A política é um jogo de percepções e de expectativas. Se bem ou mal, diz-nos o célebre secretário florentino que pouco importa. Foi assim no passado, é assim no presente e tudo indica que será assim no futuro. Por isso, foi errada a postura do PSD e do CDS quando chumbaram o voto de condenação a Angola pela prisão de 17 activistas.
O chumbo foi errado porque PSD e CDS colocaram-se assim, ainda que inadvertidamente, do lado errado do quadro de princípios. Foi errado porque, como aqui se defende, a aprovação do texto do PS não implicava grandes custos políticos. E sobretudo foi errado por ser uma oportunidade perdida. Num momento em que temos um governo apoiado por dois partidos inenarráveis – um que vê em Cuba e na Coreia do Norte regimes respeitáveis e outro que namorou a esquerda abertzale pró-etarra, entre outros movimentos igualmente pouco edificantes –, o PSD e o CDS perderam uma excelente oportunidade para se diferenciarem ainda mais e, dessa forma, adquirirem respeitabilidade extra e capital político reforçado. A continuar assim, PS e BE ainda acabarão como preceptores morais do regime, o que equivale necessariamente a remetê-lo para um lugar sinistro.


Em vez de Oportunidade Perdida o seu título deveria ser A Superioridade Moral da Direita.
Tem um inadvertidamente a mais no texto.
Ou os senhores são tolos ou sabem o que fazem.
Não sei o que dizia a proposta do PS.
O comunicado do MNE é correcto.
Dizer mais que isso é declarar que Angola não é um Estado de Direito, que o seu Governo não cumpre a Constituição pela qual se rege, e como tal declará-lo ilegítimo.
Sendo tudo isso verdade, não vejo como daí não decorreria a determinação largamente maioritária da Assembleia para que o Governo agisse em conformidade. E vai daí…fez a direita um favor ao Governo; consolidou o núcleo da geringonça e ganhou o tempo que precisa para que ela trabalhe bem por mais algum tempo.
O parlamento que se pronuncie nos direitos dos portugueses porque é para esses que tem de se pronunciar. O parlamento português pouco ou nada tem feito em relação à corrupção e à nossa justiça que prende os menores e os grandes é vê-los por aí, como se fossem pessoas de bem e intocáveis. O Parlamento angolano não se pronunciou em relação à prisão de Sócrates e outras, logo, também nós não temos nada que aprovar, nada, dum país soberano. Quanto ao regime de Cuba já aqui se escreveu bastante, mas pelo que parece não leu, assim como da Coreia do Norte que não é exemplo para nada nem ninguém, mas pelos vistos os de lá até estão bem se assim não fosse já se tinham revoltado. Já fizemos estragos noutros países que não sabem viver em democracia por mais que lhes queiramos fazer ver que é o melhor dos existentes, mas ao querermos impô-la destruímos e já não conseguimos construir. Quando soubermos resolver os nossos problemas, com dignidade e seriedade, então poderemos dialogar com os outros e dizer-lhes: connosco deu certo, experimentem.
Foi uma oportunidade perdida para o bloco.
E muito bem. Portugal não tem nada que ver com Angola nem tem de se tomar posições a nível parlamentar — ou vão caucionar todos os países onde há julgamentos que incluem cidadãos com dupla nacionalidade?
Os partidos podem fazê-lo se assim o entenderem, mas o parlamento é eleito para resolver (ainda que mal e à traição) problemas nacionais e não para se meter na vida dos outros a reboque das “causas” de alguns.
O resto é treta e vtpc.