Tenho de ser sincero: quando recebi a mensagem do Pedro Correia, hesitei. Fazer parte da equipa do ‘Delito de Opinião’? Eu, que comecei um blogue há dois anos mais como forma de organizar ideias sobre paixões (n) e ódios (n+1) do que de participar nas grandes questões nacionais – a terminologia usada por Eduardo Catroga; as perguntas «giras» das entrevistas de Judite de Sousa; a capacidade de Sócrates centrar o debate nas políticas alheias mesmo depois de andar seis anos a aplicar as dele, com os magníficos resultados para os portugueses em geral e para os accionistas da Mota-Engil em particular que se conhecem? (As minhas desculpas por ter permitido que, no último dos três pontos, o meu cérebro deslizasse para um assunto quase irrelevante mas é melhor admitir já que isso sucede amiúde, como facilmente comprovará quem se der ao trabalho de ler os posts que aqui hei-de colocar – e, porque estamos em tempo delas, isto é uma promessa.) Mas depois pensei: «Bah» (também penso «bah» com frequência), «ele está a ser simpático mas inconsciente. Aposto que nem falou com os outros colaboradores do ‘Delito’. Logo que fale, eles vão dizer-lhe para ter juízo. Vão explicar-lhe que nunca um gajo com um blogue em tons de azul e laranja» (eventuais associações partidárias tão subliminares que só agora percebi poderem existir) «estará à altura do ‘Delito’.» E, com um sorrisinho sardónico, respondi-lhe que sim, que estava disponível. Vinte e sete horas depois (mas o que é isto, um país evoluído?) chegou a mensagem de que a minha entrada era oficial. Consultei o calendário para comprovar que não estávamos no primeiro de Abril, belisquei-me duas vezes (a segunda apenas por prazer) e depois fiquei imóvel a olhar para o ecrã do computador durante vários minutos. Assustado, confesso. Por mim e, mais ainda, por eles. Decididamente, esta gente é menos sensata do que eu pensava. E – o que não julgava possível – eu também. Afinal, parece que aceitei aderir a um clube que me aceita como membro.
Mas talvez tudo acabe por correr bem.
(Obrigado pelo convite, meninas e meninos.)

Para informação: o nome foi proposto ao grupo e democraticamente aprovado. Bem-vindo 🙂
Obrigado, Teresa. A democracia é uma coisa linda – mas às vezes tem resultados terríveis. 🙂
Achas mesmo que o Sócrates anda há seis anos a aplicar as políticas dele próprio? Eu também não. Eheh… Bem-vindo, José António.
Touché. Até por Sócrates ser provavelmente a pessoa com menos convicções políticas (no sentido ideológico da coisa) que passaram pelo governo português nas últimas décadas. E a concorrência nem sequer se pode considerar pequena…
E obrigado, João.
Inconscientes é que são mesmo, Jaa, concordo consigo. 😉
Parabéns! 🙂
Mesmo desconfiando que parte do comentário não é exactamente um elogio, como hoje acordei optimista (coisa rara, nos últimos tempos) agradeço na mesma. 😉
Caro jaa,
Clube é que não. Peço-te desculpa mas isso é mais lá para o Norte. Um “clube” quadra mal com os nossos pergaminhos democráticos. Além de que o Delito tem vocação nacional (e transcontinental). Não regional.
Isto aqui é mais do género “tertuliano”, se eu não estiver equivocado, e são sempre bem-vindos os que chegam. Como é o teu caso.
Boas prosas, bons textos, melhores jantares, é o que te desejo (e a todos nós).
Obrigado, Sérgio. “Clube” foi para encaixar melhor na adaptação da frase do Groucho Marx.
Grande entrada, Jaa! A coisa promete. Bem-vindo ao Delito, esta casa de gente pouco sensata mas rápida no gatilho… 🙂
Obrigado. Rápido no gatilho acho que também sou. O meu problema é a pontaria.
Ah, isso compreende-se. Os alvos, neste país, estão cada vez mais ondulantes…
Certo, Ana. E às vezes um tanto desfocados. Mas se calhar isso é só por causa da minha miopia…
Vim aqui parar de pára-quedas. Não conheço o mundo dos blogs, nem este (vim aqui hoje pela 1ª vez) e muito menos o autor do texto que oro comento.
Porém, a fluidez da prosa e a rara capacidade de fazer transportar o leitor (pelo menos a mim) para o estado de espírito do autor, fez-me vir (infeliz combinação verbal…) aqui fazer notar esse facto. Esse e o da originalidade da apresentação do autor.
Parece tratar-se de alguém que diz o que pensa, sem papas na língua, e que sabe muito bem transmitir o que pensa, com uma agradável leveza e sobriedade.
Fiquei, pois, curioso sobre as opiniões que aqui há-de expressar, nesse seu estilo ligeiro e descontraído.
Obrigado, Alberto. Mas o “estilo ligeiro e descontraído” tem dias…
As minhas felicitações jaa 🙂
Um companheiro de honra num blogue de honra, sim.
Obrigado, Sílvia.
Vou passar a seguir o delito de opinião 🙂
Acho que faz muito bem, redonda. Até porque há por aqui várias pessoas que gostam de escrever sobre livros.
Caro José António: bem-vindo a esta casa, a partir de agora também tua.
Um grande abraço.
Aleluia, jaa!
E assumindo o compromisso do tratamento por tu, aqui vai.
Entrei há uma semana. O corpo vai de nódoa negra em nódoa negra. Levo eu e o meu filho de direita de revoada.
De submarinos já levo uma que mandei às ortigas, porque não sou dada a periscópios. Dos deis que tinha na garagem inaugurei uma linha de cruzeiros Lisboa/Seixal por baixo de água que está a ser um sucesso. Quando da ida vai cheio. À vinda vem mais vazio. Aproveitam e vão a salto, por Espanha, como antigamente. É que lá o IVA sobre a gasosa é mais baixo!
Desejo-te os maiores mimos. Mas prepara-te. É coisa para pele de crocodilo. Já perguntei a mim própria se a Ana Vidal será mesmo minha amiga…
Ups! Helena, como é que vieste parar a este post? Olha que o Jaa faz parte da casa há bué, como se diz agora…
Mas eu venho aqui, um bocadinho de corda ao pescoço, é certo, para te dizer que só te convidei por saber que a tua pele é do melhor crocodilo que conheço! Se a Hermès te apanha… 🙂
E é com uma confissão destas que se arrasta uma pessoa a confessar-se também, pensando encontrar a alma gémea no sofrimento?!
Hum! Ana, cheira-me que quiseste pôr o crocodilo no espeto e lança-lo às feras…
Nada disso, Miss Dundee… mas esta empreitada é só para bravos e eu sei que gostas de algum combate para desentorpecer de vez em quando. E tal como eu esperava, ganhaste por KO logo ao primeiro round! De resto, quando não te apetecer ir ao ringue é só ficares na plateia, a assistir aos combates dos outros… 🙂