselegância total e eles não o merecem. A divida da Holanda segundo o presidente do Eurogrupo, ministro das finanças da Holanda, como bem sabe, é enorme, chegando ele a afirmar ser maior que a da Grécia, mas por obra do Além, ninguém ouviu falar dela porque não interessa. Não sei nada da sua vida nem tenho intenções de saber, apenas lhe disse para se imaginar com 800€, para sentir a sensação, de quem vive só com isso e nada mais. Todos nós, nos deveríamos imaginar na situação desses, para nos revermos na situação daqueles que são iguais a nós, mas que infelizmente a vida não lhes proporcionou mais, o que é triste.
E a Portugal, ninguém ajudou? Tadinhos de nós. ndos_estruturais/25_anos_de_fundos_estru turais-fundos.pdf
“Entre 1989 e 2013, o volume total de fundos estruturais e de coesão disponibilizado a Portugal superou os 96 mil milhões de euros, a preços constantes de 2011, considerando o financiamento estrutural previsto nos três Quadros Comunitários de Apoio (1989-2006) e no Quadro de Referência Estratégico Nacional (2007-2013).”
Aqui: http://www.tvi.iol.pt/pdf/25_anos_de_fu
São cerca de 2,5% do PIB, todos os anos. E, desde 2000, nós – génios – conseguimos sempre crescer menos de 2% e muitas vezes menos de 1%.
A dívida pública da Holanda é de 68% do PIB: eo/2016/01/weodata/weorept.aspx?sy=2010&ey=2016&scsm=1&ssd=1&sort=country&ds=.&br=1&c=138&s=GGXWDN_NGDP%2CGGXWDG_NGDP&grp=0&a=&pr.x=58&pr.y=16
http://www.imf.org/external/pubs/ft/w
Quanto à Alemanha, talvez devesse ir ler sobre as reformas que lá foram levadas a cabo – por um governo do SPD – no período entre a reunificação e meados da década de 2000. Nós ainda continuamos a recusar terminantemente muitas delas.
A «geringonça» insiste no modelo económico errado. Merece todas as críticas.
A nós, limitam-se a emprestar dinheiro e a aplicar juros brutais que por causa dos ditos, ainda não pagámos nada da dívida, a não ser juros. Lembro-lhe porque sei que sabe, à Alemanha foi-lhe perdoada metade da dívida e para que crescessem, pagariam o resto, conforme fossem evoluindo. A nós, ninguém perdoou nada e o único que fazem é exigir esforços e o ser humano, como todos sabemos tem limites. À Grécia e muito bem, já lá vão dois perdões. O governo e não geringonça porque se vamos por aí, a geringonça passada, é que insistiu no erro e aqui, há o testemunho de Victor Gaspar que teve a humildade, de assumir o erro e demitir-se, mas a sua sucessora ignorando o seu antecessor, insistiu no erro. Este governo o que tem feito é restituir o que retiraram e nada mais. Se acha que isto é um erro, é um sinal que estamos a construir uma sociedade sem valores e onde o dinheiro tem mais valor que o humano, o que é muito grave.
Tem toda a razão o autor acaso o problema tivesse começado com a entrada em cena deste governo…
O problema já vem detrás, vem desde o momento em que a partidocracia se impôs como forma de vida para a esmagadora maioria da “elite” nacional.
A mesma elite que detesta Passos Coelho e aprecia António Costa? É capaz de ter alguma razão.
A elite é a mesma, os métodos é que são diferentes para obter os dividendos, enquanto uns optam por se endividar á conta da restante população os outros esmifram a restante população com cortes em salários, pensões e serviços básicos.
Nope. A elite do sector público e actividades associadas (e.g. sindicatos) respira muito melhor com Costa e a elite que no sector privado vive encostada ao governo também. É só constatar como os banqueiros gostaram da ascensão de Costa a primeiro-ministro. Manter a ilusão é manter o poder.
(Haverá quem, no sector público ou privado, esteja mais ligado ao PSD – mesmo ao PSD de Passos Coelho? Com certeza. Mas a diferença é abissal. Até os «barões» do partido contestavam e manobravam contra Passos. Aliás, continuam a fazê-lo.)
A elite “privada” financiada pelos impostos arrecadados pelo estado foi a que mais proliferou nos anos anteriores…
Ou terei de o remeter para as promessas de 2011, aliás o estado continuou com os mesmos gastos enquanto á sua volta surgiu ainda mais forte um estado paralelo feito por pseudo empresas privadas, só não vê isto quem não quer.
A gestão danosa dos impostos arrecadados continua, nada mudou no governo PAF, toda as pessoas isentas o reconhecem.
As promessas dizem-me pouco. Em 2011 ou noutro ano qualquer.
Os gastos do Estado não ficaram iguais. Deviam ter descido mais mas, se parte da culpa foi do governo, outra parte foi do TC. eo/2016/01/weodata/weorept.aspx?sy=2010&ey=2016&scsm=1&ssd=1&sort=country&ds=.&br=1&c=182&s=GGX%2CGGX_NGDP&grp=0&a=&pr.x=58&pr.y=11
http://www.imf.org/external/pubs/ft/w
Nota: Os dados de 2014 estão influenciados pelo caso BES e os de 2015 ainda não são definitivos (sendo que aconteceu o Banif).
