4 comentários em “Opiniões”

  1. Obrigado, Dulce.

    Contudo na década de 90 houve muitos fundos comunitários que contribuíram para a destruição do tecido produtivo português, nomeadamente as “Pescas” e o Sector Agrícola. Sendo natural do Alentejo, recordo-me dos fundos pagos por hectare, ou seja “ajudas” cujo único critério era a dimensão da propriedade e não da produção!!! . Recordo – me das terras que se perderam e das gentes que se desencaminharam com essa injecção de fundos fáceis sem critérios. Olhando para trás talvez fosse esse o objectivo. Moldar a economia nacional aos desejos de Bruxelas, afinal na Europa havia a França para a Agricultura e a Espanha para as Pescas. Existe lógica nesta visão, afinal deverá haver na Europa especialização das economias nacionais a bem da eficácia e competitividade económicas. Contudo há um grande preço a pagar. Ao transformar desta forma os países, existem uns que ficam com a produção de produtos de elevado valor acrescentado (o Norte, excepto o norte Itália), e outros que se especializam a comprar esses mesmos produtos, via crédito fácil (outros há que, no entretanto, se “especializaram” no sector bancário) e a vender mão de obra barata e entra-se paulatinamente num vortex impossível de sair. Portugal de hoje nada tem a ver com aquele de 80/90 (temos hoje muito mais licenciados, etc), contudo se não for o Estado a transformar a nossa economia, através de políticas fiscais assimétricas (priviligiando os sectores que queremos ver desenvolvidos no nosso país, em detrimento de outros), ajudas directas estatais, criação de empresas nacionais (indústria automóvel, por exemplo), acreditando, contudo, serem tais projectos incompatíveis com os Tratados Europeus (nomeadamente o de Lisboa), estamos condenados a uma perpétua dependência – o capital privado nacional é avesso ao risco, preferindo as rendas de sectores, empresas, que fomos obrigados a nacionalizar e que constituem, na prática, monopólios naturais (os capitalistas mais bem sucedidos, em Portugal, negoceiam com cortiças e vendem bifes nos hipermercados) . Como num organismo vivo, existe na Europa especialização dos seus componentes /das suas células /tecidos. A questão é que essa mesma especialização foi ditada, “conduzida”, via fundos, independente dos desejos nacionais, da vontade dos naturais, dos cidadãos, para os seus próprios países (o que queremos que Portugal seja?) . Há desta forma uma lógica sinistra na transformação permitida pelos fundos.

    1. Sim senhor.
      Até houve um fulano que aranjou um barco podre de velho abandonado na areia, e, depois, foi-lhe concedido um subsídio por abate de pequenas embarcações de pesca. Foi com esse pilim que comprou um jeep.

  2. Os problemas nacionais, bem espremidos, são da justiça e da educação.
    Os rios de dinheiro desperdiçado, a corrupção, o compadrio, a falcatrua generalizada – e por consequência os impostos, taxas e taxinhas, as insuficiências de verbas onde fazem a diferença, e a miséria geral – tudo isso pode ser atribuído a pouco mais de meia dúzia de figuras e casos. Está alguém preso? Poucos, pequenos, e não se espera verdadeiramente que os grandes sejam sequer julgados.
    As experiências cada vez mais alucinadas com a educação foram criando cidadãos sem expectativas e sem capacidade intelectual para entender, menos ainda questionar.
    Os tais países forretas observam isto, claro que sim. Se há por lá a percepção de por aqui tudo é permitido, é porque na verdade o é.
    Mas não são as pessoas, a capa daquela revista com os do Norte a trabalhar e os do Sul a descansar é injusta. Eu não me levanto de madrugada para ir cofiar o bigode enquanto miro as mulheres à beira da piscina, e não conheço ninguém que o faça, nem de férias.
    Se há quem se aproveita para chular o Estado – inclusive trabalhando para o Estado – é porque é permitido. Tirando alguma Função Pública, os portugueses têm cargas horárias de trabalho das mais altas. Em paridade de poder de compra somos dos mais sacrificados. O erro é e tem sido de quem governa.
    E voltamos à justiça e educação. Quem tem permitido a delapidação do país não é responsabilizado criminalmente, e não há um civismo informado que force uma mudança.

    1. Educação… hmmm…. isso é o quê? Ciências ou humanidades?

      Em Oeiras, o concelho dos cientistas e investigadores, Isaltino é mestre. Na civilizada Holanda partidos xenófobos trepam moinhos. Enfim….

      Os do Norte, os “forretas”, puristas protestantes, corrompem os católicos apostólicos, “esbanjadores”, do Sul. E os do hemisfério setentrional, os do hemiciclo meridional. Assim funciona a balança de Radamanto.

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