Como ao enfermo e ao arruinado, sobretudo nos convém guardar a imobilidade e as aparências. Quem lucra em as negar? Quem tem coragem e força para dizer da tribuna do Governo: pecámos, senhores, pecámos: perdoai-nos! Quem tem génio para indicar o caminho do arrependimento? As causas vêm de mais longe: estão na fatalidade das coisas, de que a vontade dos homens é apenas instrumento. E como se haveria de exigir deles uma confissão de arrependimento que os arruinaria a todos?
J.P. Oliveira Martins (1845-1894), «Conclusões: as questões económicas», in Portugal Contemporâneo, 1881.

Continuas a acertar “na mouche” com estas citações. Infelizmente, infelizmente.
O grande Oliveira Martins – autor de ‘Portugal Contemporâneo’, obra em que o País se vê ao espelho – era um visionário. Estas palavras ajustam-se perfeitamente à dupla Sócrates-Teixeira.