Já desconto do meu raciocínio os crimes de colarinho branco, a intervenção do TC foi honesta (deixou passar muitas injustiças), os cortes em salários e pensões poderia em parte concordar com eles mas nunca como método inicial ou único (como foi feito), em tudo o resto teria de ser 1º feito… parado-subiu-para-200-mil-milhoes-em-mai o_254358.html
Já sabia que não relevava as promessas de 2011 mas pelo menos explique-me a da sobretaxa de IRS de 2015 e os cortes que eram transitórios em Portugal e dados como certos para sempre em Bruxelas ou explique como um ministro das finanças reconhece que estava errado naquilo que impõe e mesmo assim é promovido para o FMI.
Já agora e falando de agiotas e especuladores vamos ver como os alemães vão fazer agora neste caso :
http :/ economico.sapo.pt /noticias/banca-italiana-carteira-de-mal
” Ontem na reunião do Eurogrupo , que juntou 19 Ministros das Finanças da zona euro, Jeroen Dijsselbloem disse que qualquer plano italiano para a banca teria de respeitar as regras da UE que obrigam a perdas com os credores antes que os bancos possam ser resgatados com dinheiro dos contribuintes.”
Será que as regras também irão ser cumpridas ?
“Uma das muitas ironias ligadas à acção da «geringonça» é como tem vindo a ajudar os «especuladores» dos mercados financeiros. “
Não tem, não – quando se diz que “os juros sobem”, isso na verdade quer dizer que o preço de mercado dos títulos da dívida portuguesa desce – ou seja, os “especuladores” que investiram em dívida portuguesa ficaram a perder, não a ganhar (quando muito, poderemos dizer que ajuda os especuladores que VÃO investir em dívida portuguesa, mas prejudica os que INVESTIRAM em dívida portuguesa).
Um post que escrevi em tempos sobre um assunto parecido:
http://ventosueste.blogspot.pt/2013/07/p erderam-se-milhoes-em-juros.html
Siga o link no texto. Não estamos a falar de mercado secundário.
dívida pública de países pertencentes à União Europeia com taxas de juro de 3% constitui um óptimo investimento
Acha? Se acha que sim, compre. Dirija-se ao seu banco e compre.
O facto de o país pertencer à UE não quer dizer grande coisa, já que já foi dito e re-dito que não haverá mutualização da dívida, que a Alemanha não pagará a dívida de Portugal.
Aliás, é precisamente por isso que os juros são de 3%: porque os investidores sabem que há risco.
Mas é como eu digo: se o José António acha que é um excelente negócio, então compre essa dívida. Eu não acho, portanto não compro. E a maioria dos investidores também não.
Enquanto Portugal pagar, é um excelente negócio. Quem comprou títulos a 6 anos em 2009-2010 e os manteve em carteira ganhou imenso dinheiro. O próprio BCE ganhou imenso dinheiro com os títulos que comprou no mercado secundário. O Fundo de Estabilização da Segurança Social tem ganho imenso dinheiro. Pode acabar? Claro que sim. Daí as taxas subirem – é preciso ganhar mais, mais depressa. Mas, até ver, nem a Grécia foi deixada cair.
O anterior governo não pagou nada, a não ser juros. Diga como pagamos uma dívida descomunal, sem termos nada com que a pagar e para agravar, os países para onde exportávamos, estão também eles numa crise brutal.
Não invente narrativas para desculpar a incompetência criminosa de Costa e Companhia.
1. A dívida não diminui enquanto se procede ao ajustamento: há fundos recebidos que a aumentam (78 mil milhões, no nosso caso) e claro que não há margem para pagar muito mais do que os juros. Se houvesse, podia-se pedir menos dinheiro.
2. Quase todos os países da UE estão a crescer mais do que nós. O nosso crescimento vai ser um terço do que Centeno previa há um ano. E a dívida paga-se crescendo, depois de equilibrar as contas.
3. No fundo, em Portugal está a ocorrer uma versão um pouco mais leve do que aconteceu na Grécia entre o final de 2014 e meados de 2015: perspectivas positivas foram destroçadas por interesses particulares e visões ideológicas do século XIX.
Não chame criminosos a ninguém porque quem incorre em crime é o caro JAA que não sei se sabe, só se pode chamar criminoso a alguém, depois do juiz o declarar como tal. Que se saiba o actual governo não foi julgado por nenhum juiz, logo não o faça. Veja se tiver hipótese de rever a última quadratura do círculo e Lobo Xavier é bem claro, já não lhe falo no Pacheco Pereira porque sei que por aqui é persona não grata.
“não sei se sabe, só se pode chamar criminoso a alguém, depois do juiz o declarar como tal”
LOL. Você existe?
Começo a convencer-me que este anónimo é Pacheco Pereira à paisana.
Ora, toda a gente sabe que Pacheco Pereira não se rebaixa a prestar atenção a blogues, Pedro. E creio que seria mais palavroso.
Não, eu não existo. Sou uma alma do Além que lhe diz as verdades que não gosta de ouvir.
Hmmmm, acho que é mais o inverso.