Órfãos


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Estamos órfãos (Albert morreu agora, ataque cardíaco aos 92 anos). O luto não convoca o alardear conhecimentos, nem obituários. Apenas ler. Lê-lo, com desvelo. Forma única de o carpir.

 

20 comentários em “Órfãos”

  1. Neste momento tenho muita pena de ter os meus álbuns do Astérix em casa dos meus pais, no Alentejo; por motivos óbvios não poderei ir lá tão cedo. Caso contrário dedicar-me-ia hoje a reler um deles. Talvez “A Volta à Gália”.

    Assim que puder, será o que farei.

    1. Esse, como um largo punhado dessa época de ouro (anos 60s e 70s) é uma delícia. Como posso escolher? É ler a parelha Goscinny & Uderzo ….

  2. Este sábado li o último livro de Astérix publicado.
    A tradução é péssima, torna-se cansativa a leitura, o original não será melhor mas fiquei com curiosidade de ler em francês.
    Os diálogos não são os de Goscinny (Ferri não é a mesma coisa) gostei do traço de Conrad não é Uderzo mas parece-me um desenhador, ilustrador bem escolhido.
    Há uma frase na última página que de algum modo pode resumir a vida de Uderzo:
    Resistir sempre, permanecer livre; foi isso que ele fez… à sua maneira (as palavras são de Ferri).
    Que Uderzo descanse em paz, a obra fica.

    1. Ainda não li este “Filha …”. Mas os três anteriores livros, da autoria desta dupla, não envergonham a série. Principalmente os dois primeiros, julgo que o “transitálica” já é muito esquemático de argumento, tende a colecção de gags. Ou seja, não vale a pena mais de quarenta anos passados continuar a lamentar essa verdadeira tragédia – não estou a brincar – que foi a morte precoce de Goscinny (morreu novo e, aparentemente, por alguma inépcia médica). Goscinny era um génio. Depois Uderzo continuou a obra sozinho e os seus argumentos (excepto o Grande Fosso, que talvez tivesse ainda sido discutido com René) foram fracos. E o novo argumentista é mais hábil do que Uderzo o foi nessa função. E o que Conrad faz é continuar, hiper-fiel, o traço magnífico de Uderzo – para uma continuação de uma obra como Astérix era isso que se queria, não uma recriação. [Ainda que recriações sejam possíveis, ver o que Schuiten fez no último Blake e Mortimore, uma coisa magnífica]

      O que levanta sobre a tradução das edições actuais de Astérix, coisa que terá já mais de uma década, e sobre a qual me lembro de blogar (como vários o fizeram), é sinal do descuido e incompetência inculta do contexto editorial português. Enquanto na Europa ocidental a edição de BD, seja deste panteão dos clássicos seja de uma miríade de novidades, está viçosa, aqui é pungente.

  3. Sempre gostei muito do Tanguy e Laverdure.

    Um d´Aqueles que por obras valerosas se foram da lei da morte libertando.

    Que a sua Alma encontre a Paz no retorno a Casa.

    1. Muito bem lembrado. O sucesso de Astérix até faz esquecer outras criações. Eu sou fan de Tanguy e Laverdure. Permito-me lembrar que o ano passado deles fiz uma apologia – ainda que pegando num episódio já desenhado por Jijé [o sucesso de Astérix compeliu Uderzo a abandonar a série que começara]. Até escolhi esse postal para meu “postal preferido de 2019”, uma simpática iniciativa da SAPO – caso lhe interesse (ainda que, repito, aludindo à fase de Jijé, outro gigante da BD) aqui deixo a ligação https://estan.blogs.sapo.pt/marjorie-o-meu-primeiro-amor-8930

      1. Caro,
        já li esse seu post há algum tempo, e trata-se de uma pequena pérola literária.

        aliás, tenho quase a certeza que terei lá deixado um comentário.

        Saúde e Paz, é o que lhe desejo.

  4. De tempos a tempos, releio a colecção. Como agora, tempo é coisa que não falta, mais uma vez.
    Sabem vocês de onde veio o nome deste famigerado virus? Pois bem no “Asterix e a Transitálica” há um boneco que é nem mais nem menos o auriga de uma corrida de carros e que tem o nome de Coronavirus.
    Nunca terá passado pelas cabeças de Gosciny e Uderzo que um personagem por eles criado teria um nome tão malfadado.

    1. De facto, já o auriga Coronavirus é já criação de Jean-Yves Ferri, o novo argumentista, Mas pouco importa o quase detalhe, pois o que refere mostra bem a contermporaneidad da série.

  5. Nunca fui apreciadora de BD, com excepção de Asterix de quem sou fã incondicional.
    Hoje foi um dia de grande nostalgia e tristeza por ver partir (mais) um dos “grandes” que marcou a minha geração.

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