
Desato a rir de cada vez que ouço aqueles governantes e comentadores que dizem que Portugal não é a Grécia. Portugal está a seguir exactamente a mesma receita da Grécia, politicamente adoptou o mesmo percurso e vai ter precisamente os mesmos resultados: A diferença entre Portugal e a Grécia é apenas um ano de atraso.
Na Grécia o Nova Democracia foi responsável pelo descalabro das contas públicas, tendo em consequência perdido as eleições. Veio em consequência o PASOK, liderado pelo moderado Papandreou, assessorado por um Ministro das Finanças radical, Evangelos Venizelos, que fez questão de executar até ao fim o programa da troika. O resultado foi o colapso da economia e a reestruturação da dívida a que se vai seguir obviamente a saída do euro. Pelo meio, Papandreou teve que se demitir e o PASOK foi entregue a Evangelos Venizelos, que obviamente levou uma enorme tareia eleitoral, ficando com 8% dos votos. Os eleitores deram assim o poder outra vez ao Nova Democracia, sem se importarem minimamente com a sua responsabilidade na situação inicial. Pelo caminho, partidos extremistas como o Syriza ou o Aurora Dourada conseguiram ficar à frente do PASOK. Tal não admira pois, perante o extremismo da troika, até partidos radicais parecem moderados.
Em Portugal, o PS foi o responsável pelo colapso financeiro do país. Chamado o PSD a formar governo, Passos Coelho e Vítor Gaspar quiseram a todo o custo ser mais “troikistas” que a troika, aplicando um ajustamento ainda mais cruel. António José Seguro já está a capitalizar claramente com esse erro político, pelo que o PS pode facilmente voltar ao Governo. Bem podem os apoiantes desta política lembrar aos quatro ventos a responsabilidade de Sócrates. Os eleitores não responsabilizarão quem está em Paris, mas sim quem governa em Lisboa.
Passos Coelho já assumiu que se está a lixar para as eleições, pelo que parece que não se importa com o evidente colapso eleitoral que se seguirá. Nas próximas eleições, o PSD será visto pelos eleitores como o partido de Vítor Gaspar, pelo que terá o mesmo destino do PASOK de Evangelos Venizelos. A menos que alguém tenha o bom senso de arrepiar caminho.
Como tem sido salientado, a definição perfeita de irracionalidade é repetir sucessivamente o mesmo comportamento à espera que alguma vez dê um resultado diferente. E a irracionalidade costuma pagar-se caro.

Nós tivemos cinco avaliações da troika, todas positivas, que já ajudaram a libertar cerca de 50000 milhões de euros, que de outro modo não conseguiriamos em lado nenhum, portanto não pode comparar o que se tem passado em Portugal, com o que se tem passado na Grécia..
Por outro lado só pode beneficiar da ajuda do BCE para ir aos mercados dentro de uma ano em condições normais, quem estiver sob resgate, e simultaneamente tiver cumprido o respectivo memorando de entendimento.
Ainda falta fazer muita coisa? pois falta, falta o mais dificil que é escavacar os interesses instalados.
Portugal não fez a regionalização mas está muito bem dividido em coutadas, quintas e quintais. E quem lá está instalado não se quer desinstalar.
Toda a gente diz que é preciso cortar nas gorduras do estado, mas quando se tenta mexxer nesse autentico vespeiro, vem logo o coro de lamurias a dizer: cortem onde quiserem, mas não toquem na minha quinta, porque ela é indispensavel. Foi assim com as autarquias, foi assim com as fundações, foi assim com a RTP, e há-de ser assim com os institutos publicos redundantes, com as empresas publicas, com as PPPs e com as rendas da energia.
É agora que Passos Coelho e Vitor Gaspar têm de mostrar de que massa são feitos: chegou a hora da verdade, e depois do que se passou desde a passada 6ª feira para cá, não há volta a dar: como se diz no póquer, eles “meteram a cave”; agora têm mesmo de ir a jogo, e nem sequer é, pelo menos para mim, por uma questão de credibilidade politica, é verdadeiramente o futuro do país que está em causa.
Arrepiar caminho é para si ir à manif do dia 15 “que se lixe a troika,”?
