Omeletas


Sérgio de Almeida Correia,

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Há muitas maneiras de fazê-las. Algumas têm gordura a mais, outras ficam demasiado fritas, há as que misturam todos os ingredientes possíveis e imaginários, de carne a pimentos e camarões. A maior parte delas é intragável porque todos pensam que sabem fazer uma boa omeleta e têm a receita ideal.

Pura ilusão. Da escolha dos ovos aos ingredientes e à confecção vai todo um saber. Uma política feita de más omeletas é péssima para a saúde, e só pode ser digerida na perspectiva de que não seria bom ficar-se à míngua. Não sei se é uma solução aceitável a curto prazo, mas será péssima numa perspectiva de médio e longo prazo.

Eu dispenso omeletas. Mas não contem comigo para almoçaradas do tipo “vamos todos com o Chico à Meta dos Leitões”. Também há muitas maneiras de comer leitão. E à mão, entre a maralha orientada, não é o ideal.

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0 comentários em “Omeletas”

  1. Outro “leitãozinho” à moda de Cascais…
    Capucho Paulo — em entrevista à ETV:
    …” O PCP tem um comportamento exemplar, porque debate tudo nos seus órgãos sem espalhafato , aparece depois unido para a opinião publica”

    30 segundos depois:

    ” O processo do PS corre com total transparência e de forma exemplar… porque as divergências são assumidas à vista de todos” …

  2. Caro Sérgio Almeida Correia:
    Há dois versos de Camões, popularizados por José Mário Branco numa canção que daria o título a um disco, nos idos de 70, que migrou para a discussão política como metáfora: «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…».
    Por que não dar um exemplo da mudança do tempo e da vontade de um protagonista dos tempos que correm?
    E chamar a atenção que não é só o queijo que faz perder a memória, o leitão da Mealhada também.
    Independentemente de, muito legitimamente, cada um pode alterar as suas convicções.
    —————————————
    «Há dez por cento da esquerda que tem representação parlamentar mas não têm representação na governação.
    Isso introduz assimetrias no sistema político e prejudica a esquerda.
    E basta haver uma aliança à direita para percebermos exactamente as consequências negativas para uma política que se situe à esquerda.
    Depois da queda do Muro, da desintegração da União Soviética, da falência do modelo marxista-leninista, acho que o PCP, não querendo mudar intrinsecamente, já mudou a sua posição na sociedade.
    Assim, devemos ter com os comunistas uma relação que é esta: eles são como são, têm as posições que têm e ainda a identidade que têm, evoluirão como evoluirão, não está ao nosso alcance determinar a maneira como vão evoluir.
    Agora o que penso é que deve haver um diálogo duro, sério, muitas vezes difícil.
    Como fazemos às vezes aqui na Assembleia da República e, por isso, já garantimos a aprovação de algumas coisas. (…)
    Se está demonstrado que ainda não é possível um entendimento geral de incidência governativa com este PCP a verdade é que já é possível estabelecer alguns acordos com vantagens. (…)
    Se não corremos o risco de, daqui a alguns anos, continuarmos a dizer que não há condições para uma coligação e a direita estará reorganizada.»
    Francisco Assis (na entrevista concedida a Ana Sá Lopes e São José Almeida, a 25 de Março de 2001).

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