0 comentários em “Onde tudo começou”

  1. Onde tudo começou foi precisamente no endividamento, na despesa e no investimento improdutivo, tal como se iniciou em Portugal na era Cavaco Silva e que mais tarde foi apelidado de “pai do monstro”.

    http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=175537

    http://www.dn.pt/inicio/interior.aspx?content_id=600944

    http://paginaglobal.blogspot.pt/2012/11/portugal-quem-e-o-noco-pai-do-monstro-o.html

    Em Portugal tudo se passou assim com excepção do montantes em jogo.

    Na Grécia o endividamento gerou endividamento e mais endividamento, tal como em Portugal.

    E o que o novo governo grego pretendia fazer, contrariando todas as políticas anteriores, era aumentar a receita três vezes superior à despesa.

    Aonde pretende chegar, José?

    1. O endividamento é resultado de políticas. Onde é que a economia grega justificou um aumento do peso dos salários na economia de 75%? Aliás, os gregos fizeram exactamente o que muita gente – incluindo você e o PS de Costa – defendem ainda hoje que se faça em Portugal (menos algum investimento público, presumo).

      1. Pois é verdade que o endividamento é resultado de políticas. E as propostas que vi da parte do Syriza visavam contrariar esse ciclo, o que o José e o PSD/CDS não defendem. Preferem mais endividamento por inércia – o que acontece – e menos economia.
        Parece-me também que o José não lê o que posta: O aumento de peso dos salários está relacionado com a tal evolução do PIB grego. No caso português, no tempo de Cavaco, as despesas do estado aumentam 51% com um crescimento do PIB infinitamente inferior àquele que viria a registar-se na Grécia.

        Acontece que o que tem vindo a ser feito em Portugal é de uma incompetência e irracionalidade nunca vista. Quero com isto dizer que o que feito só teria resultado numa economia A QUENTE, pois assim poder-se-ia compensar a diminuição do peso do estado com a economia em funcionamento que até podia absorver, por exemplo, aqueles que saiam da FP. Como assim não foi feito, o que está a acontecer por toda a parte é o regresso daquilo que eu defendo muito antes das propostas feitas pelo PS. É aqui que reside a pescadinha que o José não compreende. Mas uma pescadinha fabricada pelos que queriam desmontar o sistema.

  2. Ora aí está uma boa análise.

    Esse é um muito bom exemplo para mostrar a falácia do Keynesianismo de pacotilha, tão do agrado socialista.
    O Keynesianismo, copiado do Alves-dos-Reisismo, é uma política eficaz quando o dinheiro é criado do nada, e assim desenvolve o consumo interno… a custo zero para as contas da nação.
    Nada tem a ver com a criação de consumo baseado numa dívida noutra moeda, que endivida a nação indefinidamente.

    Essa confusão parece ainda não ter saído da cabeça dos economistas socialistas.

    Em geral, a criação artificial de moeda é vantajosa desde que essa aposta nos futuros vise ser materializada na criação de alguma riqueza efectiva, e não no simples consumo.
    Aliás, a introdução do negócio de futuros no mercado não teria dado nenhum problema, se os investidores tivessem visado a aposta na criação de riqueza real, e não apenas no arrastar de outros para a especulação sobre o vazio.
    Porém, parece que se tratou apenas da reedição da enésima representação do engôdo das túlipas, sempre creditada aos mesmos protagonistas.

    Agora, uma coisa é uma análise útil para a compreensão do problema, outra coisa diferente seria um julgamento moral sobre a responsabilidade dos gregos num engôdo para o qual foram arrastados… sendo que até a sacrossanta UE deu luz verde reguladora a tudo isso.