Nao podendo falar a titulo do autor do texto, posso no entanto salientar que arrepiar caminho é abandonar os antigos metodos de esmifrar o contribuinte sem tocar num cabelo do estado, e sim uma politica verdadeiramente corajosa de corte no estado.Esse problema de ninguem querer nos seus quintais, isso mais de que uma opção, é economicamente uma obrigação.Sem isso não há reformas, sem isso não há recuperação, ou se escolhe os quintais e a desgraça eterna, ou se escolhe a economia.Mas como estão as coisas, é provavel que a história que o luis contou seja mais verdadeira do que se pensa…l
1 – Sim, não se pode comparar o que tem acontecido em Portugal com a Grécia. A Grécia tem levado muito mais que Portugal a fazer o que é devido;
2 – O respectivo memorando de entendimento não está a ser cumprido. E o que se faz, procurando dar cumprimento ao estabelecido, está a ser feito muito mal;
3 – Pois falta fazer muita coisa. Desinstalar os banqueiros que impoêm a escravidão ao país, desinstalar as PPP´s e outras empresas que vivem de autênticos subsídios de inserção, desinstalar corporações que asfixiam a coluna dorsal de um país, desinstalar os patrões e motivar o empreendedorismo com uma nova cultura social, económica e financeira, desinstalar os putos que andam a brincar aos governantes…;
4 – As quintas, quintais e coutadas são as seguintes: Justiça, sector bancário, construção civil, saúde, sector governativo como ponta de lança de interesses de terceiros e os etcs.;
5 -Sim a gordura do estado está toda nas mãos dos anteriores. Agora o povo paga com os ossos;
6 – Passos e o Vitinho já mostraram do que são feitos. Têm de sair. Quem quer ir a jogo vá com o seu próprio dinheiro. Quem tem vícios que os pague. Eles não meteram nenhuma cave, julgam que são capazes de encavar, mas para isto é necessário ter instrumento. Eles não têm.
7 – E sim, o futuro do país está em causa. Acabe-se com a causa de tão péssimo futuro. Rua com o Vitinho, o Passos & Cia.
8 – Sim, que se lixe a troika e os mais troikista que (acabou o espaço para continuar a escrever).
Quem fala assim não é ga..ssessor do Governo…
“Não há maior sinal de loucura do que fazer uma coisa repetidamente e esperar a cada vez um resultado diferente.”
Einstein
“Em Portugal, o PS foi o responsável pelo colapso financeiro do país”.
???
Pensava que o PS era responsável pela diminuição do défice “colossal” que vinha do tempo do sr. que emigrou para a Bélgica.
Pensava que tinha tomado as indicações dadas pela UE para controlar a crise… mas pronto.
Sr omaudafita, tome lá cuidado quando se põe a pensar, que isso pode-lhe fazer mal ao cerebro.
Está a referir-se a qual defice? ao de 2009 que em setembro era de 5,4% e depois afinal foi de 9,8%? ou ao de 2010 cuja previsão no orçamento era de 2,9% e depois foi superior a 10%? O seu querido estudante de filosofia em Paris nunca conseguiu um defice abaixo dos 3%. o melhor que conseguiu foi 3,1% em 2008. Vá lá informar-se!
Reduziu o défice que voces deixaram em 2005 de 6,8 para 3,1 em 2008, o nivel mais baixo de defice em portugal de sempre.Também é melhor informar-se alex.
A reacção às medidas e consequências económicas decorrentes depende das atitudes do povo em relação a esse tipo de problemática. Não há uma resposta comum entre várias culturas. Na Economia talvez haja leis universais, generalistas e comuns a várias realidades políticas, mas tal não é aplicável às sociedades e respectivas culturas. Cada contexto cultural é diferente do outro e têm a sua especificidade e passado histórico que influencia os acontecimentos de hoje e do futuro (influenciar, não significa determinar). A cultura influencia comportamentos, bens materiais e a relação com as entidades económicas e políticas, bem como respostas a problemas criados por estas. Fazer a comparação política que fez, não têm sentido. O PS não é o PASOK, nem o PSD é a Nova Democracia, nem existe um CDS e os portugueses não são os gregos…
Extremismo da troika hahahah! extremistas foram e são os Gregos. Foram os Gregos que bateram records.
“aplicando um ajustamento ainda mais cruel.”
É cruel deixar as coisas andar, ter defices de 7% como este Governo faz, não mudando o estado português ideológicamente extremista de caminho para o socialismo.
Sempre mais Estado estes anos todos. É isso que faz este Governo. Manter o sistema socializante.
Você é ainda mais extremista, quer bater records ainda maiores de endividamento e deixar as condições para a destruição total do país. Quer que os outros paguem.
“Nas próximas eleições, o PSD será visto pelos eleitores como o partido de Vítor Gaspar, pelo que terá o mesmo destino do PASOK de Evangelos Venizelos.”
O problema é que ainda faltam três anos. Será que o país resiste até lá? Bom, o país talvez resista, mas há muita gente que não…