A política portuguesa está reduzida à dimensão dos clubes de fãs. Provam-no a proliferação de blogs de apoio aos “queridos líderes”, as declarações de Aguiar Branco no comício do Pontal, ou as de Vital Moreira durante a campanha para as europeias.
Não se discutem medidas para resolver os problemas do país. Fazem-se ataques pessoais. Lançam-se para o ar insinuações mais ou menos torpes. Levanta-se a suspeição sobre o adversário de forma velada ou explícita. Não se discutem programas (alguns não o podem fazer porque nem sequer os têm…). Na escolha dos deputados, os líderes não pretendem estabelecer pontes com os adversários internos, mas sim eliminá-los.
O comportamento das Jotas também não nos deixa qualquer margem para depositar neles uma esperança no futuro. Seguidistas, falhos de imaginação, sem centelha de arrojo, não procuram marcar a diferença. Envelheceram antes do tempo, nessas escolas pérfidas, onde aprendem a cantar o hino e a dizer ámen ao líder, seja ele qual for. O seu único objectivo é assegurar um emprego futuro, porque o mercado de trabalho não lhes dá garantias de sucesso na sua vida profissional.
A política portuguesa segue a tendência da sociedade lusa. Cada vez mais pimba, prefere Tony Carreira a Rodrigo Leão. Os fãs degladiam-se em defesa dos seus ídolos, mesmo quando eles não passam de bonecos de feira animados. Portugal parece cada vez mais uma Feira Popular onde os visitantes se detêm, na tenda do sr Silva, seduzidos pelo apelo “Oh freguês, vai um tirinho?”. Incapazes de resistir, os fãs pegam na arma e procuram acertar na figura do adversário. Como é frequente nas feiras as armas estarem descalibradas, de vez em quando fazem pontaria ao adversário, mas acabam por acertar no seu próprio ídolo. Os passantes que assistem à cena deixam escapar sonoras gargalhadas.
A única esperança é que, alguns passos à frente, parem para reflectir e se apercebam de que isto assim não pode continuar. Que voltem atrás, confisquem as armas viciadas, chamem a ASAE para encerrar a loja do sr Silva, por estar a fazer batota, e unam os seus esforços para devolver a credibilidade à política e ao país.

Como diz o povo e muito bem” é cá um lavar de roupa suja” ,neste caso as campanhas que se fazem por este país fora.
Excelente.
Mais uma vez de acordo, Carlos.
Mantenhamos uma certa calma, os discursos tão só negativistas não nos levam a lado algum. Estamos na “silly season”, é natural que narrativas mais ou menos «sovietizantes» perspassem a «cultura» político-eleitoralista do burgo; aliás, os políticos do burgo reflectem a sociedade onde se encontram inseridos, não concorda Carlos? Claro que sim, mas é preciso não esquecer que em breve o Verão estará terminado; já o Silva, ou muito me engano, ou irá aumentar a intensidade da sua abordagem conservadora, séria, professoral, digna e «institucional» ao mesmo tempo que cada vez mais se potencia como «força de bloqueio» para as legislativas que se avizinham, o grande canalha. Bom, enquanto isso não sucede, que tal aproveitar o Verão e beber um «Alexander» ou um «Tom Collins», com uma cachopa engraçada, inocente qb, ao anoitecer e pela beira-mar?..
“os políticos do burgo reflectem a sociedade onde se encontram inseridos, não concorda Carlos?”
Claro que concordo e já aqui escrevi sobre isso…
Quanto ao sr. Silva, das barraquinhas de tiro, não creio que se interese por política…
Roubaste-me o post, Carlos. Andava para escrever isto há dias. Por outras palavras, não podia estar mais de acordo.
“Les beaux esprits se rencontrent” na atmosfera escorpiana, Teresa.
“Les beaux esprits se rencontrent”. Voilà!:)))
Ó Carlos, e aqui eu, a Ana Margarida, o André Couto e o Adolfo inserimo-nos em que área? No “clube de fãs” que apoia os “queridos líderes” ou nos “jotas seguidistas”?