      1. Essa é uma boa questão, porque a actuação de um governo tem arrastado os seguintes para o desvario anterior.
        Um governo está legitimado para uma actuação no seu mandato, e não para fazer contratos para a eternidade. Senão poderíamos ter concessões de séculos ou milénios.
        O que se tem passado, veja-se o caso das PPP, é que numa democracia basta haver um governo inconsciente para arrastar o país para compromissos de décadas… muito além do seu mandato real.
        Para os credores isso é uma situação legal, mas é claramente um risco… Se os governos querem usar dinheiro que não têm, isso fica por conta e risco dos credores. Seria um jogo demasiado fácil e distorcido, se os credores tomassem conta de um país pela simples corrupção de um governo.
        Agora, os credores podem proteger-se, e é claro recusar a continuar a financiar um governo que quebra o contrato anterior.
        Por isso a opção é continuar ligado à máquina do crédito, e aceitar a hegemonia externa, ou então quebrar isso e refazer a economia sem o crédito externo. É claro que a segunda opção é bem mais radical, mas pode ser opção a considerar quando as condições sobre o crédito são consideradas incomportáveis.

        1. Claro que pode. E ninguém – ou pouca gente – contesta o direito da Grécia (ou de Portugal) dizer “basta”, arcando com as consequências. Agora exigir – para mais em nome da democracia e da soberania – uma renda permanente para não fazer ajustamentos…

          (Quanto às heranças entres governos, talvez então a ideia da inclusão de limites constitucionais ao défice e/ou à dívida faça sentido.)

          1. A Grécia está agora a jogar com a promessa de “união” que foi vendida pela UE… é um activo que acaba por estar em cima da mesa, quando se coloca o afastamento. Aí entra o valor da política na economia, e esse preço é de avaliação mais sensível.

            O limite à acumulação de dívida no mandato, é claro que faria muito sentido… mas na prática estar ou não na constituição não altera muito, quando ela pode ser revista por 2/3, e isso tem sido a soma dos governos do arco, que se têm endividado.

            Depois, o problema base – o que acontece aos partidos dos governos que não cumprem? Não acontece nada… continuam alegres nas novas promessas.
            A ser eficaz, o partido deveria ser proibido de concorrer às eleições seguintes. Alguém quer proibir o PS de concorrer?… sendo que este governo igualmente fez disparar a dívida, e seguindo os números da dívida, seria então igualmente impedido de concorrer, por mais que argumentasse que isso resultava do desvario anterior!

  3. O problema não foi o endividamento em si: foi o este não ter levado a qualquer investimento. Foi feito para sustentar os custos. Há ainda a questão dos Jogos Olímpicos de 2004, investimentos faraónicos (que não são únicos na Grécia) à custa de uma enorme pressão internacional para poder realizar o evento. Isto levou a um disparar do PIB (como um amigo economista me explicou simplificadamente: todos os gastos são bons para o PIB) até 2004 (aliás, vemos depois um estagnamento). Depois disso o estado continuou a meter dinheiro para se ir mantendo no poder à custa ir continuando as subidas do nível de vida pré-Jogos Olímpicos.

    1. O problema é precisamente o endividamento que, de facto, em grande medida foi causado pelas obras públicas e pelo clientelismo. Mas a Grécia não era um Estado soberano? Os gregos gostaram – e percebe-se porquê: vê o aumento da massa salarial (75%) e do consumo (33%) (*). Sendo que, atendendo a que o sector privado até se endividou menos do que o português, o valor do aumento dos salários no sector público deve ter sido ainda maior (iria pesquisar mas de momento não tenho tempo).

      (*) Ainda hoje uma das propostas do PS para tirar Portugal da crise.

    2. Sim. Uma situação semelhante onde o Brasil se acabou por meter, porque ninguém aprende com os exemplos dos erros dos outros.

    3. Mais uma vez a responsabilidade não é dos Gregos, pelos vistos as suas escolas publicas, as sua universidades publicas não servem para parar a malvada “enorme pressão internacional” que os fez gastar milhões.

    1. Os postais estão bem esgalhados, e contribuem muito mais para uma discussão séria, do que a presença ou ausência de gravatas.

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