De acordo com a cartilha oficial, existem algumas regras de trânsito político que são inquestionáveis. Entre elas, aquela que afirma que quem quiser encontrar a defesa intransigente da liberdade e da democracia deve circular pela esquerda do espectro partidário. Pois é isso que tenho feito. Para me orientar no meu percurso, parti de outro axioma. O de que o PS é um partido de esquerda. Assim, nessa viagem em busca de posições claras em defesa da liberdade, decidi iniciar a viagem no PCP e fazer do PS a última etapa. E, se parti com entusiasmo, confesso que me desiludi logo no princípio. Ali onde esperava uma ampla apologia das liberdades, eis que deparei com o apoio mais ou menos explícito às ditaduras cubana, chinesa ou coreana. Restava-me seguir viagem, renovando a esperança em cada uma das próximas paragens. Recordo ainda o entusiasmo com que me aproximei do Bloco. E a decepção que este constituiu logo que constatei que o único sítio onde o Bloco apoia a revolta é Portugal. Aos costumes ditatoriais de outras paragens, o Bloco diz nada. Ou pior do que isso. Ao que parece as luzes de Teerão exercem um estranho fascínio sobre certas personalidades próximas do BE. Não podendo tratar-se de desvelo pelo iluminismo iraniano, deve tratar-se de um estranho amor pelas iluminações de rua. Sobrava-me então o PS. E aqui, caro leitor, fiquei estupefacto. Mubarak, Ben Ali e Eduardo dos Santos eram ou ainda são companheiros de José Sócrates na Internacional Socialista. O mesmo José Sócrates que ontem fugiu aos jornalistas quando lhe perguntaram sobre a situação na Líbia. E que foi recentemente o menino de ouro de Khadafi na comemoração do 41º Aniversário da Revolução Líbia. O que encontrei foi então uma esquerda comprometida, prisioneira de interesses e comparsa de ditadores. Só me resta concluir que a defesa desinteressada e altruísta da liberdade não passa por ali.
Onde pára a esquerda das liberdades?
Rui Rocha,

A esquerda das liberdades é como o TGV: não pára. Sou incapaz de confirmar que a própria liberdade não passa por ali: pode ser que passe, mas nunca diz a que horas é que passa…
Tem horas, portanto.
Caro Rui Rocha,
Há mais esquerda para além dos partidos…
Concordo contigo. Não é só nos partidos que podemos encontrar gente de esquerda, não. Posso dizer-te que há gente dessa e gente boa, em grupos tidos conservadores, alguns matriculados em partidos de direita. Isto é verdade, embora, para algumas pessoas, pareça que não. E também não há dúvida de que nos partidos ditos de esquerda está muita gente de de esquerda não tem nada. A raça humana tem destas coisas…
E concordo consigo, Carlos.
E da mesma forma, há mais direita para além dos partidos. Infelizmente, sobretudo para o País, não estão representadas no parlamento. Teêm classe e saber a um nível mais elevado, logo não compatível com essa espécie de gente que se auto-intitula de deputados.
E também concordo consigo, Singularis. Embora não adira ao argumento do nível mais ou menos elevado.
Concordo. Situei o debate na dos partidos.
E também há gente de esquerda nos partidos que não concordam com as opções de “política real” das direcções desses partidos. É lamentável o silêncio do BE e do PCP quanto ao “caso” Líbio. Nem uma pequena nota do secretariado ou da comissão política.
Antes de escrever o post tive o cuidado de pesquisar o site do BE e do PCP. Nada.
Partidos (caramba, quando é que inventam uma democracia sem partidos?) e respectivos comportamentos – quase sempre pouco recomendáveis – à parte, o que conta são valores. E esses, por muito que custe a muita gente, não são aprisionáveis por nenhum partido nem sequer por nenhuma ideologia. Às vezes uns (valores) encaixam melhor ou mais facilmente numas (ideologias) que noutras. Por mim sigo-me por valores, pelos meus – onde a liberdade está no topo – e estou-me verdadeiramente nas tintas quando nuns casos possa ser “lido” à esquerda e, noutros, à direita.
Nem mais, Eduardo.
Certo, mas a realpolitik não é exclusivo da esquerda…
Claro que não, Teresa. O LMJ já nos esclareceu sobre isso lá em cima.