David Brooks, New York Times: «Os jornalistas do Charlie Hebdo estão a ser justamente celebrados como mártires da liberdade de expressão, mas encaremos os factos: se eles pretendessem publicar o seu jornal satírico em qualquer universidade norte-americana das últimas duas décadas o projecto não teria durado 30 segundos. As associações de estudantes tê-los-iam acusado de fomentarem o ódio. As administrações universitárias ter-lhes-iam bloqueado o financiamento e encerrado a publicação.»
Nick Cohen, The Observer: «Temos em vigor uma lei contra a blasfémia. Não foi aprovada por nenhum eleitor. Nenhum parlamento a votou. Nenhum juiz decide sobre a sua aplicação e nenhum júri avalia eventuais culpas dos infractores. Não há direito a recurso. E a pena é a morte. Não é cumprida por intervenção de polícias sujeitos a códigos de conduta, mas pelo temor de quem nem se atreve a pronunciar-lhe o nome. E a cobardia é tão grande que até falta a coragem para admitir que se tem medo.»
Javier Martínez-Torrón, El Confidencial: «Se queremos erradicar o fanatismo religioso – e é essencial que o façamos – o caminho não passa por glorificar o insulto de quem pensa de maneira diferente da nossa, mas por um jornalismo mais consciente da sua responsabilidade social e mais sensível em relação aos valores das minorias.»
Jonathan Turley, Washington Post: «Se os franceses querem honrar a memória dos assassinados na sede do Charlie Hebdo, podem começar por revogar as suas leis que criminalizam o insulto, a difamação, o incitamento ao ódio, à discriminação ou à violência com base em religião, raça, etnia, nacionalidade, incapacidade física ou orientação sexual. Estas leis têm sido usadas durante anos para penalizar o jornal satírico e ameaçar os seus profissionais. As opiniões em França estão a ser circunscritas ao seu uso “responsável”, sugerindo-se assim que a liberdade de expressão é mais um privilégio do que um direito de quem a exerce de forma controversa.»
Jean Daniel, L’Obs: «O verdadeiro debate, desde que os homens são homens, é sabermos se nos é permitido matar, se devemos responder ao crime recorrendo à vingança e se devemos esquecer aquilo que a Bíblia observa: “Se o mal responde ao mal, quando haverá fim para o mal?” Estamos aí. Hoje os franceses parecem querer, simbolicamente ou não, solidamente ou não, responder a esta imposição da Bíblia. O mal terminará quando houver suficientes homens e mulheres decididos, como aconteceu no domingo, a demonstrar através da sua pungente unidade que existem caminhos para tentar pôr-lhe fim.»
Ignacio Camacho, ABC: «Com estes tipos [Charb, Wolinski, Cabu], até 6 de Janeiro, qualquer pessoa razoável podia ter sérias diferenças, considerá-los excessivos, grosseiros, irreverentes, gratuitamente desrespeitosos. Mas desde 7 de Janeiro são os heróis e os mártires da nossa liberdade. Da nossa, sim, da de todos. Também, mesmo que não saibam ou não queriam saber, da liberdade dos muçulmanos que a ela se acolhem. Da de todos esses que preferem habitar numa Europa cujos valores odeiam ou rejeitam do que em qualquer dos 57 países islâmicos de onde emigraram.»