“Encarar as empresas do Estado e, desde logo, o banco público como propriedade partidária a distribuir pela clientela não é novidade. Mas Passos Coelho e Paulo Portas, tão exigentes e moralistas quando estavam na oposição, prometeram agir de modo diferente. Tiveram uma oportunidade de ouro para o demonstrar e falharam redondamente.
(…)
O Governo não hesitou aumentar o número de gestores, pagos a peso de ouro – talvez de modo a ajustar a oferta à procura de lugares – num momento em que pede sacrifícios; ignorou ou desvalorizou potenciais conflitos de interesses, tendo em conta o percurso profissional de alguns dos nomeados; e até no processo de recrutamento cometeu erros graves, visto um dos contemplados ter vindo dizer que foi convidado para “vice”, quando compete à própria administração da Caixa atribuir esse cargo.
Tudo isto num único ato de gestão é revelador de quão distantes estão as belas palavras dos líderes do PSD e do CDS contra o clientelismo do Estado.”
Fernando Madrinha, “O Pote e a Rua”, Expresso, 30 de Julho de 2011

Enganam, não querem mudanças, empurram com a barriga a perversa situação até aparecer uma alma caridosa (CE) para saldar as impagáveis contas.
Vivemos uma Ditadura Democrática, não querem largar o osso. A primeira medida a ser tomada seria cortar profundamente nos custos da máquina administrativa.
Melhor governação, só com menos interesses partidários ($$$). A culpa dos nossos males é externa, nunca dos corruptos partidos que nos governam…!?
Nos governos do PS estava sempre a acontecer. E as personagens eram mais desagradáveis e incompetentes. Apesar de tudo, Nogueira Leite é um modelo de virtudes quando comparado a Armando Vara.
Mas isso não chega para desculpar este tiro no pé que o governo acabou de dar. É tristemente incoerente.
Pode ser que as críticas quase unânimes faça Passos Coelho pensar duas vezes na próxima oportunidade. Pode ser também que essas críticas e a atenção gerada façam os gestores agora nomeados serem escrupulosos. Com as privatizações que aí vêm dava jeito poder confiar nos critérios da CGD e não haver as suspeitas do costume.
O que me preocupa é uma sensação de “déjà vu” em relação a Barack Obama. Muito antes, mas mesmo muito antes, de desiludir quem punha nele uma esperança de mudança a nível político, já os comentadores económicos que eu lia para tentar entender a crise financeira se mostravam altamente alarmados com as suas nomeações para os cargos mais importantes para as relações entre o poder político e a banca. Desde então não foram defraudados nas suas expectativas negativas.
O Fernando Madrinha, que apoiou sempre o Socrates com os seus artiguinhos no Expresso, bem podia chamar à sua coluna o Pote de Merda. Onde estava a indignação do Madrinha quando o Vara e Cª foram para a admnistração da CGD? O que escreveu o Madrinha quando a CGD a mando do governo socialista emprestou milhares de milhões de euros aos amigos para comprarem acções do BCP para o assaltarem, e por via disso o estado ser obrigado todos os anos a fazer grandes aumentos de capital na CGD à custa do dinheiro dos contribuintes? ou porque não investiga o Madrinha e o jornal dele que tão boas relações tem nas secretas como foi possivel o governo Socrates torrar quase 7000 milhões de euros no BPN? A explicar estas coisas é que o Madrinha justificava o ordenado que o patrão dele lhe paga. Porque escrever cronicas como a citada no post, qualquer sapateiro de vão de escada seria capaz. Provavelmente sem tanto azedume. Pessoas como Antonio Nogueira Leite ou Pedro Rebelo de Sousa são BOYS? O Expresso anda mesmo pelas ruas da amargura!