Oksana Homeniuk


José Meireles Graça,

O ministro da Administração Interna tem uma relação doentia com aparelhos eléctricos: Ficou célebre uma disputa de um microfone com o então Secretário de Estado dos Assuntos fiscais (incidentalmente uma personagem abominável, o que para a economia do episódio e deste artigo não releva), e agora fica o país pasmado com um botão de pânico a instalar nos 18 quartos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, conforme estabelecido numa Portaria que o indescritível Cabrita assinou.

A função do botão é a seguinte: no caso de uma vítima não estar, por indesculpável descuido, algemada, e conseguir nele carregar debaixo de uma saraivada de pancadas, outros inspectores e seguranças serão alertados para o efeito, presume-se, de ajudarem os seus colegas a disciplinar o imigrante refractário, nomeadamente com pontapés e caneladas.

Esta ideia delirante é o que a cabeça ministerial produziu para pôr um penso band-aid no escândalo do assassinato, a par da demissão (“a seu pedido”, como convém a funcionários de mérito que tiveram a infelicidade de alguma coisa correr menos bem – assassinatos, atropelos aos direitos humanos e abusos sortidos – nos serviços que proficientemente dirigem), a par de uma reestruturação que vai ser coordenada pelos Diretores Nacionais Adjuntos José Luís do Rosário Barão, que assume a função de Diretor em regime de suplência, e Fernando Parreiral da Silva.

A reestruturação consiste na “separação orgânica muito clara entre as funções policiais e as funções administrativas de autorização e documentação de imigrantes”, isto é, a burocracia fica separada dos assassinatos propriamente ditos – não se pode parar o progresso.

Cristina Gatões vai, de castigo, ser exilada para Londres, com o miserável estipêndio de 12.000 euros mensais, segundo se diz aqui, a fim de prevenir a comunidade portuguesa expatriada sobre o que a espera se quiser regressar; e gente de muita fé acha que o novo Director (suplente), um boy do PS com uma extensa carreira  que calhou estar ali à mão, é a pessoa certa para remodelar seja o que for.

Oksana Homenyuk, a mulher do ucraniano assassinado, entrevistada pela SicN, diz que “sente ódio de cada vez que ouve a palavra Portugal”.

Não te acompanho completamente, Oksana, porque é o meu país. Mas lá que sinto nojo – sinto.

7 comentários em “Oksana Homeniuk”

  1. Ódio pelo PS e pelos zelotas do “funcionalismo”, pela república e pela atracção negróide-tropical destes atrasados de merda? É fácil sentir ódio por essas coisas. Eu sinto.

    1. Os assassinos que mataram o cidadão ucraniano, estão há quanto no SEF? Entraram no governo PS? Porque se não entraram,que culpa tem o governo?? Só tem culpa de não demitirem a Diretora e eles estarem em casa. Deviam estar na cadeia já!!!!

  2. Teve azar o ucraniano. Tivesse tez diferente certamente já contaria com uns quantos movimentos e hashtags. Assim, o que aconteceu foi uma agressão (alegada) e não um comprovado caso de xenofobia.

  3. Ora bem, tanto falatório sobre as demissões da diretora, do ministro, deste ou daquele, acabam por fazer esquecer os maiores responsáveis. E os maiores responsáveis são os 3 inspetores que estiveram envolvidos na morte. E estiveram envolvidos, não porque são do SEF, mas porque serão de facto indivíduos de má índole.
    E a má índole não lhes cresceu porque entraram no SEF. Não. A má índole já existia antes.
    Por isso, para responsabilizar quem gere, dever-se-ia responsabilizar quem tinha a gestão das admissões à época.
    Catalogar a entidade em si como um bando de assassinos é de todo um exagero. Mas ok, estamos na moda dos exageros. E pelo que se escreve, até parece que os homicídios no SEF são frequentes. Alguém se lembra de outro?
    A responsabilidade que se pode imputar à diretora é apenas a de não ter remodelado a força de segurança. Mas essa responsabilidade é de todos os antecessores. E remodelação é algo urgente, há muito anos, e em todas as forças de segurança. Mas nunca esquecendo que para isso, muita matéria legal tem de ser revista. Muito trabalho tem de ser feito, exigindo gente competente, com democracia de participação, sem elitismos e ouvindo todos os interessados.
    Quanto à sua nova nomeação, nada de novo.
    O PS tem esta fama de tratar bem os seus amigos. O recente ex-presidente da proteção civil, que foi comandante geral da GNR na altura do Costa MAI é um bom exemplo. Fizeram juntos uma reestruturação da GNR completamente absurda, pobre, profundamente corporativista das elites e que enfraqueceu aquela força até aos dias de hoje. Com o compadrio desse então comandante, fizeram-se contratos com empresas cujos órgãos tinham relações familiares com o próprio Costa, para equipar a GNR de um sistema informático completamente inoperante e que ninguém no seu perfeito juízo aceitaria. Mas o então comandante aceitou e quando saiu, lá veio o prémio. Foi para um tacho qualquer cheio de mordomias. Agora mais recentemente, foi para o proteção civil, depois de o seu antecessor bater com a porta, por não aceitar certas jogadas.
    O ex-diretor da PSP, que tão bom aluno foi para Costa, prejudicando os homens e mulheres que deveria liderar, foi também premiado com um cargo que nem podia legalmente exercer, na embaixada portuguesa em Paris.
    Portanto, com o PS é assim. Entras no jogo e és premiado. Sejas bom, ou sejas um zero à esquerda. Só tens de entrar no jogo.

  4. Outra questão.
    Porque é que o estado, e bem, paga a indemnização devida à família desta vítima, mas não paga a indemnização, por exemplo, do miúdo cigano morto pelo Hugo Ernano?
    Essa indemnização teve de ser paga pelo próprio. Tal como todas as indemnizações decididas, por crimes cometidos por polícias. São os polícias que as pagam, individualmente.
    Tal como disse acima, há os meninos bonitos e os meninos feios, dentro das forças de segurança. Por incrível que pareça, o estado assume o pagamento daqueles que ganham mais. Já os que ganham ordenados miseráveis, têm que se amolar.

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